Crítica: Acampamento Sinistro - O Retorno (2008) - Sessão do Medo

22 de agosto de 2018

Crítica: Acampamento Sinistro - O Retorno (2008)

“Nunca aprendem, não é... Têm que ser tão cruéis o tempo todo. Acham que podem fazer o que querem com você e conseguir o que quiser...". – Assassino.

Quem diria que em 2008 teríamos um quinto capitulo da franquia ‘Sleepaway Camp’, ou Acampamento Sinistro' iniciada em 1983. O primeiro filme não é lá grande coisa, mas ele nos dá nostalgia pelo seu formato, e o final é simplesmente incrível e leva o longa a um patamar acima da média. As sequências que vieram em 1988 e 1989, são medíocres, mas juntas ainda podem divertir os menos exigentes. Agora, chegamos a esse filme.

Algumas coisas devem ter notadas, como puderam notar, não mencionei a parte 4, intitulada de ‘Sleepaway Camp The Survivor', bem, a história desse filme é curiosa, ele foi lançado em 2012, portanto, na ordem de lançamento, 'Acampamento Sinistro - O Retorno' vem primeiro e, por isso, falarei dele antes do capítulo 4.

As gravações desse longa foram finalizadas em 2003 e o seu lançamento estava programado para acontecer entre os anos de 2004 e 2006. Mas, devido aos problemas com os efeitos especiais de computação gráfica,que não estavam do jeito que o diretor Hiltzik queria, e com a falta de uma distribuidora, o filme só foi lançado em 2008 direto para DVD.  
Para começo de conversa, esse longa metragem vai ignorar totalmente os eventos mostrados nas partes 2 e 3. Aqui o filme volta as origens, não só através da história, mas também de boa parte do elenco original que regressa para ligar o primeiro produto com esse. Ele vai ser dirigido por Robert Hiltzik que também foi diretor do longa de 83.

O filme começa bem interessante, os créditos iniciais mostram notícias de jornais falando sobre o massacre no acampamento Arawak. Logo após os créditos, somos apresentados a Alan (Michael Gibney), famoso por seu jeito e por seu jargão: "Seu traseiro fede", é um jovem que tem problemas mentais, e ao mesmo tempo em que ele é valentão e problemático, ele sofre com o bullying que acontece com ele a todo instante. Agora, Alan tem um irmão idiota chamado Michael que é o típico popular que tem uma queda por Karen (Erin Broderick).  

A história é basicamente a mesma do primeiro. 25 anos depois dos eventos no filmes original, num acampamento chamado ‘Manabe’, um jovem sofre bullying a todo momento por todos, exceto por uma garota chamada Petey (Kate Simses) que o defende sempre que pode, enquanto isso, as pessoas que o maltratam vão sendo assassinadas por alguém. Ronnie (Paul DeAngelo), que foi monitor no filme original, começa a suspeitar que Ângela está de volta fazendo novas vítimas.

O Retorno ao Acampamento Sinistro é um filme saudosista que tenta sobreviver às custas do original. Em vários momentos você vai achar que o filme parece um remake por causa das semelhanças com o primeiro capítulo como: O acidente do cozinheiro, Mickey (Lenny Venito), Alan que tem o papel semelhante ao que era de Ângela, Petey que tem um papel semelhante ao de Ricky, Ronnie que tem um papel semelhante ao de Mel Kostic, Michael que tem um papel semelhante ao de Judy, e Karen que tem um papel semelhante ao de Paul. Mas também é um capítulo muito nostálgico, onde os personagens antigos vão dando sensações boas que remetem àquele longa de 1983. Mas isso não é ruim, aliás, acredito que já estava na hora de fazer uma sequência mais fiel ao primeiro filme. 

O grande problema desse capítulo é a mediocridade que prevaleceu sobre ele em alguns aspectos. Primeiro, o elenco, os novos campistas parecem ser velhos demais para um acampamento, parece que os jovens já passaram dos 18, é isso prejudica um pouco a história.

Outro problema é o uso desnecessário de efeitos de computação gráfica que mesmo depois de tentar corrigir, Hiltzik não conseguiu fazer um bom trabalho. São efeitos toscos para cenas que uma boa maquiagem resolveria de forma mais eficaz e realista. Infelizmente, o longa metragem foi produzido num momento em que os efeitos de CGI eram usados para qualquer coisa. Esses efeitos de baixo orçamento em algumas mortes são horríveis. Além disso, eles perdem muito tempo com algumas mortes, parece que a história quer ganhar tempo, como exemplo, temos a cena de Randy com um fio preso ao seu pênis, que aliás, é cheio de incoerência.  
É por fim, a trilha sonora é toda irregular, ela está sem sentido e não causa nenhum impacto, seria muito mais vantajoso reciclar a música tema do filme original que já era boa. A edição final é bastante desleixada, alguns ângulos da câmera não favorecem e não nos dão uma boa dimensão do acampamento.

Em alguns momentos o roteiro é muito conveniente. Armadilhas estão estrategicamente colocados para acertar as pessoas em locais inapropriados como a garota que está dirigindo e tem um arame farpado pendurado no meio da estrada. A personagem que acha que é a próxima vítima, ao invés de ficar perto de outras pessoas, sai correndo para floresta adentro. Personagens que sentem o prazer de ficar sozinhos só para facilitar o trabalho do assassino. A menina boazinha que some de repente e todos começam a achar que ela é a assassina... E por aí vai.

