Crítica: O Último Trem (2008) - Sessão do Medo

16 de outubro de 2012

Crítica: O Último Trem (2008)


Lançado em 2008 nos EUA e 2009 no Brasil direito em DVD, O Último Trem é um daqueles casos de filme excelente que não consegue o reconhecimento merecido por parte do público. Ele entra facilmente na lista dos melhores filmes do seculo 21, junto com vários outros conhecidos e não conhecidos dentro do gênero. O Último Trem é baseado em um dos contos da série de livros Books of Blood do escritor Clive Barker (Hellraiser, Candyman, Mestre das Ilusões...). Não conheço nenhum dos livros, mas qualquer fã do gênero tá ligado que o cara é um dos mestres do terror na linha do Stephen King e ter um filme baseado em um dos seus contos já é um bom motivo pra ver tal filme.


A história é focada no fotografo Leon, interpretado por Bradley Cooper de Se Beber não Case. O trabalho de Leon é captar paisagens de coisas cotidianas como pessoas andando pela rua e a violência urbana das grandes cidades.  Maya a namorada de Leon consegue o encontro entre ele e uma moça chamada Susan (Broke Shields) que faz uma proposta de divulgar o trabalho de Leon em uma exposição artística se ele conseguir mais fotos da violência urbana e criminalidade que ocorre na cidade. Leon topa a proposta e decide ir para lugares onde pessoas são assaltadas como o metrô para captar a violência que acontece por ali. Uma noite passando pelo metro se depara com um grupo de marginais atacando uma moça. Ele tira foto do grupo e consegue evitar que a ela seja estuprada pelos marginais. A moça agradece e entra no trem, sem saber que seria sua ultima viagem, onde é morta dentro do vagão por Mahogany.

Na manhã seguinte Leon vê no jornal que uma modelo está desaparecida e identifica como a moça do metrô. Intrigado com o desaparecimento da moça ele decide voltar ao local e encontra um sujeito estranho de cara fechada (o tal Mahogany), sempre com uma maleta ao lado e decide investigar o cara, seguindo ele, tirando fotos e Leon fica obcecado, seguindo o sujeito por todo o lado e se envolvendo em situações perigosas, ele descobre que o tal sujeito mata pessoas dentro do trem no último vagão da noite e o mais estranho de tudo é que ele descobre que a vários anos muitas pessoas desapareceram da mesma forma no metrô e nunca mais foram encontradas. Cada vez mais obcecado ele tenta desvendar o mistério por trás dos assassinatos e fica cada vez mais perto de ser a próxima vitima do assassino.


O filme é bem conduzido, envolvente e com um suspense bem trabalhado, em alguns momentos perde o ritmo e se torna arrastado, talvez por ser uma extensão de um conto de poucas páginas, mas não deixa de pender a atenção do expectador durante todo o desenrolar da trama. A trama foge do convencional e é livre de clichês conhecidos. Os personagens e os atores estão bem, mesmo não se destacando tanto, conseguem passar carisma e simpatia pra quem assiste, nada de jovens burros e maconheiros querendo transar. Bradley Cooper tá muito bem como protagonista, assim como Vinnie Jones como o assassino, mesmo sem dizer uma palavra ele faz o personagem se destacar.
As cenas de violência estão excelentes, vi muita gente falando do sangue digital e tais, mas não tem como negar que todas as mortes do filme são lindas demais de se ver. O diretor é criativo em várias das cenas de morte, destaque para aquela em que vemos tudo pelo ponto de vista de uma das vitimas, até a cabeça sendo cortada e rolando pelo vagão. Tem também o mano do Sam Raimi, Ted Raimi sendo acertado na cabeça e o olho pulando na tela. Muita dessas cenas ficariam espetaculares em 3D, a cena do globo ocular do cara saído parece que foi feita pra ser vista nesse formato.

O diretor é ousado na violência. Não sei o quê foi exibido nos cinemas, já que a versão que circula em DVD no Brasil é a versão do diretor, mas cenas como aquela que mostra detalhes do assassino tirando partes do corpo, arrancando os olhos, os dentes, as unhas e pendurando os corpos em ganchos como se fossem carne de açougue é algo que raramente é visto no cinema americano atual. Além de ousar da violência, o diretor também faz um jogo de câmeras bacana que deixa o filme ágil, como aquelas em que a câmera corre pelos vagões do trem e as que simulam um ponto de vista de um personagem.

A mistura de estilos diferentes da força ao filme. Nem todos vão curtir o final, nem o desfecho surpresa, coisas que eu considero o ponto alto do filme. O final é completamente inesperado e fecha o filme com chave de ouro, muitos vão falar que é sem sentido ou tosco, mas tudo vai depender do ponto de vista.
O filme quase foi lançado como "O Comboio dos Mortos" em DVD, mas teve o título alterado para O Último Trem. O mais certo seria algo como "O Trem de Carne da Meia Noite". Em Portugal o filme se chama "Carnificina no Trem da Meia Noite". Bacana né? Dentre as curiosidades do filme está a primeira cena que na real seria a ultima. Quando o filme acaba é só juntar a ultima com a primeira cena e você descobre o quê acontece depois que o passageiro acorda dentro do trem.

O Último Trem está entre os melhores filmes atuais, pena que não tenha o reconhecimento que merece por parte do público. É um filme que merece ser visto e lembrado por quem curte filmes de terror. Quem não assistiu procura que vale a pena.

Postado por: Marcelo