Crítica: Acampamento Sinistro 3 (1989) - Sessão do Medo

19 de agosto de 2018

Crítica: Acampamento Sinistro 3 (1989)


Fechando a trilogia, estamos aqui para falar sobre ‘Sleepaway Camp 3 Teenage Wasteland’ ou 'Acampamento Sinistro 3', por causa da confusão no lançamento no Brasil, ele foi lançado como 'Acampamento Sinistro 2'. Dirigido por Michael A. Simpson que trabalhou no mesmo cargo no filme anterior.  Além disso, o longa volta a ser protagonizado por Pamela Springsteen, a Ângela Baker. Não obstante, foi feito junto com aparte 2 e as gravações duraram seis semanas, por isso a equipe reutilizou o cenário, técnica de produção, formato do filme, entre outros detalhes.

Curiosamente, Jerry Silva estava tão satisfeito com a maneira como o Sleepaway Camp II: Unhappy Campers estava aparecendo, que foi anunciado durante as filmagens que esse filme seria feito depois que eles terminassem. O roteiro deste filme foi escrito durante as filmagens do anterior e eles só tiveram um final de semana para a pré-produção.
A história se passa um ano após os eventos do segundo filme e sete anos após o massacre do filme original, também ficamos sabendo que Molly (Renée Estevez) fora assassinada por Ângela (Pamela Springsteen) uma vez que é mencionado que 19 pessoas morreram. Um casal de idosos, Lily Miranda (Sandra Dorsey) e Herman Miranda (Michael J. Pollard), compra o antigo acampamento Rolling Hills, e fazem um novo acampamento chamado ‘New Horizons ‘, para divulgar o acampamento, o casal resolve fazer uma experiência de vivência. Eles chamam doze jovens, seis de classe alta e seis de classe baixa para viverem por três dias no meio da floresta juntos e misturados.  

É claro que dentro desse grupo de jovens está inclusa Ângela Baker, agora atendendo pelo nome de Maria Nacastro, a sua primeira vítima que acontece antes dos créditos iniciais do filme. Os motivos que levam Ângela a matar são praticamente a mesma coisa do capítulo anterior, aquele jovem que for implicante, não ajuda nas tarefas, ‘fornicam’ (como ela diz), todos esses são alvos em potencial da psicopata.  

O grupo é dividido em três equipes com cinco membros cada, onde os líderes das equipes são: Lily, Herman e Barney Whitmore (Cliff Brand). Agora, Barney é um policial aposentado que se voluntariou para acompanhar os jovens no experimento, ele é o pai de Sean Whitmore, uma das vítimas de Ângela no capítulo anterior. Cada grupo vai para um lado e fazem um acampamento no meio da floresta. Só que Ângela vai matando um a um dos membros de sua equipe, depois da outra equipe, e assim vai até o fim.

Se o capítulo anterior divertia, esse aqui se torna algo forçado e sem motivo algum que justifique a sua existência. As mortes tentam ser criativas, mas além de básicas, parecem idiotas, em alguns casos você se pergunta: “Como alguém pode morrer só com isso?”, “Porque essa pessoa não se defende dos ataques da Ângela?”. Além disso, tem mortes que as vítimas gritam e ninguém escuta, ninguém vê nada, isso judiar da inteligência do público. Como a primeira cena onde Ângela mata Maria atropelada com um caminhão, tipo, um caminhão perseguindo a jovem pelas ruas na luz do dia, a atropela, e não teve uma viva alma que viu ou escutou o barulho.
Além de tudo que foi dito acima, as falhas e incoerências vão muito além: “Como a Ângela conseguiu aguentar com tanta facilidade o peso da vítima pendurada no mastro?”, "Por quê esses campistas são tão burros assim?", "Porque um jovem como o Riff está contra a vontade naquele projeto?". Você apenas vai ter que ir engolindo esses furos.

Um arco poderia ser bom, era o Barney Whitmore querendo se vingar pela morte de seu filho, mas isso é descartado sem qualquer cuidado. E enquanto no filme anterior a imprevisibilidade sobre quem vive e quem morre era algo interessante, aqui é algo irritante. Os personagens não têm carisma e você não está nem aí para quem está morrendo.    

Esse é o filme mais fraco da trilogia, pode irritar e incomodar com a forçada de barra que o roteiro dá, mas você também pode se divertir. Quem gosta do jeito da Ângela no segundo filme, vai gostar de vê-la fazendo as suas maldades aqui. Além disso, há algumas referências bem curiosas a outros filmes de terror como a cena em que Ângela, Snowboy (Kyle Holman) e Peter Doyle (Jarret Beal) estão pescando e Ângela fisga uma máscara de hóckey (a mesma usada no filme anterior), aí Ângela pergunta: “Que dia é hoje”, Snowboy responde “Sábado, dia 14”.

OK, se você parar para pensar, as mortes do original não era grande coisa também, em alguns momentos pareciam que as vítimas estavam querendo morrer, mas o final daquele filme é simplesmente bizarro e incrível, quem esperava uma coisa daquela. Mas, aqui é algo que não impressiona em nada, seja nas mortes, seja no final que é horrível,  e levando em conta que esse capítulo é sete anos mais atual que o original, era lógico que o público iria esperar algo mais bem bolado e mais bem feito, mas não foi o que aconteceu. As mortes continuaram sem noção, mas a história e o desfecho ficaram muito abaixo da qualidade daquele filme de 1983.

