Crítica: Wildling (2018) - Sessão do Medo

20 de abril de 2018

Crítica: Wildling (2018)


Eu sempre tento ser bastante receptivo quando vejo filmes de terror independentes. A grande maioria tem suas limitações mas se for bem feito, vale a pena, concordam? No entanto, alguns testam minha paciência e eles são aqueles com grandes potenciais mal-aproveitados. É claro que o público geralmente não tem conhecimento do que rola durante a produção de um filme desse porte e existem variáveis que podem causar n problemas. Não sei se é o caso de Wildling. Esta produção americana, que estreou no SXSW Film Festival em Março e foi lançada comercial este mês pela IFC Midnight, se propõe a contar basicamente um coming of age com uma reviravolta sombria.

A história começa quando o pai de Anna (Bel Powley) tenta se matar. A garota passou seus 16 anos trancada dentro de um quarto, sendo levada a acreditar pelo homem que dizia ser seu pai (Brad Dourif) que estava ali para sua proteção contra uma criatura sanguinária conhecida como O Selvagem (ou Wildling, título do filme). Quando ele faz uma tentativa de suicídio, a Xerife Ellen (Liv Tyler) a encontra. Sem um conhecimento sobre como funciona o mundo real, a policial a acolhe em sua casa temporariamente para que a garota possa se adaptar, com a ajuda de seu irmão mais novo Ray (Collin Kelly-Sordelet). No entanto, não demora muito para perceber que há sim um perigo destinado a ela.

Powley, elogiada por sua performance no controverso O Diário de uma Adolescente (2014), se mostra como uma das ótimas atrizes de sua geração, entregando uma atuação ótima no papel da garota deslocada e ingênua, tentando se adaptar ao seu novo mundo. Juntamente com um roteiro que, a princípio, se mostrava bastante interessante, Bel conseguiu ser uma das melhores coisas da produção.


A direção do estreante Fritz Böhm também tem uma mão firme na hora de construir o suspense necessário para manter o mistério necessário, embora Wildling não se esforce para esconder algo que está bastante claro desde o início (não vou comentar mas se você leu a sinopse, já deve imaginar o que é). E isso é bem bacana, por que enquanto ele vai trabalhando aos poucos os elementos místicos da história, ele também serve como um coming of age da personagem principal, o que torna tudo bem agradável.

Tudo bem até aí, não é? As coisas começam a dar errado mesmo depois de tudo isso. O filme tinha a faca e o queijo nas mãos para concluir a história de forma satisfatória, mas parece que os roteiristas, na tentativa de fugir do clichê, do esperado, tentam usar outro caminho e nada mais dá certo. Saltos temporais, personagens sumindo e aparecendo, sendo completamente desperdiçados. A sensação que dá é que eles tentam resolver 40 minutos de história em apenas 20. 

Atenção: Possíveis spoilers neste parágrafo.
As decisões criativas no terceiro ato são péssimas e comprometem todo o resultado. Acreditem ou não, em cerca de poucos minutos, o roteiro pula três meses apenas para pôr em prática a ideia da protagonista estar grávida para dar seguimento a sua espécie. Por causa disso, os personagens da Liv Tyler e do Collin Kelly-Sordelet são esquecidos e nem parece que em algum ponto eram importantes. No meio da correria, me veio uma ideia que poderia ter fechado o filme de forma certa, explorando como a mente da garota estava fragilizada vivendo em cativeiro, mesmo sem saber, e crescendo com medo de uma figura que não existia. Numa cena, a Anna mata um garoto que a tenta estuprar e na visão dela, o rapaz é um Selvagem. Seria interessante se tudo fosse de fato coisa da cabeça dela. 
Fim dos spoilers

É uma pena que o final seja tão ruim por que eu estava gostando bastante do filme até então. Não pude evitar de me sentir frustrado com a forma que a história foi lidada, parecia até um certo descaso. No mais, Wildling entra para lista enorme de filmes de terror com grande potencial mas que são desperdiçados em um roteiro preguiçoso. Embora o terceiro ato seja bem fraco, o filme no geral não é ruim e até apresenta uma abordagem interessante desse tipo de criatura. Mas é uma pena, pois poderia sim ser um dos melhores do ano. Apesar disso, irei ficar de olho nos próximos projetos do Fritz Böhm, pois o cara, assim como o filme, tem potencial.
poster
ficha técnica
Título Original: Wildling
Ano: 2018 • Duração: 93 minutos
Direção: Fritz Böhm
Roteiro: Fritz Böhm, Florian Eder
Elenco: Bel Powley, Liv Tyler, Brad Dourif, Collin Kelly-Sordelet
Sinopse: Anna (Bel Powley) passou toda a sua infância sob os cuidados de um homem conhecido apenas como Papai (Brad Dourif). Ele a deixa trancada em um sótão, alertando-a sobre o Wildling, um monstro que come crianças e que vive do lado de fora. Aos 16 anos, Anna é resgatada pela xerife Ellen Cooper (Liv Tyler) e a ajuda a começar uma nova vida como uma adolescente normal. Mas quando o corpo de Anna começa a florescer, seus pesadelos de infância voltam com um desejo de vingança e traz à tona um segredo sombrio.

4 comentários:

  1. assisti o filme e gostaria de saber, ela é um lobisomem?

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  2. que diabos segundo que quer que seja tudo da cabeça dela

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