Crítica: A Mosca 2 (1989) - Sessão do Medo

17 de agosto de 2018

Crítica: A Mosca 2 (1989)


Admito que ‘The FLy 2’ é mais importante para mim do que o original porque eu vi esse aqui primeiro e simplesmente adorei a história. Porém serei justo na crítica. O primeiro filme é mais grotesco e ‘cru’ que a continuação, mas isso não que dizer que ‘A Mosca 2’ não tenha cenas que façam você ficar desconfortável na poltrona.

O longa foi dirigido por Chris Walas, roteirizado pelo grupo:  George Langelaan, Mick Garris, Jim Wheat, Ken Wheat e Frank Darabont. No elenco temos como protagonista o talentoso Eric Stoltz: “Anaconda (1999)”, “Efeito Borboleta (2004)”. E também temos Daphne Zuniga da série “Lances da Vida”.

A história desse capítulo começa com Verônica, aqui interpretada rapidamente por Saffron Henderson, dando a luz ao seu filho na empresa Bartok, um bebê aparentemente normal. Com o parto, Verônica acaba morrendo e o bebê fica sobre cuidados da empresa. Geena Davis não quis reprisar o seu papel aqui porque ela havia ficado emocionalmente abalada com a cena do bebê nascendo como uma larva no primeiro filme.

Chamado de Martin Brundle, o garoto, que possui uma taxa decrescimento muito acelerada para uma criança normal, passa a perambular pelos corredores da empresa como se ali fosse a sua casa, além disso, o jovem é constantemente submetido a uma série de exames médicos de rotina. 

Com cinco anos, Martin tem a feição de um homem adulto. Apadrinhado por Anton Bartok (Lee Richardson), o dono da empresa, o jovem é tratado como um filho e como presente de aniversário, Anton dá a Martin uma casa dentro da empresa  para que o jovem tenha privacidade, além disso, o chefe do local dá a Martin a oportunidade de ele trabalhar no antigo trabalho de seu pai... As cápsulas teletransporadoras.

Durante seu passeio de rotina pela empresa, Martin acaba conhecendo Beth Logan, uma funcionária do local, logo os dois formam uma sólida amizade que, assim como no original, vai virando um relacionamento sério.

Dentre isso, Martin consegue realizar com sucesso o trabalho de seu pai, e as máquinas passam a funcionar perfeitamente. Ao mesmo tempo, o rapaz vai começando a perceber que tem algo errado com ele, principalmente quando um acidente envolvendo uma injeção não sara.

Existe uma cena muito triste no filme, onde Martin resolve acabar com o sofrimento de um cachorro de estimação que ele tinha quando era criança, bem, meus olhos coçaram muito nesse momento.   
  
Percebendo que Martin está entrando numa fase de metamorfose, Bartok demite Beth por causa do seu relacionamento com o seu protegido, e torna do lugar uma prisão. Martin consegue falar com Beth pelo telefone e ela diz que o rapaz está sendo vigiado o tempo todo, inclusive que eles foram filmados na cama. Agora uma coisa interessante aqui é que como Martin é uma criança num corpo de um adulto devido a sua 'doença', podemos dizer que a relação entre os dois é crime, porém isso não é nem mencionado.

A partir daqui, Martin vai descobrindo a verdade sobre o seu pai e as verdadeiras intenções de Bartok. Tem uma cena com uma breve aparição de Seth falando sobre a sua fusão com a mosca (cena do primeiro filme) e Anton explica que todas as mudanças que estavam acontecendo com Martin eram esperadas pelo grupo da empresa desde o dia em que ele nasceu.

“Agora você sabe, um súbito despertar, mas pelo menos podemos acabar com todo fingimento. Martin, você logo se tornará a mais exclusiva criatura da face da terra, não há nada que você ou eu possamos fazer...”.    

Martin acaba fugindo do complexo e vai até Beth que tenta ajudá-lo. Uma das tentativas faz o casal ir ao encontro de Stathis Borans (John Getz), o único ator do original que volta a interpretar o seu personagem, que pode ter a resposta para encontrarem a cura. Stathis afirma que não há cura e que a solução que Seth achou para sessar a transformação, era uma loucura. Sem solução e com a transformação ficando mais gritante, Beth se vê obrigada a chamar as empresas Bartok que capturam Martin.  

A transformação é bem diferente do filme original, Martin entra numa espécie de casulo, como uma lagarta.  Visualmente falando, é bem feito, menos nojento e mais curioso.

O terceiro ato, e melhor parte do filme, perde um pouco o tom dramático e parte para o terror puro. É quando Martin sai do casulo e começa um massacre contra todos os empregados da empresa. E gente, devo falar que as mortes são muito legais, algumas contendo referências ao filme original, como a gosma ácida que a criatura lança pela boca. E também ficamos sabendo que Martin/Mosca não está fora de controle, a criatura tem consciência e sabe muito bem quem quer matar.   

O filme é basicamente feito para quem adora o original, mas ele foi feito para deixar o público mais feliz com o final. Personagem irritantes e mal caráter como o Scorby (Garry Chalk), tem aquele final que geralmente acontece com os vilões num filme do gênero... Clichê? Sim... Ruim? Não.

A trilha sonora é muito boa, a maquiagem e composição da criatura estão mais semelhantes a uma mosca que no original, e continuam muito boas.

O maior problema dessa continuação, é a previsibilidade, não acontece nada de diferente de muitos filmes do gênero, porém, dentro do universo de ‘The Fly’, funciona bem expandido as situações, mostrando uma forte conexão com o original.

 No fim, A Mosca 2 é uma ótima continuação que também merece ser vista, talvez seja um pouco inferior ao original pela falta de originalidade, mas não decepciona trazendo uma história compacta, um ótimo elenco, ótimos efeitos práticos, e um desfecho que vai agradar muito quem queria um final feliz no primeiro filme.

Nota: 7,5.






Curiosidade:

- O personagem Martin Brundle foi criado para Eric Stoltz, mas ele negou o papel por não gostar do roteiro. Após a história ser reescrita, o ator aceitou participar do filme.

- Keanu Reeves recusou o personagem Martin Brundle.

- O ator John Getz é o único do elenco original que reprisa seu papel neste filme.

- Em alguns estados norte-americanos, os cinemas que lançaram "A Mosca 2" tinham uma enfermeira à disposição para o público.

- Vincent D'Onofrio foi a primeira escolha para o papel de Martin Brundle e foi quase escalado para o papel, mas seus testes não foram bem.

- Josh Brolin também fez o teste para o papel de Martin Brundle.

- Garry Chalk (Scorby) era um comediante e as pessoas que o conheciam estavam preocupadas com o seu papel sério.

- 'The Fly II' foi originalmente filmado em Toronto, onde 'The Fly' foi filmado. Mas eles não tinham cenário o suficiente para os sets e o único set grande o suficiente era o Bridge Studios, em Vancouver.

- Uma revista em quadrinhos foi uma continuação do filme onde Martin Brundle continua buscando uma cura para seus genes mutantes.

- Houve uma cena deletada do jovem Martin encontrando um freezer cheio de experimentos com animais fracassados, como o cão que foi teleportado, mas essa cena foi cortado por problemas de ritmo.

- Originalmente, o filme seria sobre a tecnologia de clonagem e a ressurreição de Seth Brundle. No entanto, foi rejeitado.

- Uma cena foi tirada do filme, ela revela a verdadeira razão pela qual Bartok e seus cientistas não conseguem fazer as máquinas de teletransporte funcionarem e que os aparelhos não funcionam porque Stathis pegou o disco de todas as pesquisas sobre elas.

- Quando o jovem Martin é visto brincando com o Dr. Shepard, é mostrado o garoto puxando a gravata do doutor. Já no final quando Martin se torna o monstro, ele mata Shepard estrangulando-o coma gravata.


- O mutante monstro-Bartok foi interpretado por Mark Walas, irmão do diretor Chris Walas.


FICHA TÉCNICA

Título Original: The Fly 2.

Título Brasileiro: A Mosca 2.

Diretor: Chris Walas.

Roteiro: George Langelaan, Mick Garris, Jim Wheat, Ken Wheat e Frank Darabont.

Elenco: Eric Stoltz (Martin Brundle), Daphne Zuniga (Beth Logan), Lee Richardson (Anton Bartok), John Getz (Stathis Borans), Frank C. Turner (Shepard),       Ann Marie Lee  (Jainway), Garry Chalk (Scorby).

Sinopse: Sob uma aparência comum, Martin (Eric Stoltz) é a pessoa mais extraordinária que vive sobre a face da Terra. Apesar de ter apenas 5 anos de idade, ele é um adulto plenamente maduro. E ele também é o filho de uma mosca humana! Agora é apenas uma questão de tempo até seus genes mutantes acordarem de seu estado de dormência. Com os mais incríveis efeitos especiais, A Mosca 2 é uma sequência inesquecível, tão assustadora e cativante quanto o primeiro filme.

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