Crítica: Colheita Maldita (2009) - Sessão do Medo

29 de junho de 2013

Crítica: Colheita Maldita (2009)


De todos os remakes de filmes famosos lançados atualmente Colheita Maldita foi um dos que mais passou despercebido. O filme estreou na TV no fim de 2009 e continua inédito no Brasil até hoje, junto com o recente Colheita Maldita: Genesis, lançados a alguns meses. O filme na verdade não é só um remake, mas também uma adaptação mais fiel ao conto original de Stephen King, reparando vários erros cometidos pela primeira adaptação.

O enredo é o mesmo do original e do conto: O casal Burt e Vicky viajam por uma estrada deserta no interior do Nebraska numa área rural. Depois de atropelar uma garoto na estrada, descobrem que o mesmo teve a garganta cortada minutos antes da batida, o casal então se dirigem até a cidade mais próxima, Gatlin, que está deserta a não ser pela molecada que mata todos os adultos que entram lá e oferecem ao deus pagão deles chamado de: "Aquele que anda por trás das fileiras" ou "Aquele que anda por trás da plantação", dá na mesma.

Uma das muitas diferenças com o filme de 84 é que a história dessa vez se passa no inicio dos anos 70. O filme começa em 63, logo na primeira cena dá pra notar que o filme é corajoso mostrando as crianças sacrificando um porco e cortando pra fazer sacrifício.



O filme é na verdade uma readaptação do conto original, mas também é um remake, já que algumas coisas foram copiadas do filme de 84. Entre elas algumas falas do Isaac e a famosa trilha sonora composta para o 1º filme.

Várias coisas se destacam nesse remake, uma delas é a fotografia, muito bonita, principalmente em alta definição, não parece nada com uma produção de TV, a qualidade da imagem é cinematográfica. Outro ponto de destaque é que eles trabalharam o clima do filme original de forma ainda mais eficiente, um dos erros do filme de 84 é mostrar logo de cara na primeira cena do filme o motivo de Gatlin estar deserta a não ser pelas crianças, tirando todo o clima de mistério que o filme poderia ter. Já nesse (assim como o conto) não é mostrado o motivo, aumentando o clima de suspense.

Algo que foi completamente cagado em relação ao filme de 84 é a escolha do elenco, eu tinha até comentado na critica do primeiro Colheita Maldita que a escolha de elenco daquele filme era muito boa, principalmente a dupla de atores que interpretam Isaac e Malachai, os dois são macabros pra caralho, já nesse os dois atores não conseguem dar destaque aos personagens, que mesmo com mais tempo na tela, não se destacam no filme. O moleque que interpreta o Isaac é muito fraco na atuação, chega a ser até engraçado. É só comparar a atuação desse moleque com a do John Fraklin pra ver a diferença, as ótimas falas dele no primeiro filme realmente pareciam falas de um fanático pregando aos seus fies  já nesse todas as falas do personagem soam vazias e sem graça, mesmo sendo as mesmas usadas no outro filme. O ator que faz a nova versão do Malachai também é muito fraco, no filme original ele parecia um assassino frio e agressivo, já nesse ele não passa isso. Tem até algumas cenas que ele parece ter medo do pirralho Isaac.

Os dois atores que interpretam o casal de protagonistas não são ruins, mas os personagens são insuportáveis, assim como no conto original eles ficam o tempo todo discutindo e brigando entre si, bem diferente do casal do outro filme.

O roteiro foi escrito pelo próprio Stephen King e é fiel ao conto nos mínimos detalhes. O diretor do filme é ousado e corajoso e não tem medo de criar cenas de violência contra crianças e até uma cena onde jovens fazem sexo numa igreja rodeada de crianças.


Assim como foi o caso de Carrie - A Estranha (2002), o filme é uma adaptação melhor que a versão original, mas que ao todo é inferior a versão anterior, em ambos os casos por conta das atuações inferiores aos outras versões. Outra parada que eu achei muito bacana foi o gancho deixado para uma possível continuação (Que nunca veio), explorando a personagem que é a namorada do Malachai, igual ao conto. Pela primeira vez na história da franquia "Aquele que anda por trás da plantação" foi apresentado de forma sutil e certeira, sem efeitos toscos, nem nada do tipo. 

Os fãs do conto As Crianças do Milharal, vão curtir a nova versão por ser mais fiel ao conto original do que a versão de 84, mesmo que seja inferior ao filme de 1984 devido as atuações.

Postado por: Marcelo