Crítica: Pyewacket (2018) - Sessão do Medo

5 de abril de 2018

Crítica: Pyewacket (2018)


Nós, fãs de terror, sempre tivemos que recorrer aos filmes independentes, principalmente nos últimos anos, para ver histórias diferenciadas, já que o horror mainstream beira ao descartável - embora ultimamente seja notável a mudança de tom de alguns sucessos de bilheteria do gênero como Corra! (2017) e It - A Coisa (2017). Aliás, não é à toa que alguns dos melhores exemplares recentes vem do cinema independente como O Babadook (2014), Corrente do Mal (2015) e A Bruxa (2016). Por essas e outras, sempre é bom estar de olho nos horrores exibidos em festivais e que embora não sejam sucesso de bilheteria, possam proporcionar uma experiência diferente, seja divertida ou assustadora, aos cultuadores do gênero.

Dito isso, vim apresentá-los Pyewacket, terror canadense do mesmo responsável por Sobreviventes (2014). A premissa poderia facilmente pertencer à um filme farofento da Blumhouse com aquele clássico selo "dos produtores de Atividade Paranormal & cia." mas felizmente caiu nas mãos de alguém que soube dar um bom tratamento à história, que é sobre a jovem Leah (Nicole Muñoz), problemática desde a morte de seu pai. Tendo que lidar com o luto da mãe (Laurie Holden) e os poréns da adolescência, sobra raiva e angústia na menina. 

As coisas pioram quando a mãe decide se mudar para tentar seguir a vida. Revoltada com a decisão, Leah resolve usar seus conhecimentos sobre magia negra para invocar uma bruxa. Acontece que após o ritual, ela aos poucos começa a se resolver com a mãe, mas já é tarde demais, pois ela já despertou uma força sombria que não vai parar até fazer sua tarefa.


Sem apelar para sustos fáceis e aparições gratuitas, Pyewacket tem a sorte de ter a direção de Adam MacDonald, que sabe exatamente o que esconder e o que mostrar nas horas certas. Quando as coisas começam a ficar mais expositivas, já estamos no fim do filme, portanto, o que vem antes disso é apenas uma preparação e puro terror psicológico bem desenvolvido. Como um público sensato, sabemos que a garota é toda birrenta apesar de tudo que passou, e é interessante ver como o diretor saber expôr a culpa que ela sente após o ritual - e principalmente após começar a perceber que ele funcionou. Sabe quando você brigava com sua mãe mas depois se sente um pouco culpado? O filme "brinca" justamente com isso.

Embora o final tenha me parecido previsível (cogitei o que iria acontecer logo no início), não consigo apontar isso exatamente como um defeito pois era o final mais apropriado para a história - só poderia ter sido melhor desenvolvido. Mesmo com clichês do gênero e sem tentar parecer pioneiro em nada, Pyewacket acerta justamente em contar uma boa história. Afinal não é isso que procuramos?

Abordando aquela velha premissa do "cuidado com o que você deseja", você pode ter visto muita coisa de Pyewacket em outros lugares. Mas há certos detalhes que vale a conferida deste suspense, que pode não marcar, mas cumpre seu papel de divertir e proporcionar alguns momentos de mistério e tensão.
poster
ficha técnica
Título Original: Pyewacket
Ano: 2018 • Duração: 90 minutos
Direção: Adam MacDonald
Roteiro: Adam MacDonald
Elenco: Laurie Holden, Nicole Muñoz, Chloe Rose
Sinopse: Uma adolescente frustrada e angustiada desperta algo no bosque quando ela ingenuamente executa um ritual oculto para evocar uma bruxa para matar a mãe.


Um comentário:

  1. Spoilers abaixo

    O que estragou o final pra mim foi ela saber exatamente o que deveria fazer, já que entrou em contato com o escritor. Ela ter coragem para acender aquele fogo, mas não ter coragem pra fazer o ritual ao contrário?? Que saco isso, fiquei pensando "ele acabou de falar pra vc não acreditar em tudo que você ve, vc sabe o que tem que fazer" e ela não faz nada. Não faz sentido. Ela tava bem determinada em descobrir, descobre e não faz nada e ainda faz aquela burrice.

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