Crítica: A Noite Devorou o Mundo (2018) - Sessão do Medo

18 de julho de 2018

Crítica: A Noite Devorou o Mundo (2018)


Durante uma fatídica noite, Sam (Anders Danielsen Lie) vai até o apartamento de sua ex-namorada para recuperar uma caixa de fitas, deixadas lá antes do rompimento. No local, ela e seu atual estão dando uma pequena festa com alguns amigos. Após uma série de acontecimentos, Sam acaba se trancando em um quarto e adormecendo. Ao despertar no dia seguinte, ele se depara com uma visão do inferno. O apartamento está coberto de sangue e as ruas de Paris estão infestadas de mortos-vivos sedentos por sangue. E agora?

Essa é a premissa de A Noite Devorou o Mundo, uma ambiciosa produção francesa que adapta o livro homônimo escrito por Pit Agarmen. O terror abordado na história vai além dos comedores de carne e no fundo, acaba seguindo a cartela de alguns clássicos do gênero, altamente influenciado pelos filmes de George A. Romero e até mesmo Extermínio (2002) de Danny Boyle, onde os mortos-vivos viram subtexto para um tema maior.

Com uma duração de um pouco mais de 90 minutos, A Noite Devorou o Mundo não tem muita ação e se for isso que você procura, é melhor escolher outro título. O foco mesmo está no estudo do personagem e como ele se vira naquele espaço limitado. A forma que ele se adapta, não apenas dentro do prédio, mas dentro da sua rotina. E também é interessante comentar em como um filme com poucos diálogos e basicamente apenas um ator em sua grande maioria consegue se sustentar tão bem sem parecer demasiado arrastado.


O desgaste emocional do personagem é muito bem trabalhado dentro da história, visto que suas fases são bem definidas, mas tudo funciona por que o próprio personagem também é bem trabalhado. Mesmo sem muitas falas, o roteiro constrói todo o perfil do Sam com poucos detalhes e tudo que precisamos saber sobre ele é posteriormente utilizado. O fato do rapaz ser um músico produz cenas musicais interessantes e até mesmo estas cenas musicais possuem tons diferentes por se encontrarem em momentos diferentes da narrativa.

A direção é outro ponto chave. Em sua estreia na direção de um longa-metragem, Dominique Rocher (que também co-assina o roteiro) consegue adaptar um livro relativamente curto em um filme denso e completamente efetivo. É perceptível que o cara sabe o que está fazendo e é bastante minucioso com seu trabalho; isso vai das decisões direcionais que faz até mesmo a alguns aspectos do roteiro e até mesmo a fotografia. A paleta de cores fria que o filme adquire no "inverno" não se limita apenas à estação; o silêncio dos mortos também

O filme só peca no terceiro ato, que soa um pouco apressado demais ao finalizar a narrativa. Mas de qualquer forma, A Noite Devorou o Mundo é uma ótima adição ao subgênero de zumbis, que já anda mal das pernas recentemente, oscilando entre filmes extremamente ruins ou filmes extremamente pretensiosos. De alguma forma, este aqui conseguiu escapar da tabela e trazer algo original e substancial.
poster
ficha técnica
Título Original: La nuit a dévoré le monde
Ano: 2018 • Duração: 93 minutos
Direção: Dominique Rocher
Roteiro: Dominique Rocher, Jéremie Guez, Guillaume Lemans
Elenco: Anders Danielsen Lie, Golshifteh Farahani, Denis Lavant
Sinopse: Após um noite de festa com muita bebida, Sam (Anders Danielsen Lie) acorda completamente sozinho no apartamento. Ainda confuso ele descobre um terrível acontecimento: a cidade de Paris está tomada por zumbis famintos. Rapidamente ele começa a proteger o prédio em que vive e elabora estratégias para conseguir manter-se vivo em meio a catástrofe. No entanto, ele ainda não tem certeza se é o único sobrevivente neste cenário hostil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário