Crítica: Ghost Stories (2018) - Sessão do Medo

24 de julho de 2018

Crítica: Ghost Stories (2018)


Phillip Goodman (Andy Nyman) é um cético professor que também trabalha em um pequeno programa televisivo especializado em desbancar charlatões do sobrenatural. Desde menor, ele se inspira nos trabalhos de um investigador paranormal dos anos 70 que desapareceu misteriosamente. Seguindo seus passos, Phillip acaba se deparando com o próprio investigador, que ao saber de seu trabalho, resolve desafiá-lo a investigar e resolver três casos que o assombram até hoje.

Esses três casos são os segmentos que figuram a elogiada antologia britânica Ghost Stories, com um clima singular de histórias populares, como se tivéssemos ouvindo lendas urbanas. Esse clima, proposital ou não, funciona por ser o que nos envolve (mas não apenas isso) durante os quase 100 minutos de duração.

O primeiro caso envolve um ex-guarda noturno (Paul  Whitehouse) que cuidava de um manicômio abandonado. Durante uma de suas rotinas, ele foi assombrado pelo espírito de uma garotinha. O segundo caso envolve um garoto (Alex Lawther) perturbado após ter atropelado acidentalmente o que ele acredita ser o próprio Diabo. O terceiro é sobre um empresário (Martin Freeman) que presenciou um poltergeist maligno em sua casa.


Precisamos dar o benefício da dúvida aos personagens pois estamos ouvindo seus relatos. Estamos do lado do protagonista cético que procura uma explicação lógica para os incidentes, ou estamos do lado das supostas vítimas? 

A direção de Andy Nyman (sim, o protagonista) e Jeremy Dyson, além do roteiro também escrito por eles, também é muito eficiente. O filme pode não te assustar, mas ele te prende e isso é muito importante, principalmente por ser um filme sobrenatural - um gênero que se encontra muito cansado. O esforço para fazer algo diferente é notável e isso basta.

O filme só derrapa no terceiro ato, quando a história precisa amarrar todas as pontas soltas. Nesse momento, a reviravolta acaba optando por uma solução fácil e até mesmo óbvia, o que me decepcionou um pouco por que até então, o filme vinha levantando um nível bastante respeitável - o que obviamente continua contando no final das contas.


Outro ponto fortíssimo são as atuações, que são excelentes. Sério, não tem nenhuma abaixo de incrível. E isso é ótimo visto que muitos filmes de terror recentes não se preocupam o bastante com as atuações de seu elenco, já que o foco costuma estar nos jumpscares, mas aqui nomes como Martin Freeman (Cargo), Alex Lawther (Black Mirror) e o próprio Andy Nyman estão sensacionais.

O mais legal é que também nota-se uma influência enorme dos filmes europeus setentistas e isso definitivamente deve ter sido proposital. Há um cuidado maior na construção do clima de terror do que nos sustos (que também aparecem mas na hora certa). Nada soa gratuito demais e o filme por vezes pode soar lento, mas ele está te prendendo.

Apesar do final ter me incomodado pelos motivos que explanei acima, Ghost Stories se mostrou um trabalho bastante interessante de ser conferido. Talvez mais por sua qualidade técnica do que prática, mas ainda é extremamente válido. Antologias tem sido uma saída barata para o gênero ultimamente e muitas são compostas de alguns segmentos interessantes e o restante variando de mal a pior. Ghost Stories funciona como um todo e isso a diferencia das outras.
poster
ficha técnica
Título Original: Ghost Stories
Ano: 2018 • Duração: 98 minutos
Direção: Andy Nyman, Jeremy Dyson
Roteiro: Andy Nyman, Jeremy Dyson
Elenco: Andy Nyman, Martin Freeman, Alex Lawther, Paul Whitehouse
Sinopse: O cético professor Phillip Goodman (Andy Nyman) embarca em uma missão assustadora, quando descobre um arquivo perdido há muito tempo, contendo detalhes de três casos de assombrações inexplicáveis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário