Crítica: Halloween (2018) - Sessão do Medo

25 de outubro de 2018

Crítica: Halloween (2018)


"Michael se foi."

Estas são as palavras finais do roteiro de Halloween - A Noite do Terror (1978), clássico seminal do terror, e também do cinema em si, dirigido por um jovem John Carpenter, marcando seu nome para sempre na história da sétima arte. Seu pequeno projeto realizado por menos de um milhão de dólares acabou se tornando um dos filmes mais lucrativos do gênero, além de virar referência para autores independentes que gostariam de se aventurar no terror de baixo-orçamento.

A última cena de Halloween abriria portas para inúmeras sequências lançadas ao longo de quatro décadas - todas ignoradas pela "sequência definitiva", que chegou aos cinemas nacionais nesta quinta-feira, dia 25. Este novo capítulo da franquia tem a intenção de ser um novo ponto de partida, completamente desligado dos desgastes providos pelos filmes ao longo dos anos, sendo um deles a conexão principal entre a protagonista Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e o vilão Michael Myers. Em Halloween II - O Pesadelo Continua (1981), descobrimos que os dois são irmãos e seria este o motivo de Myers persegui-la. Mas essa ideia não estava no roteiro original.


Na véspera do dia das bruxas em 1978, Michael Myers escapa do sanatório Smith's Grove, após passar quinze anos preso por assassinar sua irmã quando tinha apenas seis anos. Ele rouba um carro da instituição e vai em direção à Haddonfield, sua cidade natal. Entra na sua antiga casa, hoje em dia abandonada, e acaba cruzando com a filha do corretor imobiliário, a Laurie Strode. Fixado, ele a segue até a casa onde trabalharia como babá naquele noite e então assassina três de seus amigos. 

Derrubado por balas, Michael é preso novamente, passando mais quatro décadas em Smith's Grove, sendo um objeto de estudo do governo. Após tanto tempo em estado catatônico, o governo resolve lavar suas mãos e Michael está prestes a ser transferido para outro manicômio. Mas antes que ele vá, dois jornalistas britânicos responsáveis por um podcast criminal viajam até Haddonfield para examinar seu caso. 


A presença dos dois nos apresenta novamente à figura de Laurie Strode. Sobrevivente da matança, ela nunca conseguiu superar de fato seus traumas e passou todos esses anos se preparando para um eventual encontro com a figura mascarada. Isso fez com que sua filha, Karen (Judy Greer), fosse afastada dela durante a adolescência pelo Conselho Tutelar. Hoje em dia, Karen tenta evitar que sua própria filha, a neta de Laurie, Allyson (Andi Matichak), mantenha muito contato com a avó.

Durante a transferência de Michael, o ônibus sofre um acidente e ele está a solta novamente. Conseguindo recuperar sua máscara, "A Forma" retorna à Haddonfield na noite de Halloween, pronto para matar e para enfrentar, uma última vez, Laurie Strode.

O roteiro assinado por David Gordon Green e Danny McBride procura tomar cuidado para fazer uma continuação fiel para os fãs. Como consequência, nós somos presenteados com muito fan-service, referências, homenagens e até mesmo algumas recriações de cenas. Para alguns, isso pode soar arrogante. Para outros, é um presente.


A direção de Green tenta ao máximo emular o estilo característico de Carpenter no longa original, o que é ótimo vendo que é um filme que complementa o outro. No entanto, ele não se apoia apenas nisso e tenta trazer coisas novas. O resultado? Algumas cenas de suspense muito bem dirigidas, como a plano-sequência onde Michael ataca duas casas de uma vez só e acompanhamos isso em tempo real. A cereja no topo do bolo é a presença da trilha sonora, assinada novamente por John Carpenter. É impossível não se empolgar quando a clássica música-tema começa a tocar.

Michael está brutal e visceral, numa violência equivalente à do remake de Rob Zombie, então pode esperar mortes bem gráficas. Temos crânios esmagados no chute, cabeças degoladas como abóboras de Halloween, faca atravessando a garganta e muito mais. Algumas mortes são referências à outros filmes da franquia, como o garoto preso na parede pela faca, e isso faz desse Halloween uma experiência mais gratificante para os fãs.


Particularmente, eu trocaria facilmente algumas dessas mortes por uma cena de perseguição bem elaborada. Não é como se o filme não desse brechas para isso. Há uma cena onde a Allyson encontra pela primeira vez o Michael e eu pensei imediatamente que viria uma chase-scene. A adrenalina tava alta, todo mundo na ponta da cadeira e então... um corte.

Outras coisas que me incomodaram foram a distância da personagem Karen, interpretada pela ótima mas sempre subestimada Judy Greer, e também uma gordurinha no roteiro em forma de reviravolta no final, que acaba não dando em nada se você for parar pra pensar. Quem já viu, deve saber do que estou falando.

De resto, Halloween só veio pra provar que o slasher ainda vive e deve ser o primeiro de muitos renascimentos de franquias clássicas que estão por vir. Não é um filme perfeito mas funciona muito bem para ambas as audiências: os aficionados pela franquia e o público novo. Agora vão assistir e ajudar nas bilheterias!
poster
ficha técnica
Título Original: Halloween
Ano: 2018 • Duração: 109 minutos
Direção: David Gordon Green
Roteiro: David Gordon Green, Danny McBride
Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Nick Castle, Virginia Gardner
Sinopse: Quatro décadas depois de ter escapado do ataque de Michael Myers em uma noite de Halloween, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) terá que confrontar o assassino mascarado pela última vez. Ela foi perseguida pela memória de ter sua vida por um triz, mas dessa vez, quando Myers retorna para a cidade de Haddonfield, ela está preparada.

3 comentários:

  1. Ótima resenha Neto! tá todo mundo falando bem do filme. Irei ver no dia 31 só pra dar um clima

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  2. Eu assisti e adorei, minha franquia favorita de terror, a nostalgia foi enorme! Além das mortes e do clima competente de suspense que o filme cria (especialmente quando escurece e as comemorações de dia das bruxas começam)!!!!

    Vi homenagens a todos os filmes da franquia, o primeiro, o segundo (de 81), o quarto, o H20, e até uma certa referência/homenagem ao Halloween 6 (provavelmente é aquela "gordurinha" que o texto se refere) que eu achei um tanto desnecessária!!!

    Mas ao todo, o filme é ótimo, além de todo o clima de terror/suspense, tem pitadas de drama, a Jamie está SENSACIONAL!!! O subplot do estresse pós-traumático dela e como o que aconteceu com ela a afetou a vida toda eu achei um toque ótimo e bem comovente!!!

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  3. Eu amei esse filme, não sei se ele se tornou o meu favorito ou ainda é o H20. Sobre a reviravolta, pra mim ela só deixou o filme mais empolgante, eu não achei desnecessária, e meio que explica a fuga do Michael.

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