Crítica: O Massacre da Serra Elétrica - A Lenda Continua (2013) - Sessão do Medo

17 de maio de 2013

Crítica: O Massacre da Serra Elétrica - A Lenda Continua (2013)


Sem dúvida alguma o clássico O Massacre da Serra Elétrica de 1974 é um dos filmes mais importantes de todos os tempos no gênero terror, filme que deu o pontapé em várias produções envolvendo assassinos em série matando um grupo de jovens. Mesmo que o filme dirigido por Tobe Hooper seja um dos maiores clássicos do cinema, a franquia não teve sorte com as continuações, que mesmo divertidas variam entre aceitáveis e ruins.  Os produtores e a Lionsgate, responsável pela franquia Jogos Mortais tiveram a ideia de fazer uma nova continuação, ignorando todos os 5 filmes que viram após o original, incluindo o remake e o prequel do remake. A ideia era fazer uma especie de continuação alternativa do filme original, assim como Halloween H20 fez, ignorando outras continuações.

O filme começa de onde o original parou, mostrando os eventos após Sally ter conseguido escapar da família Sawyer. Depois de escapar, ela informa a policia local sobre os eventos e a noticia se espalha, levando a fúria aos caipiras locais, que decidem fazer justiça por conta própria, colocando fogo e matando toda família, restando apenas um bebê, ou assim eles pensam.



Décadas se passam e o filme mostra Heather (Alexandra Daddario), trabalhando em um açougue de um supermercado, a moça é tal prima do Leatherface, que sobreviveu ao incêndio e acaba de herdar uma mansão no Texas de uma Avó que ela nem sabia que existia e sem saber sobre os eventos que ocorreram no Texas, em que a familia Sawyer, incluindo sua Mãe biológica, foram mortos pelos moradores locais.  Descobrindo que é adotada, ela discute com os pais adotivos e decide ir  rumo ao Texas atrás da tal herança junto ao namorado Ryan (Trey Songz), a amiga safada Nikki (Tania Raymonde) e o  namorado corno da amiga chamado Kenny (Keram Malicki-Sánchez).


Após atropelar por acidente um sujeito chamado Darryl (Shaun Sipos) no posto de Gasolina, eles decidem dar uma carona para o cara. O grupinho é aquele tipo de personagem clichê dos filmes de terror, estereotipados ao extremo, bem diferente dos personagens do original. Chegando ao local o grupo tem a ideia brilhante de ir na cidade comprar comida, e deixam Darryl sozinho na casa, onde ele tira proveito para roubar todos os itens de valor do lugar. Ao vasculhar a casa, ele encontra uma grande porta de metal no porão da casa, fortemente trancada e faz de tudo para abrir, sem saber que ali vive Leatherface, que não gostou de saber que a casa está sendo habitada por outras pessoas, assim como alguns moradores locais.

Com um pouco mais de cuidado no roteiro e na produção o filme seria uma continuação digna do filme original. O filme começar de onde o primeiro parou foi um acerto e é incrível como o cenário é idêntico até nos mínimos detalhes com o filme de 1974. Temos ainda logo na primeira cena do filme,  Leatherface com a mesma mascara e roupas  usadas no final do primeiro e o vovô, que não foi esquecido (interpretado por John Dugan, mesmo ator do filme original). Além do Drayton Sawyer Pai do Leatherface, interpretado pelo excelente Bill Moseley (O Chop Top de O Massacre da Serra Elétrica 2). A mancada de roteiro, porém aparece logo nos primeiros minutos ao mostrar a família Sawyer, dessa vez formada por umas 10 pessoas, incluindo o Gunnar Hansen, numa ponta completamente desnecessária. No filme original a família era formado por 4 membros: Leatherface, o irmão Caroneiro, o Pai Drayton e o Vovô. De onde surgiram o restante da família? Essa é apenas a primeira de várias mancadas no roteiro.


O filme segue com uma outra mancada de roteiro, ainda pior. O filme se passa nos dias atuais, sendo que a sobrevivente Heather ainda bebê em 1974, tem uns 20 anos, quando deveria ter em torno de 40. Vários momentos ficam claros que o filme se passa nos dias atuais, as músicas tocadas no rádio e uma cena que mostra um dos personagens com um smartfone e outra com um maluco vestido de Jigsaw do Jogos Mortais.

