Crítica: Traffik - Liberdade Roubada (2018) - Sessão do Medo

20 de julho de 2018

Crítica: Traffik - Liberdade Roubada (2018)


Aqui no Brasil nós criamos alguns subgêneros informais dentro do cinema que são diretamente ligados à nossa cultura. Filmes infantis, colegiais e românticos podem ser correspondidos como "filmes Sessão da Tarde" e thrillers frenéticos já ficam conhecidos como "suspense Supercine". Ambas tem ligação com as respectivas sessões de cinema da TV aberta que todo mundo cresceu assistindo (talvez nossa geração tenha sido de fato a última) e mesmo isto faça deles um subgênero bastante amplo, quem conhece sabe exatamente que tipo de filme faz parte de cada um. Acho que Traffik se encaixa na segunda categoria, mas infelizmente não é um exemplar muito bom.

A história segue a jornalista Brea (Paula Patton, Espelhos do Medo). Sempre subestimada por seu chefe que quer notícias rápidas e objetivas, ela está prestes a perder o seu emprego. Para animá-la, seu namorado John (Omar Epps, Pânico 2) organiza um final de semana romântico em uma casona empresarial de seu amigo, um agente esportivo (Laz Alonso, Detroit em Rebelião), onde pretende finalmente pedi-la em casamento.

Parando num posto de gasolina do caminho, Brea tem um encontro estranho com uma mulher no banheiro e um grupo de motoqueiros encrenqueiros. Mas é só ao chegarem na casa que eles percebem que ela deixou um celular criptografado na bolsa da jornalista. Ao desbloquearem, eles descobrem indícios de uma rede de tráfico de mulheres. Só que antes mesmo que possam fazer alguma coisa, eles são abordados pela gangue, que está atrás de recuperar o aparelho e limpar todas as provas.


Então como já podem esperar, os dois começam a serem perseguidos e atormentados pelos vilões. Não tem muita novidade no roteiro e qualquer um que ver o trailer já tem consciência disso. A realidade é que há filmes que você não precisa cobrar muito, só o mínimo. Traffik no entanto não consegue nem entregar um suspense na média por que tudo é feito de forma tão ruim que é impossível se divertir.

A direção de Deon Taylor é tão confusa quanto a edição esburacada que o filme recebeu. Após assistir, descobri que ele dirigiu outras bombas como 7etenta e 5inco (2007) e A Corrente do Mal (2009 - não confundir com It Follows, 2015). Em pleno 2018, o cara comanda o filme de uma forma tão datada que parece que estamos vendo uma tosqueira dos anos 80 - e não uma das boas.

O roteiro tenta dar uma individualidade ao abordar o tráfico de mulheres e tentar assumir um viés feminista, com a protagonista durona até mesmo fazendo discurso no final, mas a coisa é tão no automático que o resultado causa vergonha alheia.


Paula Patton não é uma má atriz e sei disso por seus outros trabalhos, como o drama Preciosa (2009), mas nem ela consegue se salvar aqui. Sua personagem é sim carismática mas a sensação que me deu é que a própria Patton não estava muito confortável no papel. O resto dos atores vão de mal a pior.

Há algumas cenas que podem proporcionar tensão mas sempre há um defeito evidente que acaba distraindo, seja a montagem estranha do filme, com cenas que obviamente deveriam ter sido organizadas de outra forma, ou até mesmo cenas que se desenrolam com cortes muito rápidos, sem ter tempo nem do público assimilar o que está acontecendo. Traffik pode ser lançado em Setembro nos cinemas nacionais embora não tenhamos mais notícias. A dica que fica é que vocês procurem outro filme melhor para conferir.
poster
ficha técnica
Título Original: Traffik
Ano: 2018 • Duração: 89 minutos
Direção: Deon Taylor
Roteiro: Deon Taylor
Elenco: Paula Patton, Omar Epps, Laz Alonso, Roselyn Sanchez, Luke Goss, Missi Pyle
Sinopse: Durante um romântico fim de semana nas montanhas, um casal é atacado por uma gangue de motoqueiros. Sozinhos no local, Brea (Paula Patton) e John (Omar Epps) precisam se defender da gangue, que não irá poupar esforços para esconder seus segredos.

Um comentário:

  1. Adoro esse site ... parabéns pelo trabalho maravilhoso de vcs ...passo horas lendo as notícias e críticas !!! Uma sugestão: façam um canal no Youtube, tenho certeza q sera um sucesso !!!

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