De lobisomens a demônios: 13 filmes nacionais de terror! - Sessão do Medo

26 de dezembro de 2018

De lobisomens a demônios: 13 filmes nacionais de terror!

Lobisomem de As Fábulas Negras
Ao mesmo tempo em que ainda enfrenta uma certa resistência por parte do público (os comentários deixados por alguns leitores do Sessão do Medo em postagens relacionadas são uma prova disso), o cinema nacional de terror vive um momento bastante frutífero. São filmes que têm, em comum, o baixo orçamento e o desejo de fazer um produto genuinamente nacional, sem a preocupação em imitar o estilo hollywoodiano de fazer terror (o que, paradoxalmente, pode desagradar parcela considerável do público acostumada com produções como Invocação do Mal e seus derivados).

Pensando nisso, decidimos listar 13 filmes nacionais de terror que merecem ser vistos: a seleção inclui desde os clássicos do pioneiro José Mojica Marins, o eterno Zé do Caixão, até longas lançados recentemente.

À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964, dir: José Mojica Marins)


Na trama daquela que é considerada a maior obra do terror nacional, somos apresentados ao agente funerário Josefel Zanatas (José Mojica Marins, que também dirige o filme), popularmente conhecido pelo apelido de Zé do Caixão na pequena cidade em que mora. Obcecado com a ideia de gerar um filho perfeito e dar continuidade ao seu sangue, Zé se vê decepcionado com a incapacidade de sua esposa (Valéria Vasquez) engravidar. Disposto a fazer o possível para ter um filho, ele decide violentar a mulher do seu melhor amigo, que acaba por cometer suicídio depois do crime - não antes de prometer voltar do mundo dos mortos para levar alma de Zé do Caixão. O longa está disponível no YouTube.

Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967, dir: José Mojica Marins)


Nesta sequência de À Meia-Noite Levarei Sua Alma, Zé do Caixão (José Mojica Marins) continua a busca pelo filho perfeito. Com a ajuda do fiel criado Bruno (Jose Lobo), ele rapta seis moças do lugarejo e as submete a sessões de medo com aranhas e cobras (o diretor optou por utilizar animais de verdade nessa cena, o que obviamente deu um trabalho e tanto). O objetivo é testá-las e descobrir quem seria uma boa progenitora. Antes de morrer, uma das reféns joga uma maldição sobre Zé, jurando que voltará para possuir o seu corpo. Depois disso, o coveiro conquista o coração de Laura (Tina Wohlers), a filha de um importante coronel da região, e vê nela a grande oportunidade de ter seu filho. Contudo, sobreviver não será uma tarefa fácil, já que, além do ódio da comunidade local, ele também tem que enfrentar uma estranha força do além.

É possível assistir a Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver no YouTube.

Exorcismo Negro (1974, dir: José Mojica Marins)


Em meio ao sucesso de O Exorcista (1973), Mojica percebeu que não podia ficar de braços cruzados e, um ano depois do lançamento do filme de William Friedkin, o cineasta apresentou Exorcismo Negro, a versão tupiniquim do clássico. A história - um verdadeiro exercício de metalinguagem - traz o cineasta José Mojica Marins (que, pasmem, é interpretado por José Mojica Marins) indo passar um fim de semana no campo para descansar e tentar escrever o roteiro do seu novo filme. Mas a paz do local logo é quebrada por diversos fenômenos paranormais, incluindo aí uma força demoníaca que passa a possuir o corpo das pessoas. Contudo, o que realmente choca Mojica é descobrir a existência, em carne e osso, de Zé do Caixão (Mojica, de novo). Até então, o cineasta acreditava que ele não passava de um personagem criado por sua mente e usado em seus filmes - a situação piora quando criador e criatura são postos frente a frente para um confronto decisivo.

Uma versão remasterizada do longa encontra-se disponível no YouTube.

Mangue Negro (2008, dir: Rodrigo Aragão)


Considerado o herdeiro de Mojica, Rodrigo Aragão iniciou sua carreira em longas-metragens com Mangue Negro, filme em que dá uma amostra do seu estilo de fazer cinema: uma pegada trash com tempero tipicamente brasileiro.

Filmado no interior do Espírito Santo com um orçamento de aproximadamente 65 mil reais, Mangue Negro acompanha uma epidemia zumbi em um manguezal isolado. Ao mesmo tempo em que precisa lutar pela própria vida, o jovem Luís (Walderrama dos Santos) se esforça para proteger seu grande amor Raquel (Kika de Oliveira) do ataque dos mortos-vivos.

