Crítica: A Primeira Noite de Crime (2018) - Sessão do Medo

4 de julho de 2018

Crítica: A Primeira Noite de Crime (2018)

É purificação que você quer, é purificação que você vai ter.
The Purge é uma franquia muito legal, apesar da ilógica de seu roteiro, a forma de como as situações são mostradas, faz o telespectador prender a atenção até o fim. A primeira trilogia encerra um arco e a famosa noite do crime. A cada filme, a dimensão da história vai aumentando onde, enquanto no primeiro capítulo a história inteira se passa basicamente dentro de uma casa, na terceira película a história se passa em Washington DC dando uma visão macro do expurgo e de seus praticantes.

Essa franquia é um sucesso e tem potencial para muita coisa, não é atoa que além do quarto filme mostrando a primeira noite de crime da qual irei comentar aqui, vamos ter uma série a respeito que já tem trailer e vai ao ar em setembro. 

Nya protestando contra a ideia do The Purge. 
E enfim, vi esse filme no dia da independência dos Estados Unidos (4 de julho). Acabei de chegar do cinema, de uma sessão lotada, e vim direto fazer essa crítica. Passei um bom tempo conversando com os amigos e discutindo sobre o que foi visto, durante a conversa falamos sobre lógicas, caracteres, a relação dele com a trilogia original, personagens, entre outros assuntos. Então, depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que o que tenho a dizer para vocês sobre 'A Primeira Noite de Crime' é: Ele é bom... Mas é mais do mesmo.

Pela primeira vez, James DeMonaco (que esteve na direção dos três primeiros filmes), deixa o cargo de direção para Gerard McMurray. Assim, o grande criador da franquia acabou ficando com os cargos de roteiro e produção, nessa última, trabalhando junto com Michael Bay.
   
Se você, viu a trilogia original, não vai ter surpresa nenhuma com esse aqui, vai ter mortes, brigas, pessoas tendo ideias idiotas e indo parar na rua no meio do caos, o governo contratando mercenários para eliminar pessoas de classe baixa para diminuir a pobreza do país, e por aí vai. Isso não é necessariamente ruim porque se você gostou dos anteriores, vai gostar desse, eu por exemplo, gostei bastante, mas também acho que podia ter sido melhor. Tipo, a cada filme, a franquia foi subindo de nível, quando chegou aqui, ela desceu um degrau.


Olhem só! A franquia em si já existe com problemas de coerência... Uma noite onde todos os crimes são permitidos, imaginem só! Não tem sentido numa ideia dessas, para mais detalhes, vocês podem ler esse artigo sobre o The Purge clicando aqui. Enfim, o que quero dizer é que, numa saga cheia de furos de conceito básico, esperar algo que faça sentido, é sem noção. E ignorando esse probleminha que existe desde o primeiro filme, a prequel trás boas cenas de ação e suspense. 
  
Sobre o filme em si, vou tentar me conter para evitar spoilers, afinal, ele ainda não foi lançado no Brasil. O quarto capítulo da série contará a história de origem do Expurgo, sobre a primeira vez que a 'celebração' aconteceu, em meio a isso, como comentei acima, temos brigas de gangues bem estereotipadas, e uma violência mais forte, só que repetitiva. Eu visualizei o longa como o menos assustador da franquia, apelando mais para a ação e os sustos jumpscares.

Eu sou uma pessoa totalmente 'anti-Trump', e acho que os Estados Unidos tem sofrido muito com ele no governo por motivos da qual não cabem aqui a explicação, mas o Brasil sofre algo parecido em relação ao presidente Temer, esses sentimentos 'anti-presidenciais' ajudam bastante a se identificar com a desordem que o filme propõe, e essa identificação faz o longa ser melhor do que ele realmente é. Por exemplo, logo no começo temos uma narração mostrando como os Estados Unidos estão no fundo do poço devido a crises, pobreza e muitos crimes, isso faz uma analogia ao que anda acontecendo atualmente. E para combater esses problemas que nem os republicanos e nem os democratas conseguiram solucionar, é criado os 'Novos Pais Fundadores da América' com a proposta do 'The Purge'.


Enquanto o governo faz a proposta da noite de purificação, numa espécie de teste,  Staten Island é escolhida para um experimento onde lá, quem quiser sair do teste, podem se proteger da forma que achar melhor, mas quem quiser fazer parte do teste, haverá um investimento financeiro (Cinco mil dólares) do governo nessas pessoas, logo, o grupo social com a renda mais baixa se interessam no projeto. E para dar uma força, o governo ainda lança alguns soldados para ajudar na matança e incentivar a noite de crime que logo no começa, não estava saindo como o esperado. No meio disso, o traficante Dmitri, a sua ex e ativista Nya e o purgador e irmão de Nya, Isaiah, tentam defender o seu bairro desse dia e se proteger dos verdadeiros inimigos.  

Os personagens são unidimensionais e contraditórios, estão ali para fazer os seus papeis sem muito aprofundamento (ênfase no purgador Isaiah e na ex de Dmitri, Nya), porém os atores são competentes e fazem muito bem o que foi dado para eles fazerem, tipo, o herói do filme é Dmitri (personagem de Y'lan Noel), ele é um traficante de drogas local que milagrosamente começa a se importar com a sua vizinhança, embora tenha trabalhado tanto para ganhar dinheiro com a destruição dela através do tráfico, bem incoerente.

