Crítica: Ghostland (2018) - Sessão do Medo

15 de junho de 2018

Crítica: Ghostland (2018)


Já se passou uma década desde que o cineasta francês Pascal Laugier fez um nome pra si mesmo, ganhando reconhecimento internacional com sua obra-prima do new french extremism Martyrs (2008). Desde então, ele só havia realizado outro longa, dessa vez com parceria americana. O Homem das Sombras (2012) é uma história ambiciosa e intrigante mas que passa um pouco do ponto e perde sua força por ser muito didática no terceiro ato. Seu novo investimento é Incident in a Ghost Land, ou simplesmente Ghostland, um terror psicológico que acabou sendo bastante decente no final das contas.

Antes mesmo do lançamento, o filme esteve envolto em controvérsias devido à um acidente durante a gravação de uma das cenas, onde a jovem atriz Taylor Hickson teve seu rosto desfigurado quando uma porta de vidro se quebrou. O processo só veio à luz quase dois anos após o fim das gravações, o que acabou dando uma impulsionada na divulgação - uma pena que seja por motivos tão infelizes. De qualquer forma, Ghostland pode não se tornar um clássico contemporâneo como Martyrs, mas cumpre seu papel como terror.


O enredo segue Colleen (Mylène Farmer), mãe de duas adolescentes - Beth (Emilia Jones) e Vera (Taylor Hickson) - que herda a casa de sua falecida tia, uma adoradora de antiguidades e bonecas. Na noite que se mudam para o ambiente, localizado numa fazenda isolada, as três são surpreendidas por dois invasores perturbados que transformam a madrugada num verdadeiro inferno. Dezesseis anos depois do incidente, Beth (agora adulta, interpretada por Crystal Reed) se tornou uma escritora de sucesso, está casada e tem um filho. Mas sua vida perfeita é interrompida quando ela decide retornar à casa, para conferir como está sua mãe e sua irmã (Anastasia Phillips), que nunca se recuperou dos eventos da fatídica noite e ainda vive num pesadelo constante.

Creio que a história pode ser dividida em dois momentos, separados por uma reviravolta que obviamente não vou comentar muito sobre para não entregar nada. Confesso que no início, imaginei que o filme se tornaria uma bobeira sobrenatural, pois não me resta mais nenhuma paciência para esse tipo de filme ultimamente e creio que boa parte de vocês também não. Essa fase "sobrenatural" da história é um ponto baixo por ser bastante gratuita e clichê, muitos jumpscares e aparições - basicamente convencionalidades desse tipo de gênero. Mas o roteiro vai fechando as pontas e dando um propósito para estas cenas, o que acaba deixando uma boa impressão.


É interessante no que isto convém, visto que detalhes que antes passaram despercebidos se tornam importantes posteriormente. A reviravolta não é algo tão genial pois confesso que imaginei que fosse acontecer após uma fala no início, mas mesmo já imaginando, achei bacana pela execução da direção de Laugier. Definitivamente é um ponto positivo. Outro prol é o cenário principal. A casa é extremamente bizarra, parece ter saído de um pesadelo. A decoração é bastante bagunçada, a iluminação amarelada e escura contribui para a sensação onírica e a cereja em cima do bolo são as bonecas espalhadas em todos os cômodos.

As atuações também são muito boas e o quarteto principal, formado pelas duas garotas e suas versões adultas, se destaca em cenas bastante fortes, com muita gritaria e chororô. Mas elas também convencem ao vender seus personagens, fazendo com que o público se importe com elas, embora toda a situação desesperadora contribua para esta empatia.

Ghostland acabou sendo uma ótima surpresa, muito bem-vinda. Não é um terror inteligente e vanguardista como Martyrs, mas não acho que precise de comparações por serem filmes com propostas diferentes. De uma forma ou de outra, Laugier se saiu muito bem nas duas produções. Criando um ambiente macabro e amedrontador, Ghostland é um terror perturbador e brutal que deve figurar nossa lista de melhores do ano.

poster
ficha técnica
Título Original: Incident in a Ghostland / Ghostland
Ano: 2018 • Duração: 91 minutos
Direção: Pascal Laugier
Roteiro: Pascal Laugier
Elenco: Crystal Reed, Anastasia Phillips, Emilia Jones, Taylor Hickson, Mylène Farmer
Sinopse: Uma mãe de duas crianças herda uma casa de sua tia e na primeira noite, é atacada por invasores violentos, tendo que lutar pela vida das filhas. 16 anos depois, as garotas, já crescidas e afastadas, retornam ao lugar e se deparam com estranhos acontecimentos.

6 comentários:

  1. Anônimo6/19/2018

    Baita filme, queria conhecer outros filmes parecidos, não digo nem pelo plot, mas sim pela atmosfera e tudo mais.

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  2. Eu queria saber a qual fala especificamente você se refere. Acho que não captei.

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    Respostas
    1. Tem uma parte q irmã fala p mãe da protagonista q ela fica imaginando coisas que fica criando mundo so p ela

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  3. [SPOILER]
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    No início quando a Vera diz que achou uma entrevista totalmente criada por Beth no quarto dela, como se ela fosse famosa (e depois é exatamente isso que é mostrado).

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  4. Muito boa crítica. Adorei o filme; foi uma grata surpresa visto que ultimamente há uma enxurrada de filmes de terror que não cumprem nada do que prometem. Muito boas atuações e a casa também uma personagem nesta história macabra e eletrizante.

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