A Noite do Chupacabras (2011, dir: Rodrigo Aragão)


Inspirado na famosa lenda da criatura que suga o sangue de animais na zona rural do Brasil, A Noite do Chupacabras é mais um divertido filme de Rodrigo Aragão. Nesse longa, a guerra entre as famílias Silva e Carvalho mistura-se aos ataques do chupa-cabra: o resulto é um banho de sangue nunca visto antes no terror nacional.

A Noite do Chupacabras está disponível completo no YouTube.

Mar Negro (2013, dir: Rodrigo Aragão)


Mar Negro encerra uma espécie de trilogia de Rodrigo Aragão que teve início em Mangue Negro e seguiu com A Noite do Chupacabras. Quando um pescador (Markus Konká) é mordido por um peixe estranho, uma epidemia se espalha e os moradores de um pequeno vilarejo do litoral passam a se transformar em mortos-vivos sedentos de carne humana. Entre os personagens que tentam sobreviver, está Albino (Walderrama dos Santos), um rapaz atrapalhado que se interessa por ocultismo e que nutre uma grande paixão por Indiara (Kika de Oliveira). 

Em mais uma prova de que sua criatividade não tem limites, Aragão presenteia o espectador no final com uma baleia-zumbi!

Por apenas R$ 3,90, é possível alugar o filme no YouTube.

Quando Eu Era Vivo (2014, dir: Marco Dutra)


Quando foi divulgado que a cantora Sandy estaria no filme de terror Quando Eu Era Vivo, uma adaptação do livro A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli, já comecei a me preparar para uma bomba. Mas, felizmente, estava errado: o longa de Marco Dutra é um ótimo terror com toques de O Iluminado (1980) e Sandy não entrega uma atuação ruim.

No enredo, Júnior (o ótimo Marat Descartes) volta a morar com o pai (Antônio Fagundes, outro que eu não imaginava em uma obra de terror) após se divorciar da esposa. No apartamento em que passou a sua infância, Júnior passa a ser assombrado por lembranças do passado, especialmente aquelas envolvendo a sua mãe (Helena Albergaria). Ele, então, começa a confundir delírio e realidade e entra em uma espiral crescente de insanidade.

Quando Eu Era Vivo é outro filme disponível no YouTube por apenas R$ 3,90.

As Fábulas Negras (2015, dir: Rodrigo Aragão, Petter Baiestorff, José Mojica Marins e Joel Caetano)


Antologia de cinco curtas inspirados no folclore brasileiro, As Fábulas Negras marca a reunião dos grandes nomes do terror nacional: além dos já citados Rodrigo Aragão e José Mojica Marins, Petter Baiestorff (Eles Comem Sua Carne) e Joel Caetano (do ótimo curta Gato).

Apesar das singularidades de cada cineasta, os cinco segmentos apresentam elementos em comum, como o humor perpassando a narrativa, o intenso derramamento de sangue e a preocupação em apresentar tudo de um jeito bem brasileiro. Aragão usa da sátira em O Monstro do Esgoto e invoca o próprio demônio em A Casa de Iara; Baiestorff apresenta um lobisomem tupiniquim em Pampa Feroz; Mojica brinca com a lenda do saci em O Saci e Caetano acerta no tom sombrio de A Loira do Banheiro. No fim das contas, As Fábulas Negras é um entretenimento imperdível para os fãs de terror.

Disponível no YouTube por R$ 3,90.

O Diabo Mora Aqui (2015, dir: Dante Vescio e Rodrigo Gasparini)


Dirigido por Dante Vescio e Rodrigo Gasparini (dos curtas Um Estranho na Porta e A Loira do Banheiro), O Diabo Mora Aqui é um filme que toca na ferida do passado escravocrata do Brasil ao trazer um grupo de jovens que decide passar o final de semana na propriedade que, há mais de um século, era a casa de um sádico produtor de mel (Ivo Müller, perfeito no papel) que se divertia torturando seus escravos. Quando os personagens descobrem que o casarão carrega uma espécie de maldição, eles se veem no meio de um confronto entre forças sobrenaturais.

Pelos mesmos R$ 3,90, você assiste ao filme no YouTube.