Agora, um ponto legal é que a história se preocupa em mostrar a reação de Ronnie quando ele começa a perceber que está acontecendo a mesma coisa que aconteceu no Arawak, isso é interessante, ver os personagens antigos tentando fazer algo para sessar a matança. Só acredito que Ricky poderia ter aparecido mais, ele era um personagem de peso no primeiro filme e acho que com a ‘volta de Ângela’, seria viável ver ele um pouco mais, até porque a ideia de que ele perdoou Ângela pelo que ela fez no passado, soa curioso, e seria legal ver a forma de como ele conversa e trata a sua prima depois dos eventos de 83.    

O bullying que Alan sofre é bem revoltante, até mesmo pior que o que a Ângela sofria, e devo dizer, Michael Gibney, faz um ótimo trabalho. E num filme, mesmo que de baixo orçamento, tenha algum conteúdo que faça o público pensar e refletir sobre algo, faz a história ser mais rica. Nesse sentido, esse capítulo já é melhor que as partes 2 e 3. As mortes, de forma geral, estão mais elaboradas também, isso é um ponto positivo já que a franquia nunca teve mortes memoráveis, com exceção de uma aqui e outra ali.

Os minutos finais, que foi o ponto mais alto no original e fraco nas partes 2 e 3, voltou a ser forte aqui. Claro, não chega nem perto da grandiosidade do primeiro longa, mas este aqui é o segundo melhor por tentar trazer uma reviravolta sobre a identidade do assassino. E a atuação dos personagens antigos, principalmente da Ângela de Felissa Rose, é muito impressionante porque ela consegue transmitir algo só pelo olhar.

Então, este ‘Acampamento Sinistro’ é, em minha opinião, o segundo melhor da franquia, e isso se deve ao fato de que, além de ser uma sequência direta do original (Bem mais direta que a parte 2 foi), ele trouxe um pouco da essência daquilo que agradou ao público no passado. Porém é um filme que, apesar de legal, poderia ser muito melhor, bastava só um pouco mais de criatividade, talvez Robert Hiltzik devesse ter seguido o ditado ‘menos é mais’, a desculpa de que o orçamento era pequeno (4 milhões de dólares), não se aplica, o grande problema foi querer fazer algo grande com pouco. E por tudo que foi exporto acima, dou nota: 6,5.

O filme conta com uma cena pós-crédito interessante onde revela um detalhe sobre o assassino.  


Curiosidades:

- O último filme de Isaac Hayes, apesar de ter sido rodado cinco anos antes de sua morte.

- É a primeira sequência a ser escrita, dirigida e produzida por Robert Hiltzik, que escreveu, dirigiu e produziu o original Acampamento Sinistro (1983). Além de ser creditado por seus personagens, Hiltzik não teve envolvimento nem com o Acampamento Sinistro 2 (1988) nem com o Acampamento Sinistro 3 (1989).

- Alan chama Frank (Vincent Pastore) de "big pussy", apelido do personagem de Pastore em Família Soprano (1999).

- Felissa Rose, Jonathan Tiersten e Paul DeAngelo reprisam os seus papéis do filme original como: Ângela Baker, Ricky Baker e Ronnie, respectivamente.

- Deron Miller fez o teste para o papel de Mickey.

- Felissa Rose, interpretou Ângela Baker no Acampamento Sinistro de 1983, mas foi substituída por Pamela Springsteen no Acampamento Sinistro 2 (1988) e Acampamento Sinistro 3 (1989), Rose volta a reprisar seu papel como a adulta Ângela nesse filme.

- Um produtor executivo do filme, Thomas E. van Dell, alegou que a maior parte do CGI corrigido havia sido concluída em dezembro de 2006, mas o diretor, Robert Hiltzik, sentiu que precisava de mais trabalho para atender às suas expectativas.

- O personagem de Christopher Shand se chama 'T.C.'. Curiosamente em 'Acampamento Sinistro 2' tem outro personagem chamado 'T.C.', interpretado por Brian Patrick Clarke.

- Há um total de 9 mortes nesse filme.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Return to Sleepaway Camp.

Título Brasileiro: Acampamento Sinistro: O Retorno.

Diretor: Robert Hiltzik.

Roteiro: Robert Hiltzik.

Elenco: Felissa Rose (Angela Baker), Michael Gibney (Alan), Michael Werner (Michael), Adam Wylie (Weed), Brye Cooper (Randy), Christopher Shand (T.C.), Chris Violette (Ken Bachman), Erin Broderick (Karen), Isaac Hayes (Charlie), Jonathan Tiersten (Ricky Baker), Kate Simses (Petey), Lauren Toub (Joanie), Lenny Venito (Mickey), Mary Elizabeth King (Sue Meyers), Miles Thompson (Eddie), Paul DeAngelo (Ronnie), Paul Iacono (Pee Pee), Samantha Hahn (Marie), Tony Luke Jr. (Bo), Tony Ray Rossi (Counselor), Vincent Pastore (Frank).

Sinopse: Ronnie (Paul DeAngelo), agora um co-diretor do Camp Manabe ao lado de Frank (Vincent Pastore), se torna suspeito quando jovens são vítimas de terríveis "acidentes" novamente. Ronnie não consegue apagar de sua memória os acontecimentos de 20 anos atrás, quando assassinatos abalaram o Camp Arawak. Seria um fantasma do passado voltando para assombrá-lo? Paranóico, Ronnie começa a elaborar uma lista de suspeitos a medida que novos corpos aparecem.

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