Crítica: Uma Noite de Crime (2013) - Sessão do Medo

23 de junho de 2013

Crítica: Uma Noite de Crime (2013)


The Purge é a nova produção da produtora Platinum Dunes, responsável pelas refilmagens de Sexta-Feira 13, A Hora do PesadeloO Massacre da Serra Elétrica, entre outros... O filme é o primeiro da produtora a apresentar uma história inédita sem ser uma refilmagem. O filme é também um dos filmes com o menor custo já feito pela produtora, custou apenas US$ 3 milhões de dolares e faturou US$ 53 milhões apenas 11 dias depois da sua estreia, passando a bilheteria de alguns filmes da produtora. Sendo um dos filmes com maior custo/beneficio feito pela produtora e o resultado não podia ser outro, uma continuação confirmada.

O filme ainda não tem data para estrear no Brasil, mas já teve o título alterado de O Expurgo (Que seria a tradução exata de The Purge), para o tosco Uma Noite de Crime (!) Mais um título zoado das distribuidoras brasileiras, por sorte não mudaram para "Os Vizinhos do Barulho" ou "Uma Turma da Pesada".

A premissa de The Purge é criativa, o filme é ambientado em 2022 e mostra uma família que decide se proteger do tal expurgo anual, uma noite em que todo e qualquer tipo de ação fora da lei, como assassinato, estupro, assalto e qualquer outro tipo de crime é permitido sem que isso tenham conseguências e punição legal para a pessoa que participar. O expurgo acontece só uma fez por ano, num período de 12 horas. A casa da tal família é fortemente protegida por um sistema de segurança de alta tecnologia, nada poderia dar errado, até que o filho mais novo da família decide ajudar um sujeito que pedia ajuda na rua e está sendo perseguido por um grupo de mascarados que participavam do expurgo. O grupo cerca a casa e pede para que a família entregue o estranho, ou eles invadiriam e matariam todos os membros da família. É nesse momento que a família fica indecisa em fazer o que é certo, participar diretamente do assassinato de um estranho ou lutar para sair vivos no período de 12 horas.


O primeiro trailer divulgado me deixou na expectativa, e como sempre isso nunca é bom. The Purgue é ruim? Não mesmo! Porém a premissa e o trailer prometiam demais e entregaram de menos. Quem esperava um filme tenso ou violento ficou a ver navios. A sensação que e tive ao terminar de ver o filme foi de que uma ótima ideia tinha sido mal executada. O filme tem muita cena espetacular de ataques, tiros e luta corporal, mas não consegue criar um clima de suspense que se sustente durante toda a produção. Temos uma cena aqui, outra ali com um pouco de suspense, mas ao todo é irregular.

O grande destaque ficou por conta dos dilemas dos personagens e a dúvida em entregar ou não o sujeito aos assassinos para se salvarem. Embora não tenha pretensão nenhum em criar debates, o filme deixa aquela pergunta no ar "Se o crime fosse legalizado você praticaria?". Na parte final a idéia pareceu uma critica aos motivos do ser humano praticar crimes por motivos tolos.


O elenco conta com dois nomes conhecidos, Ethan Hawke (de A Entidade) e Lena Headey (Dredd). Os dois estão bem em cena, com destaque para Lena Headley, como sempre mostrando o quanto é boa (em todos os sentidos). Os personagens são rasos, o roteiro não desenvolve nenhum deles, talvez por isso que não tenha criado embatia com nenhum. O filme entra no clichê batido de personagens bonzinhos se salvando de qualquer situação. Perdi as contas do número de cenas em que algum mascarado vai matar algum membro da família e chega outro e começa a atirar neles. A cenas de confronto são espetaculares, só que chega uma hora que tudo parece repetitivo demais e quando chega ao final o filme perde a força. A parte final que deveria ser a mais tensa do filme inteiro é a mais fraca e sem emoção, com uma reviravolta desnecessária.

Ao todo The Purge é só um bom filme, com um ótimo argumento que poderia ser melhor usado, se focasse mais na violência e no suspense.

por Marcelo Alves

Título Original: The Purge
Ano: 2013
Duração: 103 minutos
Direção: James DeMonaco
Roteiro: James DeMonaco
Elenco: Ethan Hawke, Lena Headey, Adelaide Kane, Max Burkholder