Crítica: Suspiria (1977) - Sessão do Medo

20 de junho de 2018

Crítica: Suspiria (1977)


Atenção: Este post contém spoilers sobre o filme.

Já faz alguns anos que eu vi Suspiria pela primeira vez e fiquei encantado com a qualidade do terror. Realizado pelo mestre do giallo Dario Argento, o filme entrou pro hall da fama do gênero, se tornando um verdadeiro clássico. Com a proximidade do lançamento da refilmagem, resolvi rever o filme que virou meu favorito mesmo após só tê-lo visto uma vez. E é incrível como ele apenas cresceu nesta revisão.

Acho interessante comentar que naquela época em que foi lançado, Suspiria trazia uma reviravolta diferente por ser um giallo com elementos sobrenaturais. Não que seja vanguardista, mas Suspiria acabou se tornando a experiência definitiva desta mistura. E mesmo após quarenta anos, a fotografia vibrante, a direção excelente e acima de tudo, a trilha sonora arrematadora funciona sem nenhum problemas, o que apenas expõe a grandeza do filme.


Com uma icônica cenografia, a história de Suspiria se desenrola em uma conceituada academia de balé alemã, onde a americana Suzy Bannion (Jessica Harper) vai para se profissionalizar sob os ensinos de rigorosas professoras. Chegando atrasada durante a noite, Suzy se depara com uma estudante fugindo dali. No dia seguinte, ela descobre que a moça foi assassinada.

O ingresso da moça na academia é repleto de acontecimentos estranhos e a garota assassinada é só o começo deles. Ao passar dos dias, Suzy começa a se sentir cada vez mais doente. Sua colega de quarto, Sara (Stefania Casini), tenta convencê-la de que há algo de errado com o corpo docente, formado principalmente pela rigorosa professora Tarner (Alida Valli) e a Madame Blanc (Joan Bennett), uma elegante e misteriosa mulher que está encarregada de cuidar da escola enquanto a diretora está viajando. Mas quanto mais Suzy se aproxima de descobrir a verdade, mais sua vida corre perigo.


Há um paralelo estranhamente belo entre a desconfiança de Suzy, sua chegada nessa nova realidade e também sua doença, com a fotografia formada por cores vivas. Enquanto a personagem é assolada por uma febre e fraqueza quase que todos os dias, as cores fortes durante a noite criam uma atmosfera onírica, como se tudo fosse um pesadelo bem realista. Junte isto com o conjunto infernal da trilha sonora, formada por gritos e suspiros e o resultado é uma impressionante viagem ao tormento.

A pegada surrealista que Argento assume ao dirigir Suspiria só contribui para que o filme se torne marcante. Não há outra alternativa. Gostando ou não, é impossível esquecer Suspiria. O clima de pesadelo realmente funciona pois, mesmo revendo, não consegui evitar sentir uns arrepios em certas cenas. A trilha sonora assinada pela banda Goblin, que também trabalhou com o diretor em Prelúdio Para Matar (1975) e Sleepless (2001) - embora alguns integrantes também tenham retomado a parceria em outras produções do cineasta -, é aterrorizante e foi uma adição extremamente valiosa para o marco da obra-prima, a cereja do bolo.

O roteiro acaba soando um pouco simplista em seu desfecho, que se assemelha à outras obras do Argento, com uma resolução corrida, mas todo o caminho até lá é muito delicioso de se acompanhar. Um suspense de primeira, muito bem conduzido e que só mostra o necessário sem se tornar enfadonho ou gratuito. Tudo é meticulosamente escrito, tornando o filme bastante imersivo. Não há nada de superficial nele, é algo que mergulha em sua própria história.


Vale mencionar que Suspiria é o primeiro capítulo de uma trilogia, continuada com A Mansão do Inferno (1980) e O Retorno da Maldição (2006). Formalmente chamada de "A Trilogia das Mães", as três produções exploram o mito das Três Mães, onde cada uma ganha seu próprio filme. Embora interessantes, nenhum dos dois se compara à grandiosidade de Suspiria. O remake vindouro de Luca Guadagnino, mesmo tendo um tom completamente diferente do original, irá abordar a história das três mães no próprio filme, como o trailer deu a entender.

A experiência de se assistir Suspiria é algo inconfundível e que não só todo bom fã de terror deve passar, mas todo fã de cinema. Único por sua excentricidade, é uma obra que reúne diversos elementos para não só assustar, mas encantar. Se você é um entusiasta da sétima arte, definitivamente vai babar na cenografia estilosa e na direção profissa. E se, de quebra, é um entusiasta do gênero, vai babar duplamente no melhor que o terror clássico pode proporcionar.
poster
ficha técnica
Título Original: Suspiria
Ano: 1977 • Duração: 98 minutos
Direção: Dario Argento
Roteiro: Dario Argento, Daria Nicolodi
Elenco: Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci, Miguel Bosé, Alida Valli, Joan Bennett, Barbara Magnolfi
Sinopse: Susan (Jessica Harper) é uma jovem americana que viaja para a Europa para estudar numa prestigiada escola de Balé. Desde o primeiro dia, porém, ela começa a se assustar com estranhas situações que ocorrem no local que a fazem desconfiar do corpo docente da instituição. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário