Crítica: Halloween II - O Pesadelo Continua (1981) - Sessão do Medo

22 de junho de 2018

Crítica: Halloween II - O Pesadelo Continua (1981)


Em 1978, John Carpenter revolucionou o gênero do terror com Halloween. A história era bastante básica, mas conseguiu fazer um filme e tanto, se tornando um dos filmes mais lucrativos com menor orçamento. Com o sucesso do terror, o estúdio ganhou vários patrocinadores, fazendo com que uma sequência com maior estrutura fosse feita. Foi assim que nasceu Halloween II - O Pesadelo Continua.

Lançado numa era pós-Sexta-Feira 13, Halloween II sofre uma brusca mudança de tom, que começa a se apoiar nas mortes violentas e criativas enquanto o suspense fica em segundo plano. Lembram que o suspense era uma peça essencial do primeiro? Então... Mesmo com um roteiro escrito novamente por Carpenter e Debra Hill, Halloween II se torna um slasher básico (mesmo que seja num nível superior aos genéricos lançados na mesma época) mas que peca por seguir um clássico irreparável.

A sequência começa exatamente de onde o primeiro começou. Após Michael fugir da casa enquanto o Dr. Loomis (Donald Pleasance) e Laurie (Jamie Lee Curtis) se recuperavam, vemos que Michael ronda a vizinhança, se escondendo e fazendo mais vítimas. Laurie é mandada para o hospital, onde fica internada. Claro que Michael não desiste, criando mais caos na cidade e indo até o hospital, para terminar o que começou.


No hospital, conhecemos os personagens novos: Os dois paramédicos Jimmy e Budd, a enfermeira-chefe Srta. Alves, as enfermeiras Karen, Janet e Jill e o vigia Garrett. Enquanto Michael mata cada um sorrateiramente, Laurie praticamente dopada começa a ter lembranças de ser adotada. O Dr. Loomis, o xerife e Marion, uma enfermeira de um hospital psiquiátrico, procuram descobrir onde está Michael, enquanto tentam lidar com o fato de que Laurie é a irmã mais nova de Michael, sendo essa a razão de toda a perseguição.

Esse foi o maior tiro no pé da sequência. Essa conexão fraternal entre Laurie e Michael, anteriormente desconhecidos um para o outro, foi uma forma bizarra e apressada de dar ao público o que queriam: respostas fáceis. Não que Halloween seja um filme difícil de se digerir, mas o desconhecimento das razões de Michael ser um psicopata é algo bastante elementar na construção do próprio vilão. O fato dele ser um maníaco perseguindo uma jovem, sem nenhum motivo, é o que fez o original ser tão aterrorizante.

É por isto que essa conexão é um erro, tira um bom pedaço do charme. E o pior é que foi algo que acabou se tornando canônico, sendo reproduzido pelo resto da franquia até os remakes, mesmo não sendo um detalhe concebido no filme original. Há fãs que gostam dessa ligação, há outros que não gostam tanto e eu estou no segundo grupo. Felizmente, o reboot da Blumhouse irá ignorar o Halloween II e servirá de sequência direta ao original, eliminando este detalhe.


Um dos pontos positivos é o cenário. Um slasher que se passa num hospital é um tanto legal e podemos ver o Michael fazendo vítimas de formas criativas, embora seja a partir desse ponto que o personagem vire uma máquina assassina com algumas mortes forçadas para agradar o público. Não tem o mesmo nível de suspense do anterior mas cumpre seu papel de ser um slasher competente.

A Laurie e o Dr. Loomis dividem o tempo de tela como protagonistas, cada um lidando seu próprio plot. Michael está à solta e Loomis inicia uma caçada contra o maníaco pelas ruas de Haddonfield ainda na noite de Halloween. Enquanto Laurie, internada e traumatizada, começa a ter memórias da infância (e estamos de volta ao problema deles serem irmãos). Mas é interessante ter esses dois núcleos paralelos no filme, pois este jogo de gato-e-rato dá uma dinâmica diferente ao filme.

Também é bacana como a direção ainda aproveita o jeito calmo e silencioso de Michael em suas cenas de perseguição. Juntamente com a trilha sonora, temos algumas cenas bem tensas onde não podemos fazer nada além de se contorcer, torcendo para que a Laurie corra!

Halloween II é um filme problemático quando é comparado ao original. São filmes com propostas diferentes e isto é perceptível. Mesmo assim, é uma sequência acima da média. É um slasher convencional, com muitas mortes e cenas de perseguição. A direção de John Carpenter faz falta, pois era ela que dava uma singularidade, um quê a mais, no filme original. Mas ainda é um filme divertido e competente no que se refere a isto.
poster
ficha técnica
Título Original: Halloween II
Ano: 1981 • Duração: 92 minutos
Direção: Rick Rosenthal
Roteiro: John Carpenter, Debra Hill
Elenco: Donald Pleasence, Jamie Lee Curtis, Charles Cyphers, Lance Guest
Sinopse: Depois de falhar na tentativa de assassinar Laurie e levar seis tiros do ex-psiquiatra Sam Loomis, Michael Myers segue-a até o hospital, onde ela foi internada após a tentativa de assassinato. Na busca de terminar o que começou, Myers começa uma matança no hospital, a procura de Laurie.

4 comentários:

  1. Concordo com você, considero esse, o melhor filme da franquia.

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  2. so nn entendi oq aconteceu com o personagem jimmy... ele morreu ou oq?

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    Respostas
    1. Na cena do carro ele desmaia, depois disso some de cena. Mas existe uma cena deletada em que ele aparece vivo na ambulância em que a Laurie é levada na cena final. Taí a cena: https://www.youtube.com/watch?v=2Qb8n40lvrY

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  3. Maxwel6/22/2018

    O que mais me incomoda nesse filme é esse Michael Myers "Funko", baixinho e cabeçudo kkkkkkk.

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