Crítica: Zombie - A Volta dos Mortos (1979) - Sessão do Medo

5 de abril de 2018

Crítica: Zombie - A Volta dos Mortos (1979)


Um cinéfilo com conhecimento médio do gênero terror, se perguntado sobre as principais obras de zumbis feitas, irá responder automaticamente os filmes do George A. Romero, ou A Trilogia dos Mortos, formada por A Noite dos Mortos-Vivos (1968), Despertar dos Mortos (1978) e Dia dos Mortos (1985). Todos os três filmes aclamados e importantíssimos para a introdução dos mortos-vivos na cultura pop. Mas há um filme em particular que é bastante esquecido e que poucos sabem o quanto ele foi importante para a concepção dos zumbis como vemos hoje nos filmes ou na TV. 

Uma das razões para que isso aconteça é uma confusão feita pelos produtores e distribuidores. Zombie, projeto italiano dirigido por Lucio Fulci e considerado sua obra-prima, foi produzido na mesma época em que Despertar dos Mortos foi lançado nos cinemas. Após o sucesso do filme de Romero, que chegou na Itália sob o título Zombi, os caras por trás da distribuição do filme resolveu lucrar em cima, intitulando-o Zombi 2, mesmo que não seja uma sequência e não tenha relação direta com a obra de Romero. Por causa disso, muita gente criou um certo preconceito ao considerar erroneamente Zombie um rip-off de Despertar, o que é inadmissível já que a importância cultural de Zombie é enorme. Sabe os zumbis apodrecidos e cheios de nojeira? Não foi o Romero que criou não.

Na verdade, foi nesta película sobre um grupo de americanos presos numa ilha repleta de mortos que voltaram à vida que esse tipo de zumbi deteriorado surgiu. Com a maquiagem excepcional de Giannetto De Rossi, que voltou a trabalhar com Fulci em seus próximos filmes de terror, Zombie marcou com cenas antológicas como o zumbi duelando com um tubarão no fundo do mar (!), a de um morto se desenterrando com o rosto repleto de minhocas (foto do começo do post) ou a mais caprichada: a cena que um zumbi invade a casa de uma personagem e puxa sua cabeça até um pedaço de madeira entrar no seu olho de forma dolorosa de se assistir.


Os mais acostumados com os filmes atuais podem estranhar os exageros do roteiro de Zombie, mas muita coisa nele é típica do cinema italiano daquela época. A história começa com um barco desgovernado chegando na costa de Nova York. Dois policiais que cuidam da área resolvem verificar o que há dentro do veículo e um deles acaba sendo surpreendido por um homem que o mata mordendo pedaço de sua garganta. A polícia então começa a investigar de onde vinha aquele barco, que pertencia ao pai de Ann (Tisa Farrow, irmã da Mia), desaparecido há um mês, segundo a moça. Cansada da omissão de informações da polícia, ela resolve investigar o paradeiro de seu pai e se junta à um repórter que está a procura de furos para seu jornal. Eles descobrem que o barco veio da ilha caribenha de Matul e partem para lá, onde conhecem um casal de americanos em férias que decidem ajudá-los à chegar ao seu destino, temido pelos nativos devido à lendas e histórias.

Na ilha, funciona uma pequena base liderada pelo Dr. David Menard, que conduz estudos para descobrir a origem de um assustador fenômeno na ilha: os mortos voltando à vida. Embora as histórias dos locais apontem para voodoo, o médico está obcecado em descobrir uma causa científica para o fenômeno, mesmo que isso o faça perder a vida. No final das contas, todos eles ficam presos na ilha e terão que enfrentar todos os mortos-vivos para poder sobreviver.

O ponto forte do filme não é a história nem mesmo as atuações (embora sejam bem competentes), mas sim o gore. Feito há 39 anos, Zombie e seus efeitos feitos com poucos recursos dão de lavada em muitos outros produzidos nos dias de hoje. Há cenas extremamente gráficas como a já comentada cena do olho (que fará qualquer pessoa sensata fechar os olhos na hora de agonia) ou uma cena onde vemos um grupo de zumbis devorando uma vítima totalmente esquartejada.


Outra coisa que faz o filme se destacar e só mostra como ele é importante no gênero é a excelente direção de Fulci. Sou um iniciante no cinema italiano mas pelos poucos exemplares que pude conferir já notei que os diretores desse tipo de cinema, embora subestimados pelo gênero que trabalhavam, eram bastante visionários em seus trabalhos. Ângulos, sequências de câmera, fotografia; tudo feito numa execução incrível que muitos diretores atuais nem sonhariam em realizar naquela época.

No final das contas, estamos falando de um dos filmes mais seminais do terror e que muita gente nem chegou a assistir - assim como tem muita gente que nem sequer conhece. Se você chegou ao fim da crítica, providencia agora uma cópia de Zombie e o assista. Gostando ou não, você estará assistindo um dos melhores e mais importantes filmes do gênero.
poster
ficha técnica
Título Original: Zombi 2
Ano: 1979 • Duração: 87 minutos
Direção: Lucio Fulci
Roteiro: Dardano Sacchetti, Elisa Briganti
Elenco: Tisa Farrow, Ian McCulloch, Richard Johnson, Al Cliver
Sinopse: Quando um barco à deriva é abordado na baía de Nova York, um dos policiais é atacado por seu único tripulante: um morto-vivo que é rapidamente abatido. O barco pertence ao pai da jovem Anne, que desapareceu numa ilha do Caribe. Ajudada por um repórter, Anne contrata os serviços de outro barco, comandado por um casal em férias, e vai à procura do pai. O que eles não sabem é que, na ilha, uma epidemia devastadora transformou a maior parte dos habitantes em zumbis devoradores de carne humana.

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