Crítica: Vingança (2018) - Sessão do Medo

11 de maio de 2018

Crítica: Vingança (2018)


Não negue: é sempre satisfatório ver uma moça matando macho escroto em filmes de vingança, não é? Desde que Jennifer Hills matou seus estupradores no controverso A Vingança de Jennifer (1978) e foi revivida em 2010 no remake Doce Vingança que reapresentou o gênero ao público de forma bastante impactante (gerando não só outros seguidores mas suas próprias sequências), o público vem se acostumando com thrillers de vingança com cenas bastante violentas e meio que de forma automática associando todos eles ao Doce Vingança. O francês Vingança (Revenge, 2018) pode ser a nova vítima deste fenômeno. O terror que chega aos cinemas nacionais no fim do mês procura trazer uma nova abordagem ao gênero sob os olhos de uma diretora mulher, assumindo totalmente a postura feminista que esses filmes tentam apostar. O erro talvez esteja num roteiro esticado demais para seu próprio bem, mas mesmo com suas falhas, não podemos dizer que não foi legal ver mais uma protagonista "fodona" matando seus malfeitores.

A vítima da vez também se chama Jennifer e é interpretada pela bela Matilda Lutz, protagonista de O Chamado 3 (2017). Ela é uma lolita cheia de sonhos e que tem um caso com o empresário casado Richard (Kevin Janssens), que a leva para uma casa no deserto que usa para ficar quando se reúne com seus amigos Dimitri (Guillaume Bouchède) e Stanley (Vincent Colombe) todo ano para uma caçada. Quando a dupla acaba chegando mais cedo que o previsto, o atrito entre Dimitri e Jennifer acaba num estupro. Ameaçada, a garota se torna hostil e acaba sendo morta pelo amante numa queima de arquivo. Pelo menos é o que eles pensam. Jennifer sobrevive no deserto passando por poucas e boas e logo parte para sua própria vingança, matando um deles e pegando todo o equipamento pesado para matar os outros dois. Agora, eles que são a caça.


Vingança tem o diferencial de ter sido dirigido e roteirizado por uma mulher, Coralie Fargeat em sua estréia na direção, algo que não é tão comum mesmo que filmes como esse procurem passar uma mensagem feminista. Mensagem esta que nem sempre é realizada de forma definitiva pois grande parte destes filmes buscam sexualizar a imagem da mulher e acabe dando mais foco na violência que ela recebe do que na violência que seus agressores recebem. Algo que exemplifica isso é que o estupro que a Jen sofre nem chega a ser tão detalhado e vemos mais a negligência que ela sofre com isso. "É que você é tão bonita que ele não resistiu" e "por que mulheres sempre tem que ficar na defensiva?" são apenas alguns dos comentários feitos pelos personagens.

Por ser uma produção francesa (grande parte do filme é falado nesta língua), já se pode esperar boas cenas de violência e muito, muito sangue. O filme tem isso e a diretora sabe aproveitar as cenas pra causar remorso no público, sempre dando foco nas feridas e cortes (que são muito bem feitas, palmas ao pessoal da maquiagem!). É visceral e brutal.


Meu problema com Vingança fica a cabo de duas coisas: o roteiro é longo demais. Houve momentos em que eu senti que estava vendo o filme há séculos. Mesmo que haja tempo para tentar trabalhar os personagens, não senti uma aproximação maior entre o público e eles, ou melhor, entre o público e ela que pudesse responder por esse "esticamento" todo. A segunda é que por mais legal que seja ver a Jen matando geral, a personagem se torna uma máquina fria que nem chega a falar um pio depois que é deixada para morrer. É até interessante vermos a personagem mudar. Ela nos é apresentada como uma jovem vibrante e até "plastificada", sempre usando muito cor de rosa e exalando sensualidade. Após os eventos, ela se torna focada na vingança, as roupas adquirem tons negros pela sujeira que ela passa e como já falei, ela vira uma máquina de matar fria e implacável. Eu até me questionei se esse silêncio era intencional por parte do roteiro.

