De ''Suspiria'' a ''Juan dos Mortos'': 10 filmes de terror para ver nas férias!

Jessica Harper em Suspiria (1977)
Os meses de dezembro e janeiro são, para muitos, sinônimo de férias - e uma coisa que cai bem nessa época do ano é fazer maratonas de filmes. Para te ajudar nessa, o Sessão do Medo preparou uma lista com 10 dicas de terror: o único critério foi fugir daquelas seleções manjadas, trazendo filmes de diferentes anos, países e diretores.

Os Inocentes (1961, dir: Jack Clayton)


Adaptação do livro A Volta do Parafuso (1898), escrito pelo norte-americano Henry James, Os Inocentes é um dos melhores filmes de fantasmas que o cinema já proporcionou. A história é protagonizada pela senhora Giddens (Deborah Kerr, atriz indicada ao Oscar por A um Passo da Eternidade), uma governanta contratada para tomar conta de duas crianças órfãs em uma rica mansão. No entanto, a mulher acredita que há algo estranho na casa influenciando o comportamento dos pequenos Miles (Martin Stephens) e Flora (Pamela Franklin) e passa a temer pela vida deles.

Confissões de um Necrófilo (1974, dir: Jeff Gillen e Alan Ormsby)


O roteiro de Confissões de um Necrófilo (1974) é inspirado na história do serial killer americano Ed Glein, que não só matava as suas vítimas, mas guardava partes do corpo delas: quando a polícia entrou em sua casa, encontrou crânios servindo como enfeite, um abajur feito de pele, uma coleção de vaginas, entre outras coisas assustadoras. No filme - que obviamente dispõe de certa liberdade criativa em relação aos crimes de Glein -, o psicopata se chama Ezra Cobb (Roberts Blossom, de Christine, o Carro Assassino) e é apresentado como um homem que ficou órfão de pai muito jovem e, por isso, cresceu bastante ligado à mãe (Cosette Lee). Quando ela morre, Ezra é levado a um estado de psicose cada vez maior: certa noite, ele escuta a voz da mãe e vai até o cemitério para trazer seu corpo de volta para casa. É o início de uma sequência de atos que vão mostrar que ele está longe, muito longe de ser um homem normal.

Suspiria (1977, dir: Dario Argento)


Suspiria é um clássico do cinema de terror que, em 2018, ganhou uma nova versão pelas mãos do diretor Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome). O italiano garante que o longa - ainda não lançado comercialmente no Brasil - está mais para uma homenagem ao original dirigido por Dario Argento do que para uma refilmagem. Então, enquanto o filme de Guadagnino não chega, nada mais justo do que aproveitar as férias para conhecer o clássico de 1977.

Jessica Harper (Minority Report: A Nova Lei) vive Suzy Bannion, uma bailarina norte-americana que é aceita como aluna em uma prestigiada escola alemã de dança. Desde o começo, fica claro que a instituição não é um lugar qualquer: pressentimento que fica mais forte depois de uma série de mortes e outros acontecimentos macabros. Visualmente impressionante (a maneira como Argento e seu diretor de fotografia utilizam as cores chama a atenção) e com uma trilha sonora que fica na cabeça, Suspiria compõe, junto com a A Mansão do Inferno (1980) e O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas (2007), o que é conhecida como a "trilogia das mães" de Argento.

Nosferatu: O Vampiro da Noite (1979, dir: Werner Herzog)


Quando se fala em Nosferatu, a maioria se lembra do clássico mudo do Expressionismo Alemão dirigido por F.W. Murnau em 1922. Mas, em 1979, o diretor Werner Herzog (O Enigma de Kaspar Hauer) lançou uma excelente versão com som e cores da história do sombrio vampiro da Transilvânia. Claro, a história tem diferenças e o longa não chega a ser icônico como o de Murnau, mas vale uma conferida.

Em Nosferatu: O Vampiro da Noite, o agente imobiliário Jonathan Harker (Bruno Ganz, visto recentemente em A Casa Que Jack Construiu) viaja até a Transilvânia para fechar um contrato com o misterioso Conde Drácula (Klaus Kinski, de Fitzcarraldo). Ao ver uma fotografia da esposa de Jonathan, Lucy (Isabelle Adjani, Possessão), o vampiro passa a desejá-la e parte rumo à cidade levando consigo uma infinidade de ratos infectados.

A Mão (1981, dir: Oliver Stone)


Michael Caine (Batman: O Cavaleiro das Trevas) interpreta um desenhista de quadrinhos que perde a mão direita em um acidente de carro: para piorar a situação, o membro cria vida própria e desenvolve uma tendência homicida, matando quem encontra pela frente. 

Segundo longa-metragem da carreira de Oliver Stone (Platoon), diretor que já ganhou três estauetas do Oscar, A Mão é inspirado no livro The Lizard's Tail (A Cauda do Lagarto, em tradução literal), do escritor Marc Brandel. É um filme simples que, se não levado muito a sério, diverte e agrada com um desfecho criativo. E é ainda uma boa oportunidade para aqueles que têm a imagem de Michael Caine como o simpático Alfred da trilogia Cavaleiro das Trevas verem o ator atuando no começo da década de 1980.

