Crítica: Buscando (2018) - Sessão do Medo

6 de outubro de 2018

Crítica: Buscando (2018)


Não é novidade nenhuma que o cinema costuma refletir a sociedade em que está inserido, independente de qual época seja. Se o cinema em si tem esse poder, o horror tem o poder de refletir os medos da sociedade e é isso que faz desse gênero algo tão fascinante. O thriller Buscando vem cumprir esse papel perante esse novo mundo, rodeado de tecnologia, onde as redes sociais imperam e a vida nunca é 100% privada.

O subestimadíssimo John Cho vem assumir o papel de David Kim, um pai trabalhador que tenta lidar com a perda da mulher para o câncer e criar a filha Margot (Michelle La) sozinho. Um dia, Margot desaparece. Com a ajuda da Detetive Rosemary Vicks (Debra Messing), David começa a investigar o paradeiro da filha numa trama onde nada é o que parece. Ok, todos nós já vimos esse filme antes, certo? A grande diferença é que o desenrolar da história se passa inteiramente na tela de um computador!

Não, não é nada inovador. Já vimos The Den (2014) e Amizade Desfeita (2015) fazer a mesma manobra antes, mas não com a mesma perspicácia. Buscando vem para se tornar o filme definitivo desse formato, marcando a grande estreia do diretor Aneesh Chaganty na direção, arrancando elogios dos festivais no início do ano e garantindo uma boa recepção nas bilheterias. O suspense em si é semelhante aos outros do gênero, mas é interessante como Chaganty traz novos ares com seu roteiro afiado, mesmo que, como já mencionei, o formato não seja inédito nem a premissa.


O filme não subestima a inteligência do espectador e consegue, de fato, enganar até chegar nos seus minutos finais. É um suspense que realmente só funciona por que se passa dentro da tela de um computador. Do contrário, passaria batido como mais um filme aleatório. O diretor usa não só isso ao seu favor, mas também a relação de David com a filha para criar um elo emotivo entre os personagens e o público, tornando quase impossível não compadecer-se com o protagonista. Por conta disso, podemos facilmente deixar passar em branco alguns pontinhos forçados que não chegam a comprometer inteiramente a produção.

Também é bacana se conectar com toda a ambientação do filme. Até para contar pedaços do passado dos personagens, vemos isso através da tela de um computador antigo com o Windows XP e aos poucos vamos chegando à atualidade. Os meios que David utiliza para investigar o sumiço de Margot também são extremamente familiares, o que faz com que a película fique ainda mais relacionável.

Buscando pode até ser equiparado com filmes como O Sexto Sentido (1999) e Corra! (2017) por ter sido produzido com pouca pretensão e acabar ganhando uma grande projeção internacionalmente. É sempre interessante ver filmes que conseguem construir um hype próprio através de uma força nativa, sem empurrão de divulgação pesada e exagerada. Portanto, se tiver um tempinho, passe no cinema mais próximo de você e vá conferir essa pequena obra.
poster
ficha técnica
Título Original: Searching
Ano: 2018 • Duração: 102 minutos
Direção: Aneesh Chaganty
Roteiro: Aneesh Chaganty, Sev Ohanian
Elenco: John Cho, Debra Messing, Michelle La
Sinopse: Após uma jovem de 16 anos desaparecer, seu pai David Kim (John Cho) pede ajuda às autoridades locais. Sem sucesso, após 37 horas, David decide invadir o computador de sua filha para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.

3 comentários:

  1. Anônimo10/09/2018

    Acho incrível a tua capacidade de detonar os filmes bons, elogiar os horríveis...

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  2. O filme é bem interessante mesmo, gostei bastante. Apesar de que realmente algumas situações são meio forçadas na tentativa de se criar a sensação de constante reviravolta nos fatos (SPOILER: como se em meio a uma investigação minuciosa ninguém tivesse reparado em uma conversa extremamente suspeita da guria com o próprio tio, ne)

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