Critica: The Walking Dead | 8ª Temporada (2017/2018) - Sessão do Medo

16 de abril de 2018

Critica: The Walking Dead | 8ª Temporada (2017/2018)

"Minha misericórdia prevalece sobre a minha ira" - Rick Grimmes.
 
Houve uma época em que eu lia os quadrinhos feito um desesperado, a cada avanço na história eu dizia: “Caramba, que louco isso, preciso saber o que acontece”, e esperava ver algo parecido na TV. Com o passar do tempo , como já conhecia a história das HQs, pude dizer que algumas coisas eles reproduziram de forma impecável como a morte Glen que ainda veio com um bônus, à morte do Abraham (que já estava morto nos quadrinhos), e foi uma das mortes mais violentas da série inteira, e esse feito conseguiu uma das audiências mais altas até aqui. Mas, existem alguns momentos em que a equipe decide seguir um rumo diferente da vista nas HQs, e essa temporada marcou pela mudança gigantesca no enredo da trama em relação a obra original.

Como disse acima, eu lia muito TWD, mas teve um momento que achei a história chata e acabei perdendo o interesse... Foi justamente no arco do Negan, achei a história tão chata e ‘enchedora de linguiça’ que ficava imaginando como isso seria retratado na televisão. Dito isso, podem ter certeza que a essa altura sou uma pessoa totalmente alienada sobre os eventos que aconteceram durante a guerra contra o Negan nos quadrinhos, por isso, me restringirei unicamente à série.

Nessa temporada tivemos inicio com o centésimo episódio da série intitulado de 'Misericórdia', os zumbis ganharam um pouco mais de participação e importância, diferente da temporada anterior que, em 16 episódios, os mortos mataram apenas uma única pessoa, e ainda foi um Salvador figurante que apareceu umas duas vezes. Vamos ser sinceros, num mundo pós-apocalíptico onde as pessoas estão aprendendo a viver com a presença de zumbis, precisam de outro tipo de ameaça, e nada seria uma ameaça perfeita do que o homem em seu estado mais animalesco... Certo?

Já tivemos várias ameaças humanas durante a série: O Governador, O Terminus, Os Wolfes... Isso sem falar dos problemas individuais como: Shane, Lizzie, A policial Shawn... Então até as ameaças humanas poderiam se tornar repetitivas. Daí veio o chefão master que todo mundo estava querendo ver, Negan e seu exército de Salvadores que desde a segunda metade da sexta temporada vêm causando terror direta e indiretamente, mas vamos combinar, essa história foi estendida por duas temporadas e meia, está saturada e chata.

Acredito que o problema é toda a ideologia em torno do Negan. Como um cara com um taco de baseball consegue dar tanto medo assim? O que ele fez para todos o adorarem a ponto de o tornarem ‘Deus’? Um taco, uma faca, um martelo, machado... Nada disso é pior que uma arma, metralhadora, rifle, Magnum... e mesmo assim, a tão icônica Lucille causa mais medo do que tudo isso. Talvez isso se deva por causa da veneração do Negan sobre ela, além isso, o significado daquele bastão (O que mostra o quanto ele é maluco da cabeça) é um tanto sem noção, imaginem só: "A minha mulher morreu e eu amava ela... Já sei seu bastão, vou te chamar de Lucille e esmagar cabeças com ela, a minha mulher iria adorar "... Enfim, soa ridículo, porém, acredito que numa próxima temporada eles possam abordar a história do vilão assim como a vinda de Lucille. 

Outra coisa, quando você quer matar uma pessoa, você não para e conversa com ela, você mata. coisa que anda acontecendo a todo o momento na série... Outro ponto é a relutância de Jesus em não querer matar ninguém, apesar de parecer um lupe sem fim onde em cada temporada alguém tem esse tipo de crise, a do Jesus se justifica no final para quem analisa a situação, principalmente na relação dele com Morgan.  

Depois que a série voltou de seu hiato com a morte de uns dos personagens mais importantes da série, se não o mais importante. Muita coisa começou a acontecer na mente dos fãs. Um tiro no pé ou uma ação audaciosa? Essa é a questão, de qualquer forma, gostei do significado dessa morte que de certa forma mudou toda história da guerra e, consequentemente, marcou a forma de como os alguns personagens enxergavam as coisas.

