Crítica: O Mestre dos Brinquedos - O Pequeno Reinado (2018) - Sessão do Medo

27 de agosto de 2018

Crítica: O Mestre dos Brinquedos - O Pequeno Reinado (2018)


 
A franquia ‘O Mestre dos Brinquedos’ marcou a infância de muita gente. Aquele filme das marionetes que matam a mando de seu mestre todos aqueles que tentam pegar o segredo que dá vida a objetos inanimados. Até o presente momento, a franquia conta com 12 filmes, alguns bons como a trilogia original: 'O Mestre dos Brinquedo' (1989), 'O Mestre dos Brinquedos 2' (1990), 'A Volta do Mestre dos Brinquedos' (1991), outros nem tanto, como é o caso dos últimos três capítulos que são conhecidos como a trilogia ‘Axis', são eles: 'Puppet Master: Axis of Evil' (2010), 'Puppet Master: Axis Rising' (2012), 'Puppet Master: Axis Termination' (2017).

A ideia de uma refilmagem da franquia vinha sendo planejada desde 2016, na época, Lorenzo di Bonaventura (envolvido nos filmes 'Transformers') era o preferido para liderar a produção, mas isso acabou não acontecendo. Porém a ideia de um novo filme mais assustador e sério, continuava vivo.

Patrocinado pela Fangoria, uma revista de fãs estadunidense especializada em filmes do gênero de
terror e cinema apelativo. Um reboot começará a ser produzido sob a direção de Sonny Laguna e Tommy Wiklund, o roteiro ficou por conta de Steven Craig Zahler que ainda é novo no cargo de roteirista, tendo feito apenas três trabalhos. E depois de muito tempo esperando por algo. Em 2017 a produção foi oficializada, no elenco temos Michael Paré (Ruas de Fogo), Thomas Lennon (Uma Noite no Museu), Charlyne Yi (Teve uma pequena participação em Cloverfield), Udo Kier (Blade: O Caçador de Vampiros), Barbara Crampton (Re-Animator), Nelson Franklin (New Girl) e Jenny Pellicer (Muito conhecida por fazer dublagens em filme de animações). Agora, para quem não percebeu, Barbara Crampton, também participou do filme original de 1989, dando vida a uma vidente num parque.

E finalmente, o filme foi lançado em agosto de 2018 com a promessa de que esse seria o capítulo mais sério e assustador até então... Eles não mentiram. ‘Puppet Master: The Littlest Reich’ é um longa metragem sinistro com muito sangue, gore e muitas cenas bizarras. Não estou exagerando quando digo que algumas passagens dele são tão fortes que só consigo comparar com filmes como: ‘A Serviam Film' é ‘Centopeia Humana 2', talvez só um pouco mais leve, mas algumas pessoas podem achar certas cenas pesadas demais e de mau gosto por causa do excesso de violência e gore, me refiro, principalmente, a cena da gravida atacada por um dos bonecos. Particularmente, eu gostei bastante.

Na história, Edgar (Thomas Lennon) encontra nas coisas de seu falecido irmão, um boneco que pertenceu a André Toulon, na tentativa de vender o brinquedo, ele vai a uma convenção que fala sobre o mestre dos brinquedos e seus assassinatos trinta anos depois. Durante o evento, os participantes vão morrendo rapidamente nas mãos dos brinquedos que estão mais decididos e violentos. Aí cabe aos participantes do evento em unir forças para tentar sobreviver ao ataque dos bonecos de Toulon.
Nessa repaginada houve uma reinterpretação da morte de André e como ele era antes de ser assassinado, desde o começo os bonecos se fazem presentes. Aqui André é descrito como um nazista mal, doente e desfigurado, totalmente diferente do homem que conhecemos nos filmes antigos que o retratava como um viúvo justiceiro e contra o regime nazista. É gente, temos muitas mortes durante a projeção, a maior chacina da franquia, talvez umas 30 vítimas. Tem personagens que aparecem só para morrer, e mesmo que você não tenha criado um vínculo com eles a ponto de se importar com suas vidas, isso é justificável por se tratar de um evento com vários participantes.  

Além disso, esse longa concentra a maior quantidade de bonecos já vista na saga. Se já não bastasse a presença de Blade, Tunneler, Pinhead e Torch, temos vários outras marionetes como: O bebê Hitler, um boneco com cara de um velho, um boneco helicóptero, um robô, o sapo palhaço, além da variação dos brinquedos que já conhecemos, por exemplo, além do Tunneler convencional, temos outro Tunneler negro e com cara de castor.

