Crítica: A Freira (2018) - Sessão do Medo

9 de setembro de 2018

Crítica: A Freira (2018)


Chegou nos cinemas nacionais nesta quinta-feira o mais novo spin-off do universo Invocação do Mal. Desta vez, a figura que teve o luxo de ganhar seu próprio filme foi a Freira Valak, demônio apresentado em Invocação do Mal 2 (2016) e que acabou por roubar a cena inteira. A promessa era que este novo capítulo da franquia contasse a origem de todo mal (assim como os outros spin-offs), através de uma história situada nos anos 50, na Romênia. 

O ponta-pé inicial do enredo se dá através do suicídio de uma freira em uma abadia isolada romena. O incidente faz com que o Vaticano envie o Padre Burke (Demian Bichir, Alien: Covenant) aos confins da Europa para investigar o caso, com o auxílio da Irmã Irene (Taissa Farmiga, Terror nos Bastidores) e Frenchie (Jonas Bloquet, Elle), um camponês que encontrou o cadáver da freira. Ao chegarem na abadia, o trio acaba se deparando com eventos sobrenaturais e descobrirão que estão enfrentando um mal ainda maior do que imaginavam.


Se você acompanhou o gênero mainstream nos últimos cinco anos ou apenas acompanhou o universo Invocação, você definitivamente já assistiu A Freira. Digo isso pois o filme não parece se preocupar em trazer nada, e repito, nada de novo ou diferente para o jogo. O problema se torna mais grave ainda por que esta produção parece ter se entregue completamente à simplicidade (e não de uma forma boa), pois o roteiro preguiçoso apenas se preocupa em entregar sustos de cinco em cinco minutos, e eu não estou exagerando.

O foco não é criar um clima de suspense e tensão, mas sim os jumpscares. No entanto, isso não era algo longe do esperado, pois sabemos que há um sistema nesses filmes e é óbvio que eles iriam investir nesse tipo de entretenimento barato. Acontece que tem sim como fazer um terror de qualidade, com jumpscares genuinamente eficientes e o próprio Invocação do Mal é um exemplo vivo disso. O que fica claro é que, desde o início, A Freira foi fadado à mediocridade por que ele simplesmente não era uma prioridade dentro do estúdio. A intenção nunca foi fazer um filme de terror de qualidade, mas sim um filme de terror rápido e vendável.

O que me deixa ainda mais encabulado com esse filme é que dava sim para fazer muita coisa superior com o material. A própria ambientação é bastante sinistra e por si só já consegue nos deixar de cabelo em pé em alguns momentos. O roteiro de Gary Dauberman (It - A Coisa, Annabelle) é uma gororoba formada por clichês que já vimos não só dentro do universo Invocação, mas dentro até mesmo do próprio filme. Cenas são repetidas diversas vezes e logo você se encontra irritado pela tamanha cara de pau.


Não se engane, ainda há sim alguns pontos elogiáveis em A Freira. O primeiro que chama sua atenção é a trilha sonora assombrosa assinada pelo polonês Abel Korzeniowski (Animais Noturnos), que casa bem com a temática religiosa da história. Em alguns momentos, ela ajuda a dar um up nas cenas, embora em outras ela se torne superutilizada. A fotografia e a locação também são dois pontos bastante chamativos.

Em relação ao elenco, devemos comentar sobre a performance de Taissa Farmiga, que mostra que não precisa ficar à sombra da irmã (Vera, que interpreta Lorraine Warren em Invocação) e talvez entrega uma de suas melhores atuações. O francês Jonas Bloquet arranca suspiros da platéia mas também se destaca na produção. O elo fraco só sobra para o veterano Demian Bichir, que exagera na atuação do exorcista com um passado perturbado e se torna mais e mais canastrão à medida que o filme avança.

Algumas cenas são, de fato, bem dirigidas, como a sequência do cemitério (talvez a única com um susto realmente bem feito) e a cena submersa perto do fim do filme. Mas a direção do Corin Hardy (A Maldição da Floresta) se torna acomodada demais num roteiro que já é preguiçoso por si só. O resultado dessa combinação é uma película enfadonha devido à previsibilidade. A Freira só evidencia como esses blockbusters sobrenaturais estão cansando o público. O sucesso é inevitável, afinal, é um terror de rápido consumo, geralmente direcionado para adolescentes que se impressionam fácil, mas está longe de ser um filme para os verdadeiros aficionados do gênero.
poster
ficha técnica
Título Original: The Nun
Ano: 2018 • Duração: 96 minutos
Direção: Corin Hardy
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Taissa Farmiga, Demian Bichir, Bonnie Aarons, Jonas Bloquet
Sinopse: Quando uma jovem freira que vive enclausurada em um convento na Romênia comete suicídio, um padre com um passado assombrado e uma noviça prestes a fazer seus votos finais são enviados ao Vaticano para investigar o caso. Juntos, eles desvendam o segredo profano da ordem.

5 comentários:

  1. Anônimo9/10/2018

    A bem da verdade, é que esses filmes padrões "James Wan" já renderam o que tinha de render... vc viu um, vc viu todos.

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    1. Essa franquia Invocação do Mal e seus derivados são sempre mais do mesmo. E ainda tem gente que chama o Wan de "mestre do terror" kkkkk

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  2. Vocês que gostam dê criticar os filmes dê terror vamsefuder vocês

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  3. Achei o filme muito bom, o roteiro entrega uma história satisfatória e bem amarrada (principalmente o final). Está, com certeza, acima da média dos filmes da franquia. Existem também alguns easter eggs, como o nome do Padre, que é Burke, nome também de um dos personagens do filme "O Exorcista".

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  4. Continuo mantenho minha opinião: Apenas Invocação do Mal de 2013 é bom e assustador.

    A Freira poderia ter usado muitos elementos para ser um ótimo final de terror, a divindade seria uma delas, mas houve uma necessidade imensa em querer assustar, em ser cômico, em ser original.
    Fui ao cinema e sai muito decepcionada. Recentemente vi um trailer de um filme: A maldição da freira. Parece ser bom! Vocês já viram?

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