Essa segunda metade foi um pouco melhor, mais dinâmica e com menos drama... Finalmente deu para ver as coisas se configurando para a guerra final contra o Negan. Porém, os problemas que acompanham TWD desde a temporada passada continuam, e não são poucos.

Daryl é um dos personagens mais amados da série, nessa temporada, só fez besteira atrás de besteira. Fica brigando com o Rick, faz as coisas por conta própria, e tem ideias que no final das contas, não ajuda o grupo em nada. Até temos um momento ridículo onde Daryl e Rosita tentam pegar Eugene de volta, e quando pegam, Daryl, o cara que segue rastros e caça na floresta, foi tapeado pelo babão do Eugene de uma forma muito fácil, difícil de engolir.

Nós sabemos que existem dois tipos de Rick Grimmes, o bom e o mal, e nenhum Salvador vai querer estar perto do Rick mal. No episódio 'Valer a Pena' vemos isso que, apesar de sabermos o que se passa e entendermos os motivos para o Rick e Morgan matarem os ‘inimigos’, não gostei da atitude do líder de Alexandria uma vez que, de certa forma, aquele grupo em específico estava disposto a ajuda-los. Isso é uma opinião pessoal visto que a grande maioria das pessoas adoraram, ok, eu entendo, mas ainda sim, não concordo e sei que isso é problema meu porque não dá para o bonzinho ser só bonzinho e o malvado ser só malvado. Para mim, o melhor momento desse episódio é no momento em que Rick e Morgan conversam e Morgan explica porque ele não matou Rick na primeira vez que se viram. 

E enfim chegamos ao último episódio da temporada, aquele que prometia ser o fim dessa tão estendida guerra, e realmente acabou, mas de uma forma bem fraca.

Achando que está arrasando com um plano para capturar Rick e seu grupo, Negan cai numa armadilha feita por alguém inusitado que como resultado dessa traição, culmina em sua queda. A ideia de fazer uma pessoa odiada se tornar o salvador (perdão o trocadilho) de Rick e cia, foi legal, porém algumas coisas paralelas a isso, incomodaram. 

O grupo de Oceanside que prometia ter um fator importante na guerra acabou por não fazer nada demais, aparecer em Hilltop e jogar meia dúzia de coquetéis motolov em mais meia dúzia de Salvadores perdidos, pronto. Os próprios moradores de Hilltop poderiam ter feito isso, definitivamente a presença desse grupo não mostrou para que veio e decepcionou. E é frustrante porque houve tanta expectativa por essa guerra final, é resolvem tudo em cinco minutos.


Por outro lado, o que acontece logo após que Negan perde a guerra, alguns podem dizer que Rick está certo em tomar a decisão que tomou, por outro lado, ele matou muita gente por muito menos. Ainda no episódio anterior ele havia matado ex-Salvadores que até haviam salvado ele de um zumbi. Por essa razão pode-se questionar: “Dá para tirar a razão de Maggie?”... Pra mim, não.

Eu vi essa temporada como um pouco melhor que a última, porém, muito contraditória. Personagens mudam de ideia muito rápido: Num episódio Tara quer matar Dwight, no outro ela quer defender ele de Daryl que quer matar ele. Em outro episódio Jadis quer matar o Negan, logo depois ela deixa ele livre. Em mais outro episódio Rosita quer destruir com o Santuário junto com Daryl, e logo depois ela não quer mais. Parece que ninguém mais sabe o que fazer com esses personagens, e esse descuido acaba descaracterizando-os o que faz os fãs perderem a empatia e o interesse por eles.

E por falar em não saber o que fazer com os personagens, Jesus é um personagem que eles estão jogando no lixo. Para quem leu pelo menos o começo do arco do Negan nos quadrinhos, sabe que Jesus é um ninja super habilidoso, dá para dizer que ele conquista um espaço importante na história. Mas, na série, o personagem tem menos destaque que Tara, Padre Gabriel, até do Gregory. Chega a ser frustrante ver um caractere desse tão apagado. Outro é o Aaron que parece uma planta, principalmente na segunda metade que ele tenta convencer as “Amazonas” de Oceanside para a guerra fazendo-as terem pena dele.

