Crítica: Halloween 6 - A Última Vingança (1995) - Sessão do Medo

15 de julho de 2018

Crítica: Halloween 6 - A Última Vingança (1995)


O começo dos anos 90 representou o fundo do poço de diversas franquias de terror que dominavam as bilheterias na década anterior. Filme após filme, a fórmula ficava desgastada e os roteiros só pioravam a cada capítulo. Halloween não foi exceção e depois de seis anos do péssimo Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers, o vilão retornou às telonas num filme morno e que é considerado por muitos como o pior entre todos. Não é o meu caso.

Nessa crítica, obviamente vou reconhecer os erros (que não são poucos) de Halloween 6, mas também vou mostrar os pontos positivos da sequência. Acho que vale mencionar antes de tudo a conturbada produção do filme. O roteiro escrito por Daniel Farrands, um fã da franquia, foi apresentado aos produtores que estavam atrás de um novo capítulo após o quinto. Neste espaço de tempo entre o H5 e H6, a cinessérie enfrentou problemas relacionados aos seus direitos e foi aí que a Dimension Films a adquiriu, lançando em diante três sequências e também dois remakes até 2009.

Não apenas isto, o próprio roteiro sofreu diversas alterações para se adequar à nova forma da mitologia, que agora envolvia seitas druidas e outras coisas nonsense apresentadas no Halloween 5. Depois da primeira e desastrosa sessão-teste, os produtores correram de volta ao set para refilmar um novo roteiro, o que só piorou as coisas já que o protagonista Donald Pleasance (que interpreta Dr. Loomis) faleceu no meio do trajeto. Deu-se então origem à duas versões de Halloween 6. A versão dos cinemas, que surpreendentemente é a menos pior, e a versão do produtor, lançada posteriormente para a felicidade dos fãs mais ávidos. 


Vou comentar principalmente sobre a versão dos cinemas, já que é a definitiva, mas também falarei um pouco sobre a do produtor mais a frente. 

Halloween 6 é centrado em três personagens principais, sendo dois deles já familiares aos conhecedores da franquia. Temos Tommy Doyle (Paul Rudd), o garoto que Laurie cuidava na noite de dia das bruxas de 1978, que cresceu obcecado por Michael Myers e se prepara para o seu retorno; Kara Strode (Marianne Hagan), uma prima de Laurie e mãe solteira que volta para casa dos seus pais (a mesma dos Myers); e obviamente Dr. Loomis (Donald Pleasance), que retorna mais uma vez para enfrentar seu nêmesis.

O que conecta estes personagens, além do vilão, é o filho de Jamie Lloyd (a filha de Laurie), que estava nas mãos da seita druida que controla Michael. Grávida, Jamie conseguiu esconder o recém nascido antes de encontrar seu fim nas mãos do tio. Quem acaba encontrando-o é Tommy, que recorre ao Dr. Loomis para ajudá-lo. Coincidentemente, é noite de Halloween e agora Michael volta à Haddonfield para recuperar seu sobrinho, deixando uma trilha de corpos no caminho.



O principal erro de Halloween 6 é justamente toda essa trama da seita druida que controla Michael Myers desde que ele era pequeno. Há toda uma conspiração em volta dos acontecimentos de todos os filmes e que, se fosse em um filme novo e original, poderia até dado certo, mas aqui não cola. Como já falei e refalei em críticas anteriores, a graça do Michael Myers é justamente a sua aura de mistério. Não há necessidade pra explicações.

Se não fosse isso, A Última Vingança seria um dos melhores da franquia e sabem por que? Por quê, além de ter a melhor máscara do Michael desde o original, ele também tenta resgatar um pouco do suspense do filme de Carpenter, não só referenciando algumas cenas memoráveis (como a do Michael atravessando a rua enquanto a personagem se desespera para entrar em casa) como também construindo ótimas cenas cheias de tensão, aproveitando a icônica trilha sonora, que inclusive é outro ponto positivo.

Sob supervisão de Alan Howarth (que trabalhou em outros capítulos da franquia), a trilha sonora reutiliza a score de John Carpenter com uma nova repaginada. Há uns arranjos de rock que, acreditem ou não, funcionam muito bem em cena. Vale mencionar que essa trilha sonora ficou de fora da versão do produtor.


Outro detalhe que deve ser elogiado são as mortes. Diferente do Halloween II, 4 e 5, as mortes de A Última Vingança não soam tão toscas e absurdas, na verdade são até criativas e estilosas. Por mais estranho que pareça, temos até Michael usando um machado. Sim, causa um pouco de estranheza mas a cena é bacana e até mesmo remete à uma cena do original onde Michael observa Annie falando no telefone.

A versão do produtor - que foi a versão original, rejeitada nas sessões-teste - tem várias diferenças e parece até mesmo um filme diferente, não só por ter cenas diferentes da versão do cinema mas por ter também um desfecho absurdo de ruim, envolvendo ainda mais as loucuras das seitas e sacrifícios. Sim, o final dos cinemas também não é sensacional mas o ambiente (um hospital) é aproveitado para gerar boas cenas de suspense, coisa que não tem na versão do produtor. 

O filme foi obviamente um fracasso e quase enterrou a cinessérie, mas olhando em retrospectiva, não é tão ruim quanto pintam. Não mesmo. A franquia tem episódios abomináveis como Halloween 5 Halloween - Ressurreição (2002) que, para mim, são bem piores e nem conseguem sustentar uma cena de suspense sequer. Por mais que o resultado tenha sido insatisfatório e tenha seus problemas, acho que Halloween 6 é um guilty pleasure que merece um pouquinho de reconhecimento.

poster
ficha técnica
Título Original: Halloween - The Curse of Michael Myers
Ano: 1995 • Duração: 88 minutos
Direção: Joe Chappelle
Roteiro: Daniel Farrands
Elenco: Donald Pleasence, Paul Rudd, Marianne Hagan, Mitch Ryan
Sinopse: O homicida Michael Myers retorna mais uma vez do além, para tentar acabar com o resto da família que persegue. Mas seu principal inimigo, Dr. Loomis (Donald Pleasence), está atento aos seus movimentos e pronto para defender a família contra aquele que considera ser a personificação do Mal.

5 comentários:

  1. eu queria saber a relação daquela velha com michael? alguem me explica

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ela apenas fazia parte da seita druida, desde a época que ele era pequeno.

      Excluir
  2. Neto,

    Você diz que esse filme é melhor que o 5, porém na análise do 5 nesse mesmo blog vocês dão nota maior. Seria melhor a mesma pessoa dar a opinião da série Halloween assim não gerando essa confusão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, como já tinha as críticas do 4 e 5 quando entrei, não pude refazê-las...

      Excluir