A equipe foi bem inteligente em usar efeitos de computação gráfica em momento chave, logo, elas não atrapalham por sua deficiência pouco perceptível como a primeira aparição do boneco helicóptero. O foco foi no uso e abuso de bonecos eletrônicos, marionetes e muita maquiagem e sangue falso, trabalho do talentoso Tate Steinsiek, conhecido por sua participação no programa de maquiagem para o cinema chamado: 'Face Off'. 

Mas existem coisas que não gostei, por exemplo, há tantos bonecos que não houve tempo para desenvolver a característica de cada um, marionetes que poderiam ser perpetuadas com cenas icônicas, mas são usadas rapidamente e logo são descartadas, não obstante, há pequenos problemas com os movimentos dos brinquedos, em alguns momentos podemos perceber que eles estão sendo puxados. Outro problema foi na atuação de Jenny Pellicer que não convence, faltou entrar um pouco mais na personagem, ela vê um monte de gente morta e na outra cena está sorrindo. O final poderia ser um pouco melhor, ele foi um pouco apressado e acabou repentinamente, talvez para segurar o público para a possível futura sequência. E a música tema da franquia fez falta, mas esse último é só um detalhe.

Com muita violência, sangue e bonecos, esse reboot é um deleite para os fãs que queriam voltar a ver aqueles brinquedos sanguinários dos primeiros filmes da franquia iniciada em 89. Ele não é perfeito, longe disso, possui vários probleminhas, mas também tem muita coisa boa e entra fácil na lista dos melhores das marionetes mais queridas pelos fãs do gênero. E que venha a parte 2.

Nota: 7,0.








Curiosidades:
- A equipe acabou achando um gato abandonado que estava preso entre as tábuas do set de filmagem. O animal acabou recebendo o nome de Toulon.

- A maioria das relíquias nazistas neste filme são itens autênticos da Segunda Guerra Mundial.

- O boneco Torch teve o nome mudado para Kaiser. 

- Este filme estava em produção ao mesmo tempo que ‘Puppet Master: Axis Termination’. A única outra vez em que dois filmes de ‘Mestre dos Brinquedos’ e foram produzidos ao mesmo tempo foi quando o ‘Puppet Master 4 e 5’ estavam sendo feitos simultaneamente.

- O artista Tom Devlin criou uma arte conceitual de Blade com uma jaqueta de couro, uma caveira e
duas facas para as mãos, mas ele não conseguiu o trabalho no filme, pois estava ocupado fazendo efeitos de última hora para ‘Puppet Master: Axis Termination’.

- O ator Thomas Lennon confirmou durante a produção que há vários bonecos Blade no filme, em vez de apenas um.

- Uma das crianças do hotel é interpretada pelo filho de Thomas Lennon, que é um grande fã dos filmes do ‘Puppet Master’.

- É o primeiro filme a não mostrar a marionete Jester.

- As silhuetas no pôster do filme tinham usado uma foto do Tunneler do Puppet Master 2 como base, e uma foto do Blade do filme original e uma das figuras de ação do final dos anos 90 do Pinhead.

- Esse é o terceiro filme da franquia a contar com um participante do programa de maquiagens chamado ‘Face Off’ a fazer parte da equipe: Puppet Master: Axis of Evil tinha Gage Munster, Puppet Master: Axis Rising e Termination tinha Tom Devlin e este filme tem Tate Steinsiek. Todos esses três homens são amigos.

- A placa ao lado do caminhão que Edgar dirige diz "Bodega Bay", que é uma referência ao hotel no filme original.

- Um dos novos bonecos tem vários braços, isso é uma homenagem ao Six-Shooter.

- Apenas Blade, Tunneler, Pinhead e Torch retornam dos filmes originais, mas os produtores esperam trazer de volta os outros bonecos em futuras sequências.

 FICHA TÉCNICA

Título Original: Puppet Master: The Littlest Reich.

Título Brasileiro: Puppet Mater: The Littlest Reich. Na tradução literal: ‘O Mestre dos Brinquedos: O Pequeno Reinado’.  

Diretor(s): Sonny Laguna e Tommy Wiklund.

Roteiro: Steven Craig Zahler.

Elenco: Barbara Crampton (Carol Doreski), Michael Paré (Detective Brown), Thomas Lennon (Edgar), Charlyne Yi (Nerissa), Matthias Hues (Almkvist), Nelson Franklin (Markowitz), Udo Kier (Andre Toulon).

Sinopse: Um jovem encontra, no guarda-roupas de seu falecido irmão, um boneco em condições perfeitas e decide tentar vendê-lo numa convenção que celebra os 30 anos dos infames assassinatos de Toulon. Quando uma estranha força dá vida aos bonecos no evento, inicia-se uma tenebrosa matança.

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