Condado Macabro (2015, dir: André de Campos Mello e Marcos DeBrito)


Apesar do senso de humor deplorável, Condado Macabro é um bom slasher nacional que não economiza no derramamento de sangue e ainda carrega referências a filmes como O Massacre da Serra Elétrica (1974).

O  filme traz o palhaço Cangaço (Francisco Gaspar) sendo interrogado por um policial (Paulo Vespúcio). O motivo: uma casa na cidade tornou-se palco de uma chacina de jovens e o investigador está convencido de que Cangaço é o responsável. No entanto, conforme o interrogatório avança, a verdade sobre o que realmente aconteceu vai sendo revelada.

Já sabe: dá para assistir no YouTube por R$ 3,90.

O Animal Cordial (2017, dir: Gabriela Amaral Almeida)


Dois homens armados entram em um restaurante e rendem os clientes, os funcionários e o dono do estabelecimento. Poderia ser uma trama convencional: as pessoas começam a implorar por liberdade, os bandidos matam alguns dos reféns, um espertinho bola um plano, alguém tenta chamar a polícia e por aí vai. Mas não. O filme da diretora Gabriela Amaral Almeida vai além do clichê e, expondo camadas e comentários sociais de uma maneira que um longa de sequestro genérico dificilmente conseguiria, traça um retrato mais que atual da situação do nosso país.

Embora seja mais um suspense do que um terror propriamente dito, a presença de O Animal Cordial me pareceu mais do que obrigatória nessa lista.

Para assistir no YouTube, custa R$ 6,90, um pouquinho mais caro que os outros.


As Boas Maneiras (2017, dir: Marco Dutra e Juliana Rojas)



As Boas Maneiras é um dos filmes nacionais mais comentados do ano e vem de uma carreira de sucesso em festivais no Brasil e no exterior, levando prêmios no do Rio e no de Locarno, na Suíça.

Em uma história que tem muito a dizer sobre contrastes sociais e diferenças de classe, Ana (Marjorie Estiano), uma jovem rica e solitária de São Paulo, contrata Clara (Isabél Zuaa), uma mulher negra da periferia, para auxiliá-la nas tarefas domésticas e cuidar do filho que está para nascer. Até que uma noite de Lua cheia muda para sempre a vida das duas mulheres.

Mal Nosso (2017, dir: Samuel Galli)


Acredite: quanto menos você souber sobre o enredo de Mal Nosso, melhor. O filme é um daqueles casos em que, se explicado demais, perde o impacto. O interessante é começar assistindo sem entender muito e depois, com o desenrolar da história, ver como tudo se encaixa. Por isso, tenha apenas em mente que se trata da história de um homem (Ademir Esteves) que entra na deep web e contrata os serviços de um assassino de aluguel (Ricardo Casella). Mais do que isso é spoiler que estraga a experiência. 

Uma curiosidade: Rodrigo Aragão foi o responsável pela maquiagem do filme. 

Menção honrosa: em toda lista que faço, só coloco filmes a que eu assisti. Por isso, deixei de fora A Mata Negra (2018) e Morto Não Fala (2018), que, no entanto, parecem promissores a ponto de merecer uma menção honrosa na lista. 

Aproveite para ler também:

- "Terror brasileiro está na moda", afirma diretor de "A Mata Negra"

- "Terror nacional: se os filmes chegarem ao público, o sucesso é inevitável"

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7 comentários:

  1. Desses, eu só havia assistido Condado Macabro, mas vou me organizar para assistir os outros. Ótima lista!

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  2. Legal, Jessé! Depois nos diga o que achou dos filmes. Abraços!

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  3. Adorei a lista... alguns não assisti ainda , mas vou , sou fã de terror.

    Bola 8

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  4. Ainda incluiria Mar Negro, Excitação, Reencarnação do Sexo, Quem Tem Medo de Lobisomem e a A Mulher que Inventou o Amor.

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  5. Oi, Lutelro!

    Mar Negro foi colocado na lista. Os outros não conheço. Vou assistir e ver se coloco em uma próxima lista. Obrigado pela sugestão. Abraços!

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  6. Tem tbm Através da Sombra (https://www.youtube.com/watch?v=2YXgE59duGE) e O Caseiro (https://www.youtube.com/watch?v=u6aBW2VaBh8) tbm nacionais e abrangem o sobrenatural assista tbm que são legais.

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  7. Legal, Edson! Não assisti esses ainda. Vou ver!

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