Crítica: Acampamento Sinistro 2 (1988) - Sessão do Medo

18 de agosto de 2018

Crítica: Acampamento Sinistro 2 (1988)

O primeiro Acampamento Sinistro é um filme bem simples, segue a fórmula slasher no estilo ‘Sexta Feira 13’, temos um acampamento cheio de gente, e um assassino a solta fazendo a festa. Conforme você vai assistindo as pessoas morrerem, você se pergunta: “Como alguém poderia morrer assim?”, porém, em 1983 (ano de lançamento do longa), aquilo era chocante. E se nada o impressionou durante o filme, tenho certeza que os últimos 5 minutos do filme o chocara, a cena é tão bizarra que ela fica se repetindo na cabeça por um tempo. 

Sleepaway Camp gerou uma franquia com pelo menos mais quatro filmes. Em 1988, foi lançado ‘Acampamento Sinistro 2’ ou ‘Sleepaway Camp II: Unhappy Campers’. Curiosamente, ele foi lançado no Brasil sendo como o primeiro acampamento sinistro porque o filme original nunca foi lançado oficialmente no país, isso pode confundir o público. Ele é dirigido por Michael A. Simpson, responsável pela continuação também. Ele foi roteirizado por Fritz Gordon cujo ‘Acampamento Sinistro 2 e 3’ foram os seu únicos trabalhos. 
No filme é contado que Ângela (Felissa Rose), foi parar numa clínica psiquiátrica depois de matar 30 jovens no acampamento Arawak do primeiro filme. Na clínica ela foi submetida a tratamento de choque e a uma cirurgia de mudança de sexo. Depois disso, ela foi declarada curada e posta em liberdade. Essa história é contada por um grupo de campistas que estavam contando contos de terror ao redor da fogueira no acampamento Rolling Hills. 

Ângela Baker está lá, mas como Ângela Johnson, uma das monitoras do acampamento. Logo na introdução do filme nós ficamos sabendo que Ângela é a assassina do filme. Aqui já temos uma diferença com relação ao original. Enquanto no primeiro capítulo se tem um mistério em torno de quem pode ser o assassino, nesse capítulo está muito claro quem vai causar o terror, além disso, Ângela é uma jovem irônica e piadista, em quase nada lembra a jovem tímida que mal falava com os outros. 
Basicamente, Ângela é a monitora mais rígida do acampamento onde, quem quebrar alguma regra ou não fazer o que ela quer, morre, é para justificar o desaparecimento dos campistas, ela diz que mandou eles embora para as suas casas. E temos até mortes legais  e criativas como a jovem que é torturada dentro de um banheiro, ou as irmãs que são carbonizadas. E morte é o que não vai faltar aqui, são pelo menos 18 mortes bem hilarias ao longo de toda a projeção . Não são cenas com violência explícita e gore, é algo bem básico e simples. Mas, é legal ver a contagem do número de campistas diminuindo. 

Há também mortes bem curiosas onde fazem paródia dos filmes ‘Sexta Feira 13’, ‘A Hora do Pesadelo’ e ‘O Massacre da Serra Elétrica’, quando dois jovens decidem dar um susto em Ângela vestidos de Freddy Krueger e de Jason Voorhees, mas Ângela já está na floresta esperando pela dupla vestida de Leatherface e com uma serra elétrica em mãos.

Outra cena hilária é quando Ângela fica escolhendo como vai matar a sua vítima enquanto ela se penetrava no espelho. Então, dá para você ter uma ideia que o filme segue uma linha bem humorada e cômica. Não espere ser surpreendido e nem ficar chocado da mesma forma que o original fez, mas você pode se divertir vendo Ângela se livrando de cada um dos campistas, e talvez você fique surpreso com a morte de um ou dois personagens quedavam todos os indícios de que seriam os heróis dessa história. 
A filmografia é básica, não tem um aprofundamento do cenário e nós não temos uma dimensão da região, tudo que sabemos, é que o acampamento está localizado em Waco, na Geórgia. Anexados a isso temos muitos personagens e por causa disso, não são bem desenvolvidos, o elenco vai morrendo e você se diverte comas mortes, mas não liga para quem morreu. Eu também senti falta de uma história, aqui tudo gira em torno da loucura de Ângela, outros personagens como Sean Whitmore (Tony Higgins), filho do policial que ajudou a prender Ângela, e Molly Nagle (Renée Estevez), jovem apaixonada por Sean e que vive pedindo conselhos a Ângela, até tinham potencial para um desenvolvimento de uma história legal, mas o roteiro não aprofunda isso.