Essa temporada tinha uma missão a fazer, atrair seus fãs que foram ficando para trás no decorrer de cada episódio e tirar a série do buraco que ela está entrando. Tivemos bons momentos aqui, conflitos que quase resultaram na extinção de algumas comunidades como o grupo do lixão, o Reino e até mesmo Alexandria, mas também tivemos horas em que a vontade era de desligar a TV com tanta enrolação. É preciso ter mais foco e dinamismo, parar de repetir temas e evoluir. Agora com o futuro incerto e com as mudanças internas que aconteceram na equipe produtiva da série, o futuro da saga de Rick e sua turma se torna imprevisível e isso é uma vantagem que a equipe tem para fazer algo realmente bom.

E para finalizar, se eu pudesse dizer o que essa season é em uma palavra, seria: 'Audaciosa'. Foi uma boa temporada, mas não foi a melhor, longe disso. Vamos torcer agora para que os obstáculos que vão surgir no caminho do grupo sejam bons e surpreendentes seja através de um gigantesco bando de zumbis, seja através dos Sussurradores. Nota: 5,5.



Curiosidades:

- Andrew Linconl, o ator que faz o Rick Grimmes disse ao site Comic book que o primeiro episódio da oitava temporada foi o melhor episódio que ele já fez em todas as temporadas da saga TWD. (Será mesmo?).

- Tenha ou não sido um sonho, ou um flash-forward, Rick do Futuro acorda da mesma forma que acordou do coma no episódio piloto da série.

- A saída de Chandler Riggs da série não foi uma decisão sua, mas sim da equipe que achou necessária a morte do personagem para dar uma visão diferente a Rick e aos outros. 

- O ator Juan Gabriel Pareja, que interpretava o Morales, voltou ao show pela primeira vez desde que deixou todos para trás no penúltimo episódio da primeira temporada.

- Há uma referência a morte de Sofia no episódio 'Valer a Pena' onde Carol encontra Henry perdido na floresta sendo atacado por zumbis. Na vida real, o local é o mesmo onde Rick deixou a Sofia na segunda temporada. Essa cena é a versão otimista da história de Sofia. 

- Para escapar do sequestro dos Salvadores fugitivos, Rick faz uma oferta de paz: se eles libertarem os dois, podem se tornar membros da comunidade e levar seus feridos para o médico de Hilltop. o que ele diz, já havia sido dito antes no primeiro episódio da temporada, na ocasião, depois que obteve a informação, Daryl atirou no Salvador. No caso desse episódio um dos Salvadores diz ao Rick: "Você deu a sua palavra!", Rick responde: "Eu menti"... ironicamente, o episódio foi lançado no dia da mentira, 1 de Abril. 

- Enquanto filmava a cena em que lia a carta de Carl, Andrew Lincoln usou fones para ouvir a voz de Chandler Riggs lendo a carta de Carl também, o que provavelmente ajudou a tornar o momento mais autêntico.

- O ator que interpreta o Henry é o irmão de Madison Lintz (Sofia) na vida real.   


Ficha Técnica


Produtor(es): Jolly Dale, Caleb Womble, Paul Gadd, Heather Bellson.

Produtor(es) executivo(s): Frank Darabont, Gale Anne Hurd, David Alpert, Robert Kirkman, Charles H. Eglee, Glen Mazzara, Scott M. Gimple, Greg Nicotero, Tom Luse.

Elenco: Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Chandler Riggs, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Michael Rooker, David Morrissey, Melissa McBride, Scott Wilson, Michael Cudlitz, Emily Kinney, Chad L. Coleman, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Jeffrey Dean Morgan, Alanna Masterson, Josh McDermitt, Christian Serratos

Sinopse: Até agora, a sobrevivência vem sido o foco de Rick e seu grupo mas não é o suficiente. Eles precisam lutar por sua liberdade para que possam viver. Assim como qualquer batalha, haverão perdas e mortes. Mas com Rick liderando as forças de Alexandria, Maggie liderando Hilltop e Rei Ezekiel liderando o Reino, a tirania de Negan e os Salvadores pode finalmente estar chegando a um fim.

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