Ligação Perdida (2003, dir: Takashi Miike)


Também conhecido no Brasil pelo título de Uma Chamada Perdida, Ligação Perdida é o representante do cinema asiático na lista de filmes para ver nas férias. O longa é dirigido por Takashi Miike (Audição) e tem como protagonista a jovem Yumi (Ko Shibasaki, de 47 Ronins), que escuta a morte de sua amiga enquanto falava com ela ao telefone. A questão é que, dois dias antes, essa garota havia recebido uma chamada em que sua própria voz repetia as mesmas palavras que ela diria antes de morrer. Não demora muito para outros amigos de Yumi receberem chamadas parecidas e morrerem  de maneira trágica em seguida, levando a personagem a uma busca desesperada por respostas.

Disponível no YouTube, Ligação Perdida é um filme que assusta e impressiona com sua trama bem costurada, apesar de algumas bizarrices e um ou outro ponto confuso. Em 2008, foi feita uma refilmagem em Hollywood que acabou massacrada pela crítica - para se ter uma ideia, o longa tem 0% de aprovação no Rotten Tomatoes, site que agrega a avaliação dos críticos de cinema. 

Por Trás da Máscara: O Surgimento de Leslie Vernon (2006, dir: Scott Glosserman)


Por Trás da Máscara: O Surgimento de Leslie Vernon é uma divertidíssima homenagem do diretor Scott Glosserman ao subgênero slasher, que conta ainda com participações especiais de Robert Englund, o Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo (1984); Zelda Rubinstein, intérprete da médium Tangina em Poltergeist: O Fenômeno (1982); e Kane Hodder, que viveu Jason Voorhees em alguns filmes da franquia Sexta-Feira 13 (1980-2009)

No enredo, Leslie Vernon (Nathan Baesel) é um aspirante a serial killer que tem como meta deixar um legado de sangue e horror comparável aos de Jason Voorhees, Freddy Krueger e Michael Myers (que realmente existem no universo do longa). Enquanto planeja suas ações, Leslie tem seu dia a dia documentado pela estudante de Jornalismo Taylor Gentry (Angela Goethals, de Esqueceram de Mim) e seus dois câmeras.

O mais interessante de Por Trás da Máscara é o fato de ele permitir ao espectador o exercício contrário: em vez de ver tudo pelos olhos das vítimas, o roteiro parte da perspectiva do vilão, que revela suas táticas e ideias para o grupo de documentaristas. Mesmo assim, nem tudo é o que parece e o roteiro guarda algumas surpresas nesse para o espectador.

Juan dos Mortos (2011, dir: Alejandro Brugués)


Quando uma doença misteriosa se espalha por Havana, capital de Cuba, as pessoas começam a se transformar em zumbis sedentos por carne humana. Em meio ao caos, Juan (Alexis Díaz de Villegas, que é a cara de John Turturro, seu colega de profissão americano) e seus amigos encontram uma maneira de lucrar com a situação: eles montam um grupo de extermínio de mortos-vivos e passam a cobrar pelo serviço - se algum parente estiver tentando te devorar, basta chamá-los.

São deliciosos 92 minutos de zumbis sendo destroçados por tacos, estilingues, pedaços de antenas de TV e um arpão de pesca, de piadas descompromissadas no melhor estilo besteirol e sátiras políticas. A produção, uma parceria entre Espanha e Cuba, venceu a categoria de Melhor Filme Íbero-Americano dos prêmios Goya (o equivalente ao Oscar do cinema espanhol). Leia aqui nossa crítica.

Cuidado com o Slenderman (2016, dir: Irene Taylor Brodsky)


Se Slender Man - Pesadelo Sem Rosto (2018) foi um dos piores filmes do ano, o documentário da HBO Cuidado com o Slenderman surpreende pela qualidade. A obra explora o assustador caso de duas garotas de 12 anos que esfaquearam uma colega de sala 19 vezes em uma floresta do estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. A intenção era matar a menina como forma de sacrifício ao Slender man, criatura fictícia que surgiu na internet em 2009 e rapidamente tornou-se uma lenda urbana.

Em quase duas horas de documentário, a diretora Irene Taylor Brodsky oferece um olhar perturbador sobre transtornos mentais e a influência da internet nos mais jovens em uma história capaz de deixar qualquer um incomodado.

Mara (2018, dir: Clive Tonge)


Mara é um filme que passou batido em 2018: além de rejeitado pela crítica, foi pouco comentado pelos fãs de terror. Uma pena, já que, apesar do desfecho horrível, o longa de estreia do diretor Clive Tonge oferece um bom exemplar do gênero que assusta na medida certa.

Com um quê de A Hora do Pesadelo (1984), Mara  traz a história de uma psicóloga criminal interpretada por Olga Kurylenko (007 - Quantum of Solace) que, ao investigar uma morte misteriosa, se depara com a lenda de um demônio (vivido por Javier Botet, o Homem Torto de Invocação do Mal 2) que causa paralisia de sono em suas vítimas e depois as mata. 

O filme tem ao menos uma cena perturbadora que vai incomodar na hora de dormir: é difícil descrever o alívio que senti ao acordar de madrugada e perceber que conseguia me mexer. 

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