A trilha sonora de James Oliverio, também é bem diferente, ela perpassa por um rock, nesse sentido, eu senti falta daquela trilha sinistra composta por Edward Bilous, para o filme original. 
Então, ‘Acampamento Sinistro 2’ é um super trash, ele possui um conteúdo bem raso e simples, mas bem divertido, engraçado e extrovertido, você consegue assisti-lo até o final, sem bem que ele acaba se mais nem menos e quando você acha que aluta final vai acontecer... O filme acaba. Vale dizer que a última coisa que você vai fazer ao ver a película, é se assustar, como disse acima, é um filme cômico que vai fazer você rir em vários momentos. Apesar disso, dá para aproveitar os 80 minutos de projeção. 

Nota: 6,0.

Curiosidades:

- Este filme foi filmado em Waco, na Geórgia, em um acampamento anteriormente conhecido pelos locais como 'Camp Waco'. Agora é propriedade privada. A maioria das cabanas usados ​​no filme já foram destruídos. O banheiro, a cabana abandonada e a piscina são as únicas coisas que restam.

- Os nomes dos personagens são referências a atores famosos dos anos 80 que apareciam juntos nos filmes, esse grupo recebe nos Estados Unidos o apelido de 'Brat Pack',são eles: Molly (Molly Ringwald), Sean (Sean Penn), Aliado (Ally Sheedy), TC (Tom Cruise), Tio John (John Hughes), Égua (Mare Winningham), Rob (Rob Lowe), Demi (Demi Moore), Lea (Lea Thompson), Brooke (Brooke Shields), Jodi (Jodie Foster), Anthony (Anthony Michael Hall), Judd (Judd Nelson), Charlie (Charlie Sheen), Phoebe (Phoebe Cates), Emílio (Emilio Estevez), Diane ( Diane Lane).

- Os personagens Charlie e Emílio (interpretados por Jason Ehrlich e Justin Nowell) são os nomes reais dos irmãos de Molly Nagle (Renee Estevez), Charlie Sheen e Emílio Estevez.

- Felissa Rose foi convidada a voltar como Ângela Baker e ela fez uma leitura do roteiro, mas não gostou do jeito comediante que Ângela iria adotar. Ela também estava se preparando para frequentar a faculdade na época, por isso recusou o papel.

- A cena de sexo entre Ally e Rob foi na verdade com Valerie Hartman (Ally) e um ator extra, já que o ator que interpretou Rob (Terry Hobbs) era um menor de idade durante as filmagens.

FICHA TÉCNICA

Título original: Sleepaway Camp II: Unhappy Campers. 

Título Brasileiro: Acampamento Sinistro 2. Ele pode ser encontrado como: Acampamento Sinistro.  

Diretor: Michael A. Simpson. 

Roteiro: Fritz Gordon. (Inspirado na história escrita por Robert Hiltzik). 

Elenco: Pamela Springsteen (Angela Johnson/Angela Baker), Renée Estevez (Molly Nagle), Tony Higgins (Sean Whitmore), Valerie Hartman (Ally Burgess), Brian Patrick Clarke ( T.C.), Walter Gotell (Uncle John), Susan Marie Snyder (Mare), Terry Hobbs (Rob Darrinco), Kendall Bean (Demi), Julie Murphy (Lea), Carol Chambers (Brooke), Amy Fields (Jodi), Benji Wilhoite (Anthony), Walter Franks III (Judd), Justin Nowell (Charlie), Jason Ehrlich (Emilio).

Sinopse: Em acampamento de férias, Angela, uma monitora com um obscuro segredo no passado, mata todos os jovens que não são "bonzinhos", ou seja, os que fazem sexo, usam drogas ou tenham qualquer atitude contrária à da psicopata. Quando vários adolescentes somem sem explicações, o proprietário do acampamento despede Angela, que descarrega sua fúria nos sobreviventes.


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