Outra coisa é Isaiah que sai para se purificar, mas de repente se arrepende e fica vagando pelas ruas sem rumo fixo, vendo as coisas mais bizarras possíveis durante a noite. E mesmo sendo contraditório um pouco, porque nós não sabemos muito sobre o personagem, algumas das melhores cenas do expurgo é mostrada do ponto de vista dele. E por ter uma carga violenta mais intensa, o filme coloca um maldito alívio cômico que, mais uma vez, ao invés de ajudar, deixa o filme irregular, dessa vez, o cargo fica por conta de Dolores.


Um ponto bom dessa prequel é que ele sabe o seu lugar como uma pré-sequência, você vê como as coisas se desenrolam para a noite de crime acontecer. Existe bastante conversa e diálogo até chegar ao momento dos massacres. Para se ter uma ideia, quando a noite de crime começa, por não saberem como lidar com o evento, os purgadores fazem uma enorme festa e ficam fazendo brincadeiras pelas ruas, sem mortes, e isso acaba sendo ruim para os Novos Pais Fundadores. Achei interessante isso, as pessoas verem o 'The Purge' como um dia de festa... Mas, claro, isso não demora, uma morte aqui e outra ali começam a acontecer e a noite vai se tornando mortal rapidamente. E em meio ao caos, Nya sai de onde estava para ajudar Isaiah que está perdido pelas ruas. 

É isso, não quero me estender nessa critica, então, como mencionei acima. The First Purge é um filme legal porque se encaixa perfeitamente dentro da mitologia da franquia, tem o seu lugar nela, e nos dá cenas bem legais do que queremos ver, os assassinatos, e vale dizer que o longa foi lançado num momento de caos político, e isso se encaixa com o nosso sentimento de revolta política que faz com que, de alguma forma, nos simpatizemos com a primeira noite de crime, não que o filme seja político, mas é por causa das circunstâncias que levaram ao The Purge acontecer. Por outro lado, como um crítico que analisa o filme numa visão macro, ele é bem caricato, com personagens clichês numa franquia incoerente com a realidade, mas que brinca com o que acontece para fazer coisas que chamam a atenção do público.

Sobre as fantasias, tem algumas bem interessantes sim, mas não teve nenhuma que marcasse. Como é o começo, as vestimentas estão bem básicas, e mesmo assim são interessantes, mas é só isso, agora, o personagem Skeletor (Interpretado por Rotimi Paul), não usa máscara e é bem bizarro por sua loucura que chega a ser psicótica. É uma pena que ele não teve mais atenção durante a projeção, poderia ser um grande vilão. E a trilha sonora é interessante, ela segue o ritmos dos antecessores e achei curioso colocarem o hino do Estados Unidos em algumas cenas dos praticantes purgando. 

E apesar disso tudo, não consigo ver futuro para a franquia nos cinemas, acredito que tudo já foi mostrado e acho que é por isso que a série está chegando, fazer algo como "O Retorno da Noite de Crime", seria forçar a barra, por isso acho que está na hora da franquia nos cinemas encerrar por aqui. Nota: 6,5. Ele está perto do segundo filme em quesito de qualidade, mas eu acho que o terceiro foi melhor. 

Curiosidades:

- Frank Grillo disse em uma entrevista que ele só voltaria se o roteiro fosse realmente bom e James DeMonacco tivesse algo a ver com o filme.

- O ator Rotimi Paul andou no metrô público de Nova York usando a maquiagem para fazer a sua audição para o papel de Skeletor.

- Provisoriamente chamado de "Purge: Island". Este filme foi filmado em Buffalo, NY.

- O pôster do novo filme 'Halloween' (2018) pode ser visto no quarto de Isaiah. A Blumhouse Production Company está por trás tanto do novo filme de Halloween quanto dos filmes 'The Purge'.

- Quando Nya escapa de ser puxada para dentro de um esgoto, e se refere a seu agressor como um "p # ssy-grabber", isso foi uma clara referência a um dos comentários controversos de Donald J. Trump antes de se tornar presidente.
poster
ficha técnica
Título Original: The First Purge.
Título Brasileiro: A Primeira Noite de Crime.
Ano: 2018 • Duração: 97 minutos.
Direção: Gerard McMurray.
Roteiro: James DeMonaco.
Elenco: Y'Lan Noel, Lex Scott Davis, Joivan Wade, Luna Lauren Velez, Marisa Tomei.
Sinopse: Em 2018, para diminuir o índice de criminalidade pelo resto do ano, os Novos Pais Fundadores da América testam uma teoria sociológica que permite agressões por uma noite numa comunidade isolada. Mas quando a violência dos opressores se encontra com a fúria dos marginalizados, o contágio explodirá os limites do teste e se espalhará por toda a nação.

2 comentários:

  1. Anônimo7/04/2018

    As máscaras que os caras usam na noite de crime estão mais sinistras?

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  2. E no quesito caractetizaçao, as fantasias estão boas?

    e tem algum vilão que vai ficar como referencia e agradar o publico igual a "CandyGirl"??

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