Crítica: O Enigma de Outro Mundo (1982) - Sessão do Medo

29 de junho de 2012

Crítica: O Enigma de Outro Mundo (1982)


Esse mês um dos maiores clássicos do terror completou 30 anos, o espetacular O Enigma de Outro Mundo de John Carpenter. Filme obrigatório na lista de qualquer fã do terror que se preze. John Carpenter teve a idéia de recriar a história original de um livro chamado "Who Goes There", que já havia sido adaptado para o cinema com o filme O Mostro do Ártico de 1951, mesmo os dois filmes tendo o mesmo nome em inglês, O Enigma de Outro Mundo não é um remake e sim uma releitura e readaptação do conto original. Eu não assisti a versão de 51, mas é certo que O Enigma é superior. Os efeitos, o clima, tudo é bem trabalhado e bem executado. Não é a toa que John Carpenter é tratado como um mestre do terror, tanto em O Enigma quanto em Halloween e outros filmes do diretor mostram que o cara entende bem a construção de clima de suspense e terror e efeitos práticos e eficientes.

Se eu fosse fazer uma dessas listas bobas que costumo fazer aqui no Blog quando to sem assunto e o tema fosse Clássicos que não envelheceram e só melhoraram com o tempo, o primeiro filme que me viria à cabeça seria esse, junto com O Massacre da Serra Elétrica, Alien e outros. A reação de quem assistiu o filme em 1982 e de quem assiste hoje em dia deve ser a mesma, talvez o público de hoje em dia fique até mais impressionado, onde só o que se vê nos filmes atuais são efeitos digitais computadorizados pra lá e pra cá.


Eu mesmo tendo assistido esse filme ainda criança nas madrugadas da Globo e do SBT e depois tendo assistido várias outras vezes ainda fico impressionado como esse filme é bem feito, seja nos efeitos especiais, no clima de suspense, no desenvolvimento da história, tudo é muito bem construído e executado.

O enredo do filme pra quem não tá familiarizado se passa na antártica em uma base de pesquisas, afastado de tudo e no inverno rigoroso, onde o grupo é surpreendido por um cara em um helicóptero atirando e tentando a todo custo matar um cachorro que corre pela neve. O homem descontrolado até chega a atirar nos pesquisadores e acaba sendo morto por um deles.


O cão sai intacto e é levado ao canil onde se junta aos outros cães. O quê os americanos não sabem é o motivo dos noruegueses tentarem matar "o cão" que na real é um alienígena que pode imitar qualquer tipo de ser vivo, absolvendo o DNA. O clima de paranoia cai sobre o grupo, pois ninguém sabe quem é o alienígena, nem quem continua humano, gerando conflito entre eles.

John Carpenter trabalha bem o clima de paranoia, claustrofobia e terror do filme. Assim como os personagens não sabemos quem do grupo é o Alienígena e quem é humano, isso deixa um clima pesado de tensão no ar, algo que é explorado até o final do filme. Outro lance bacana é as soluções criativas que o roteiro toma. Se o grupo está isolado com um alienígena que está matando um a um, por quê eles não metem o pé da base e vão para uma área segura?! Ai que está a solução criativa, como ninguém sabe quem é quem seria perigoso deixar a base e ir para uma área populada, já que o organismo poderia dominar a humanidade copiando todos. Em uma das muitas cenas fodas do filme o personagem Mccreddy interpretado pelo excelente Kurt Russell comenta que se eles tiverem que morrer para salvar a humanidade, morreriam ali, mas a coisa morreria junto com eles.


O filme tem muita cena memorável e marcante, a cena do canil, a do desfibrilador e a do teste sanguíneo estão entre as melhores. Essa última é uma das cenas mais tensas e assustadoras da história do cinema. Sem exagero!

O único defeito do filme, nem chega a ser um defeito,  é a quantidade de personagens, o filme tem muita gente, é difícil saber de cara quais são os personagens e fica mais difícil se importar com eles, tirando o Mccreddy que tem mais destaque se destaca no meio deles.

Os efeitos especiais do filme são espetaculares. A criatura toma várias formas no filme e cada forma é melhor que a outra, nem dá pra dizer qual a melhor. Eu tinha comentado que John Carpenter sabe criar efeitos práticos e isso é provado em várias cenas, onde o diretor usa a criatividade pra criar cenas difíceis, onde qualquer diretor nos dias de hoje jogaria um CGI fudido em cima. A cena onde a coisa pula e fica presa no teto é muito bem feita e gravada de forma simples com um simples truque de câmera que grava invertido e não é só nessa cena que o diretor usa a criatividade não, tem muita cena no filme que ficaria um desastre se não fosse comandada por um diretor talentoso como o Carpenter.

Quando o filme estreou lá em 1982, não fez muito sucesso, mas acabou virando um cult e é um dos filmes mais apreciados pelos fãs de terror e sci-fi e cinema em geral. Melhor assim, se o filme fizesse um grande sucesso ia gerar muita continuação banal e inferior ao original.

O desfecho deixa um grande final em aberto, onde o clima de paranoia continua mesmo depois que o filme acaba. Afinal a coisa morreu mesmo ou um dos dois não era quem dizia ser? Sei não!

Destaque também pra trilha sonora, como sempre nos filmes do Carpenter está excelente e ajuda acriar o clima de suspense que é um dos pontos altos do filme.

Se você ainda não assistiu, corre atrás e conheça um dos maiores clássicos do terror e sci-fi e um dos filmes mais tensos e assustadores já feitos e pra quem já viu assista de novo e de novo e continue apreciando um dos maiores clássicos do cinema.

Postado por: Marcelo