O roteiro escrito por 4 pessoas, incluindo Adam Marcus, (in) Responsável pelo roteiro do péssimo Jason Vai Para o Inferno e Strephen Susco (O Grito), apresenta outro problema ao não desenvolver alguns personagens na primeira metade. A relação de Heather com os pais adotivos era algo que merecia mais destaque para justificar o desfecho da história. Tudo acontece muito rápido, a moça descobre que uma Avó distante e desconhecida morreu, descobre que é adotada e que os pais mentiram o tempo todo e parte em busca da herança com os amigos, sem nem ao menos ler o contrato, ou pesquisar a familia Sawyer. O desenrolar a partir do ponto em que o grupo chega a casa é como qualquer outro slasher conhecido. O grupo decide passar a noite na casa sem saber que ali mora um assassino. O desenrolar me lembrou mais os filmes da série Sexta-feira 13 do que os outros filmes do Massacre da Serra Elétrica. Dessa vez não temos mais uma família matando e torturando estranhos, dessa vez é apenas o Leatherface por conta própria. Quem achou que o personagem seria feito aos moldes do filme de 1974, completamente maluco, gritando e rindo das vitimas, se enganou, nesse ele parece mais o Leatherface do remake ou o Michael Myers do Rob Zombie. O visual também foi modificado, descaracterizando muito o personagem, que sempre será lembrado pela imagem do primeiro filme.


A violência e as cenas de morte superam o remake. Os efeitos de maquiagem e gore foram criados por Greg Nicotero e Howard Berger, responsáveis por quase todos os filmes da série, incluído o excelente O Massacre da Serra Elétrica O Inicio. Entre as melhores cenas tem uma em que um dos personagens é pendurado em um gancho ainda vivo e cortado ao meio pela moto-serra e outra que um outro personagem tem o rosto arrancado ainda vivo.

As cenas de perseguição e correria também são boas, algumas cenas conseguem ser tensas como aquela do ataque na Van, que é mostrado no trailer. O 3D é pouco eficiente são apenas umas 4 cenas que duram apenas alguns segundos na tela e que não fazem muita diferença.



Alexandra Daddario é a única que se destaca no elenco, além de ser a segunda protagonista mais gostosa da série, perdendo só para a Jessica Biel do remake. O restante do elenco estão divididos entre ruins e aceitáveis. Scott Eastwood (Filho do Clint Eastwood) merece o framboesa de ouro pela atuação nesse filme, fazia tempo que não via um ator tão canastrão e ruim quanto ele. 

O filme começa a se perder quando chega na parte final, quando o filme dá uma virada na trama e inova, embora o final seja bem diferente pros padrões de filmes de terror, ele acaba decepcionando exatamente por ser diferente do esperado, nesse caso o tipico final clichê seria bem vindo. Lembra do que acontece em The Tall Man? Pois é quase a mesma coisa. Um desfecho que vai surpreender ou decepcionar. Depois do desfecho apresentado to na torcida para que a noticia de mais seis continuações seja falsa. Parece que a Lionsgate quer transformar a franquia no novo Jogos Mortais do cinema.


Assim como aconteceu com O Exterminador do Futuro: A Salvação o único destaque do filme são as referencias ao filme original. A primeira cena é espetacular e a alguns rápidos momentos que homenageiam o filme original, como a tartaruga morta na estrada, pequenos detalhes que só são notados pelos fãs do filme original. A direção de John Luessenhop é segura e em alguns momentos se destaca como naquela cena em que Heather vê Leatherface pela primeira vez.

O Massacre da Serra Elétrica 3D é apenas mais um filme para a franquia, não cumpriu a promessa de ser uma continuação digna do filme original. É um filme com todos os clichês do gênero, um terror genérico desses que saem ao montes no genêro, bem diferente do filme impactante de 1974. O maior problema como foi comentado é o roteiro, que se fosse melhor escrito poderia sim render um bom filme. 

Obs: O filme tem uma cena pós-créditos, quem for ver no cinema pode ficar até o final da projeção

Postado por: Marcelo