Crítica: Adorável Molly (2012) - Sessão do Medo

17 de agosto de 2012

Crítica: Adorável Molly (2012)


Eduardo Sanchez responsável pelo excelente filme A Bruxa de Blair, foi também o responsável por trazer a tona duas das técnicas mais usadas em Hollywood atualmente, a filmagem em primeira pessoa e o terror psicológico, fazendo uso de coisas que o público não sabe e não podem ver pra assustar e criar um clima tenso. Além de A Bruxa de Blair ele dirigiu também o fraco A Maldição da Sétima Lua e é o diretor desse filme chamado Adorável Molly, que anteriormente se chamaria The Possession, mas que teve o titulo alterado por causa do outro filme que também sairá esse ano. É até difícil dizer se é ou não um bom filme, tudo vai depender do ponto de vista de cada um.

O enredo segue os recém-casados Molly e Tim, que se mudam para a casa onde Molly morou quando era criança e que está vazia desde que o pai da moça morreu. Tim trabalha de caminhoneiro e fica muito tempo fora de casa e Molly, uma ex viciada em heroína e que teve uma infância perturbada é deixada sozinha no local a maior parte do tempo. Ela começa ouvindo barulhos, portas batendo, mas depois as coisas vão piorando. Molly começa a ficar completamente perturbada e agressiva, a irmã e o marido se perguntam se ela voltou com as drogas e ninguém acredita nela, levando ela cada vez mais a loucura, onde aos poucos ela parece ser dominada por algo que pode ou não ser sobrenatural.

Olhando o enredo parece ser um simples filme de assombração ou possessão, mas é muito mais do que isso. O ponto mais alto do filme é não saber o que de fato acontece com a personagem e o roteiro explora isso a fundo até o final. Além de deixar muita coisa em aberto para teorias serem criadas em cima. Qual a relação do que tá acontecendo com a infância dela? Seria abstinência por causa da falta de drogas? A casa é assombrada mesmo? Molly é louca ou tem dupla personalidade? Pois é isso que dá força ao suspense do filme, não saber o quê pode de fato tá acontecendo, deixando os sustos de lado e focando principalmente na atuação da atriz que faz a protagonista. O filme foge do convencional "filme rotulado" no estilo filmes como Atividade Paranormal e O Último Exorcismo, onde o público sabe de cara o que esperar de tais filmes.


O diretor parece bem confiante na narrativa da história e momento nenhum ele apela para sustos fáceis ou explicações bobas, ele conduz o filme inteiro de forma lenta, mas dando foco ao suspense e não é qualquer um que faça isso hoje em dia.



A técnica de filmagem amadora também é usada em algumas cenas, onde Molly tenta gravar o que acontece quando tá sozinha para provar que não é louca. As cenas das filmagens poderiam ter sido um pouco mais explorada no filme, mas é completamente superficial e não tem motivos para estar no filme, se salva apenas algumas cenas bizarras onde a moça sai gravando com visão noturna.


Tem também alguns cenas muito bizarras como aquela em que a câmera capta ela no trabalho tirando a rouba e se batendo na parede como se tivesse sendo comida pelo homem invisível, além da cena em que ela morde a boca do marido e não solta até sair sangue pra cacete. 



Gretchen Lodge tá excelente, ótima atuação, boa parte do tempo ela atua sozinha e é impossível não notar como ela se transforma no decorrer do filme. O conceito da assombração ser uma manifestação psicológica para um abuso de infância é criativo a beça e o final deixa coisas sem explicação e em aberto para o público desvendar.



Uma boa surpresa de 2012, mesmo não sendo um dos melhores desse ano, merece ser conferido, principalmente por quem curte um terror descompromissado e que foge um pouco dos padrões atuais.

Postado por: Marcelo