Andei vendo alguns comentários a respeito e vi muita gente falando coisas como: "De onde ela tirou tempo de grava a fita para Riff?", ou "Como ela teve tempo de fazer a armadilha final?"... Bem, há uma cena em que mostra ela mexendo num gravador enquanto andava pela cabana do acampamento, dá a entender que ela tinha acabado de gravar a fita ali. Outra coisa é que, Ângela demora para chamar os três últimos garotos para a armadilha final, tanto que eles ficam reclamando que está tarde e ninguém apareceu, foi nesse período que a assassina estava aprontando as armadilhas. Não é que eu esteja defendendo o filme, mas acontece que algumas das dúvidas é explicada no filme.

Mas, de forma geral, ‘Acampamento Sinistro 3’ é um filme preguiçoso que abusou dos fãs do primeiro filme, abusou dos que gostaram da nova pegada do segundo filme, e desapontou. E mesmo que o filme tenha tido problemas orçamentais, isso não justifica mortes tão ruins, afinal dá para fazer muito com pouco dinheiro e temos muitos filmes bons para provar isso. É um capítulo cômico, você não vai ficar com medo e nem levar sustos com ele, mas vai rir das besteiradas e, provavelmente, dizer: “Eu não acredito que estou vendo isso”.  E assim termina a triste trilogia do ‘Acampamento Sinistro’ que começou bem e acabou mal.
Nota: 4,5.







Curiosidades:

- O número da placa do caminhão corresponde ao número da casa da rua Elm Street de ‘A Hora do Pesadelo (1984)’.

- A maioria dos personagens do filme tem o nome de personagens de: ‘Amor, Sublime Amor (1961)’, ‘The Brady Bunch (1969)’ e ‘Os Monstros (1964)’.

- Quando Ângela imagina um discurso feito para os campistas do filme anterior, ela cita erroneamente o segundo discurso do Oscar de Sally Field, no qual ela realmente disse: "Eu não posso negar o fato de que você gosta de mim, agora mesmo, você gosta de mim!". Field estava fazendo uma referência humorística ao diálogo de seu papel no filme que ganhou seu primeiro Oscar no filme: ‘Norma Rae (1979)’, mas muitas pessoas não entenderam a referência e não entenderam a piada.

- Tracy Griffith fez o teste para o papel de Ângela, desde o segundo filme, mas não ficou com o papel e acabou sendo escalada como Marcia.

- O subtítulo do filme, "Teenage Wasteland", vem de uma das canções favoritas do diretor, "Baba O'Reilly", do The Who.

- O roteiro originalmente tinha mortes mais elaboradas, mas tiveram que ser mudados por razões orçamentárias. Herman devia ter um objeto pegando fogo enfiado em sua virilha, com Ângela proclamando ‘A weenie roast!’. Além disso, Tawny e toda a sua equipe de jornalistas deveriam morrer em uma explosão, depois que Ângela cortou os cabos do freio da van.

- Ângela usa o cinto de seu uniforme de conselheira do acampamento Rolling Hills do segundo filme.

- Os créditos do roteiro é dado a Fritz Gordon, que na verdade é um pseudônimo do produtor Michael Hitchcock, que mais tarde estrelou vários filmes de Christopher Guest. Hitchcock nasceu em Defiance, Ohio, que também é de onde vem o personagem de Marsha.

- Semelhante ao relacionamento dos personagens Tony De Herrera e Marcia Holland. Mark Oliver e Tracy Griffith tiveram um breve romance durante as filmagens. Romance esse que durou apenas algumas semanas.

- Um dos muitos elementos que cortaram por causa das restrições devido ao baixo orçamento, foi o cachorro de Márcia. Inicialmente, Marcia levava seu cachorro com ela para acampar. Nesse caso seria o cachorro que mataria Ângela. Mais tarde, no carro da polícia, quando Marcia admite a Tony que ela tem um namorado e ela diz que ele ‘pode ​ir e visita-la’. Originalmente, sua conciliação era que ele poderia ‘ficar com o cachorro’.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Sleepaway Camp 3 Teenage Wasteland.

Título Brasileiro: Acampamento Sinistro 3. Pode ser encontrado como: Acampamento Sinistro 2.

Diretor: Michael A. Simpson.

Roteiro: Fritz Gordon (Inspirado na história de Robert Hiltzik).

Elenco: Pamela Springsteen (Maria Nacastro/Angela Baker), Tracy Griffith (Marcia Holland), Michael J. Pollard (Herman Miranda), Mark Oliver (Tony De Herrera),  Haynes Brooke (Bobby Stark),  Sandra Dorsey (Lily Miranda), Daryl Wilcher (Riff), Kim Wall (Cindy Hammersmith), Kyle Holman (Snowboy), Cliff Brand (Barney Whitmore), Kashina Kessler (Maria DelGado), Randi Layne (Toni Richards), Chung Yen Tsay (Greg Nakyshima), Jarret Beal (Peter Doyle), Sonya Maddox (Anita Bircham).

Sinopse: Ângela, a monitora assassina do filme anterior, assume a identidade de uma jovem estudante que mata e parte para um novo acampamento de férias, com a proposta de reunir adolescentes de classe abastada e outros de nível econômico baixo. Entre brigas e transas, a serial killer mata sem piedade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário