Crítica: Slender Man - Pesadelo Sem Rosto (2018) - Sessão do Medo

25 de agosto de 2018

Crítica: Slender Man - Pesadelo Sem Rosto (2018)


A partir de hoje, sempre que me perguntarem se o capitalismo deu certo, vou recomendar que a pessoa assista a Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (2018) e tire suas próprias conclusões do que se faz para ganhar alguns trocados. Brincadeiras à parte, o longa que adapta a famosa lenda urbana norte-americana é um forte candidato a figurar entre os dez piores filmes de 2018: direção semi-amadora, roteiro preguiçoso e atores no piloto automático são alguns dos defeitos que tornam a produção um verdadeiro desastre. 

A trama mostra um grupo de amigas de uma cidade do interior que, por curiosidade, decidem invocar o Slender Man - o que, na mente nada criativa do roteirista David Birke (o mesmo do premiado Elle, estrelado por Isabelle Huppert), significa assistir a um vídeo non-sense na internet. A partir daí, uma série de eventos perturbadores passa a tomar conta das jovens, incluindo o desaparecimento misterioso de uma delas. Ao mesmo tempo em que tentam encontrar uma forma de parar a criatura, elas lutam para não enlouquecer. 

Logo no começo, um susto (não o tipo de susto que o espectador busca em uma obra de terror): a fotografia é absurdamente escura, se tornando um incômodo em cada segundo de projeção. Em vez de contribuir para a construção de uma atmosfera densa e sombria, ela só serve para tornar mais difícil enxergar o que está em cena. Dá vontade de acender uma vela no cinema para ver se a situação melhora.


Com um ritmo lento, vamos acompanhando a rotina de Hallie (Julia Goldani Telles, de Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar), Wren (Joey King, de Invocação do Mal), Chloe (Jaz Sinclair, de Cidades de Papel) e Katie (Annalise Basso, de Ouija: Origem do Mal) e o pesadelo que a vida das quatro se torna após terem visto o vídeo sobre o Slender Man. Sem saber o que fazer com as personagens e com o roteiro que caiu em suas mãos, o diretor Sylvain White (Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado) opta, nos momentos tensos, por uma câmera trêmula que, somada à escuridão da tela, torna o filme uma experiência mais desagradável ainda. Um exemplo disso é a cena do confronto entre o pai de Katie (Kevin Chapman) e Hallie, em que o espectador fica sem entender nada do que está acontecendo. White ainda esconde ao máximo o seu vilão - em vez do Slender Man, o que vemos, pelo ponto de vista dos personagens, são cenários e rostos de pessoas distorcidos em efeitos especiais de qualidade bastante questionável. E quando a criatura aparece, o impacto é mínimo: mais parecendo um manequim barato de uma loja qualquer de shopping, ela não assusta nem um pouco. 

O roteiro, para fechar com chave de ouro, é cheio de furos, pontas soltas e situações mal-explicadas Quer dizer que a polícia investiga um desaparecimento sem nem confiscar o computador da vítima? Hallie e Wren viram Chloe naquele estado quase hipnótico para literalmente esquecer dela depois? O que aconteceu com Tom, o namoradinho de Hallie? E, afinal, não merecíamos saber alguma coisa sobre o Slender Man? Diante desses problemas, o elenco feminino pouco consegue fazer e o que temos é um amontoado de personagens desinteressantes, pouco inteligentes e esquecíveis. Elas são tão sem personalidade que é natural confundi-las durante os quase 90 minutos de longa. 


Terminando com uma narração em off que soa bastante desconexa e invasiva (mais uma prova do trabalho irregular de White e Birke), Slender Man: Pesadelo Sem Rosto é uma péssima adaptação de um intrigante personagem concebido para um concurso de Photoshop. Em 2009, Eric Knudsen, sob o codinome Victor Surge, criou e colocou a criatura em duas fotografias postadas em um fórum da internet. A partir daí, o personagem se espalhou, ganhou contos assustadores, inspirou um jogo de computador e, no caso mais chocante, foi citado como motivação para um crime real: em 2014, Morgan Geyser e Anissa Weier, ambas de 12 anos, esfaquearam uma amiga como forma de "agradar" e mostrar fidelidade ao Slender Man. O caso é contado em detalhes no documentário Cuidado com o Slenderman (2016) - uma opção muito melhor do que o longa de ficção atualmente em cartaz. 
pOSTER



FICHA TÉCNICA
Título Original: Slender Man
Ano: 2018 • Duração: 93 minutos
Direção: Sylvain White
Roteiro: David Birke
Elenco: Julia Goldani Telles, Joey King, Jaz Sinclair,      Annalise Basso, Taylor Richardson, Kevin Chapman, Alex Fitzalan
Sinopse: Quando ouvem falar num monstro chamado Slender Man, as amigas Wren, Hallie, Chloe e Katie decidem invocá-lo através de um vídeo na internet. A brincadeira se transforma num perigo real quando todas começam a ter pesadelos e visões do homem sem rosto, com vários braços, capaz de fazer as suas vítimas alucinarem. Um dia, Katie desaparece. Como a polícia não dispõe de nenhuma prova para a investigação, cabe às três amigas fazerem a sua própria busca, enfrentando a criatura.









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