Crítica: Um Lugar Silencioso (2018) - Sessão do Medo

9 de abril de 2018

Crítica: Um Lugar Silencioso (2018)


Em algum lugar dos Estados Unidos, uma família vive pacificamente numa fazenda. E quando digo pacificamente, quero que interprete ao sentido mais literal da palavra. Eles não trocam uma palavra. A comunicação é feita através de sinais, visto que uma das filhas é surda. Mas essa não é a razão para isso. A verdade é que grande parte da humanidade morreu nas mãos de criaturas alienígenas que são cegas mas são atraídas pelo mais leve barulho. No novo thriller da Paramount, o silêncio é sua arma. Chegando nos cinemas nacionais quinta passada, dia 5, o filme explora a união de uma família numa situação de sobrevivência desesperadora.

Sob o comando de John Krasinski, que além de dirigir, também co-assina o roteiro e estrela a produção ao lado de sua esposa Emily Blunt, Um Lugar Silencioso tem uma ousada premissa que, embora no final das contas, pareça mais familiar do que esperava-se, se mantém como um suspense sólido e que garantirá sua vaga na lista de melhores do ano. Até por que, recentemente não está sendo difícil que um filme de terror tenha essa repercussão, certo? Ano passado tivemos vários sucessos de bilheteria do gênero, além da grande repercussão de Corra!, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original.


Juntando-se à esta recente lista de filmes de terror mainstream que são ótimos no que se propõe, Um Lugar Silencioso é um filme que merece ser visto no cinema. Antes de tudo, se você tem a chance de conferir e ter a experiência completa, não perca. É incrível como um filme consegue ser extremamente imersivo de uma maneira que você reaja diretamente a pequenos acontecimentos durante a projeção. O resultado é devido a uma colaboração entre a direção de Krasinski, que embora seja o primeiro terror de sua filmografia (ele já dirigiu duas dramédias), mostra talento para conduzir tramas do gênero, e o design de som, que aproveita para destacar sons diegéticos ao invés de uma trilha sonora.

O silêncio é fundamental tanto na história quanto na experiência. Pode ser que haja alguns irresponsáveis fazendo barulhos nas sessões, mas pelo que eu soube, muitas sessões se mostraram surpreendentemente quietas. É o que o filme pede e é o que ele recebe, mesmo que involuntariamente. Antes que você perceba, você vai estar caladinho e prendendo a respiração, de uma forma parecida com a de O Homem nas Trevas (2016), lembram?

O sucesso do filme é incrementado com o roteiro que trabalha bem seus quatro personagens principais, seus dilemas e medos, tudo isso enquanto vemos os personagens serem caçados por criaturas abomináveis. Sem o desenvolvimento nestes indivíduos, o filme não seria tão bom, por que veja bem, o maior objetivo de Krasinski com Um Lugar Silencioso é mostrar, acima de tudo, a união de uma família. Ele mesmo já revelou em entrevistas que não é fã de filmes de terror e que embora este seja um, era exatamente isso o que ele queria transpôr na tela. Junte isto ao elenco formado por ele, Blunt, a jovem Millicent Simmonds (Sem Fôlego), que é surda na vida real, e o garoto Noah Jupe (Extraordinário), com suas atuações excelentes e bum!


É interessante mencionar que seja numa sala de cinema ou no escuro do seu quarto, Um Lugar Silencioso é bastante competente nos dois ambientes. Há cenas que são agoniantes de tão tensas e tudo que você quer fazer é gritar, o silêncio é ensurdecedor. Preciso até destacar uma cena envolvendo a personagem da Emily Blunt na banheira... dando à luz... sem poder gritar! E esta é só apenas uma das muitas surpresas que o filme guarda.

Apesar de não ser tão inovador quanto parecia ser, Um Lugar Silencioso acerta justamente por saber priorizar o que é necessário, criando um filme de terror tão apavorante quanto emotivo. Então, não é tão surpreendente que no seu final de semana de abertura o filme tenha arrastado as audiências, arrecadando nada menos que $70 milhões de dólares! O terror nunca esteve tão em alta, não acham?
poster
ficha técnica
Título Original: A Quiet Place
Ano: 2018 • Duração: 90 minutos
Direção: John Krasinski
Roteiro: John Krasinski, Bryan Woods, Scott Beck
Elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe
Sinopse: Uma família vive numa casa de campo, em absoluto silêncio e se comunicando através de sinais, na tentativa de sobreviver à uma ameaça desconhecida atraída por sons.


5 comentários:

  1. Oi Neto,

    Ainda não assisti o filme, mas lendo sua crítica, me lembrou muito o livro ''A caixa de pássaros'' de Josh Malerman.
    Onde Malorie e seus dois filhos convivem após um surto desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará levando pessoas em suicídio.
    A falta de ''ver'' trás bastante suspense para o livro, nos prende com momentos de agônia e tensão.

    A Caixa de Passáros já foi notificado aqui no site, parece que lançam no fim do ano pela Netflix.

    Agora sobre Um Lugar Silencioso, estou ansiosa para assistir.

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    1. Sim, inclusive já li! Os dois filmes são muito parecidos e inclusive, eu gostaria muito que a adaptação de Caixa de Pássaros fosse nos moldes de Um Lugar Silencioso!

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  2. Anônimo4/09/2018

    Esse filme tem jumpscares?

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  3. Não, não é esse tipo de filme.

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  4. Anônimo4/12/2018

    Fiquei pensando sobre a origem das criaturas. Ví a imagem de um cometa, mas não consigo teorizar muito.

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