Vingança chama atenção pelo visual e fotografia repleto de cores vivas que dão um contraste bacana, um quê de diferente. Mais do que isso, ele se diferencia por trazer uma abordagem um pouco diferente dos rape revenge movies, por mais que o resultado geral seja extremamente familiar e até realizado de forma melhor em outros filmes. Mas isso obviamente não quer dizer que ele seja ruim. Definitivamente merece a conferida.
poster
ficha técnica
Título Original: Revenge
Ano: 2018 • Duração: 108 minutos
Direção: Coralie Fargeat
Roteiro: Coralie Fargeat
Elenco: Matilda Lutz, Kevin Janssess, Guillaume Bouchède, Vincent Colombe
Sinopse: Três homens casados e ricos fazem anualmente uma espécie de caçada no deserto. Desta vez, um dos empresários decide trazer sua amante (Matilda Lutz). Quando ela é abandonada para morrer devido a uma série de acontecimentos, eles terão que lidar consequências de uma mulher que busca vingança.

6 comentários:

  1. to doidaaa pra ver! espero que chegue aqui em Recife

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  2. Eu baixei e vi. Achei muito bom. Prendeu minha atenção.
    Só acho que o fato de ter sido dirigido e roteirizado por uma mulher não mudou nada. Se ninguém tivesse me falado, eu nem saberia.

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  3. nossa.. vi e não gostei .. achei meio chato.. a atriz, achei sem carisma.. mas assistem, e tirem suas próprias conclusões amigos...

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  4. O que podemos dizer desse filme. Eh impossível falar qualquer coisa sem comparar esse aos outros "vingança de Jenifer" de 70 e pouco e "Doce vingança" 1,2,3 dos anos 2000 e pouco. Esse filme tinha muito para ser um "doce vingança", mas mais simples e crível, realista, mas aconteceu o contrario, o roteiro desse eh bem mais simples e menos elaborado que o dos outros filmes de vingança, mas eh menos crível, acreditável. Nesse filme vemos lesões que matariam qualquer pessoa ou a deixaria incapacitada por semanas parecem arranhões. Serio, se o seu abdomen for perfurado por um tronco mais grosso que um cabo de vassoura, não importa a droga que você usar, você não vai conseguir fazer muita coisa, por causa da dor, da perda de sangue, e por causa a inflamação natural (conheci um cara, usuário de drogas, vizinho meu, que em uma festa tomou uma facadinha de canivete no abdomen, ele foi pra casa tomou um banho, dipirona, e como a ferida era pequena colou um band-aide e foi deitar, poucas horas depois acordou com o coração acelerado, correu por hospital. A facada não furou nem um órgão, mas os medicos tiveram que abrir ele, limpar o sangue da cavidade abdominal e depois costurar. Ficou alguns dias internado e semanas se recuperando Pra gente ver que não eh tao simples). Mas na realidade desse filme cogumelos e fogo curam qualquer ferida e te deixam em ponto de bala para enfrentar um exercito. Olha esse filme eh bem estilístico, com um jogo de camera, mudança de perspectiva, foco em detalhes e uma trilha sonora bem interessante, isso geralmente vemos em filmes mais cults, ou independentes, nesse quesito esse filme da um show nos seus "colegas girl revenge" , ficou muito bom, mas não adianta ter estilo e não ter conteúdo, sendo MUITO inverosímil. Sim, os outros filmes desse gênero também são inverosímil, mas eles justificavam tudo baseados no planejamento feito pela personagem vingativa, ou seja, acreditávamos que as coisas davam certo, em sua maioria, por que a personagem tivera tempo de planejar tudo e nesse temos que acreditar que as coisas estão dando certo "NA RACA" e na sorte, o que não se justifica ao olharmos a personagem. Enfim achei o filme OK. Mais personalizado que os outros "doce Vinganças" mais muito simples e inverosímil

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  5. Anônimo5/25/2018

    Queria saber o que acontece com ela depois, foda se depois de tudo isso ainda fosse presa!

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  6. Gostei do filme. Apesar da premissa ser da vida real, o filme deve ser encarado como fantástico. Se vc for levar o filme como sendo algo real vai se decepcionar. Tm que ver a protagonista como um Jason ou qq outro killer, pq vai ter que de despir da lógica para crer por exemplo que uma moça jovem e pequena poderia ter o estomago empalado, perder litros de sangue, passar por horas no sol escaldante de um deserto e ainda sim está viva. Se vc relevar isso tudo vai se divertir com o filme que tem cenas bem gore.

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