Crítica: Raze (2014) - Sessão do Medo

14 de janeiro de 2014

Crítica: Raze (2014)


Algo que anda faltando muito em Hollywood, além da criatividade, é a audácia, nos últimos anos o cinema foi suavizado para atender um publico maior, nos anos 70 eram lançados filmes bizarros, violentos e malucos, que logo se tornaram cult. Hoje em dia falta um pouco disso, filmes como Battle Royale deram lugar a Jogos Vorazes, feito para entreter um grande público com uma faixa etária baixa e violência inexistente. Felizmente, os bons filmes que restaram no cinema atual são aqueles que passam batidos pelo grande público, aqueles que nem chegam a passar nos cinemas e estão destinados ao mundo dos downloads e o bate boca de alguns blogs ou sites. Começamos o ano com o maior exemplo disso, Raze, dirigido por Josh C. Waller e roteiro de Robert Beaucage, e estrelado pela não tão conhecida Zoe Bell, que havia sido dublê de Uma Thurman nos filmes do Kill Bill. O filme é exatamente aquilo que estava sendo prometido antes de ser lançado: Uma mistura de O Albergue com Clube da Luta, mas vai bem além disso.

Já notamos os méritos do filme pela cena de abertura, onde somos levados a crer que uma personagem será protagonista da história (Rachel Nichols, ainda mais gata morena!!), mas logo descobrimos que a bola da vez é a personagem Sabrina (Zoe Bell, a moça invocada do poster). Uma prisioneira em um local cheio de mulheres que são forçadas a lutar entre si até a morte, com a promessa de serem libertadas. Se alguma se recusar a lutar, a família é morta do lado de fora daquele local. Tudo que acontece lá dentro é monitorado, gravado e exibido na internet, no mesmo esquema de Temos Vagas. A partir dessa premissa conhecemos um pouco de cada personagem, sem flashback, nem nada do tipo, a vida de cada personagem é contado por meio de curtos diálogos. A protagonista Sabrina, luta pela vida dela e da filha. O local é propriedade de um casal de empresários que acham estar castigando cada prisioneira pelos seus pecados, no esquema do Jigsaw do Jogos Mortais


O lance de mercado negro e realidade escondida sempre dão bons resultados no gênero, filme que apresentam uma realidade não muito longe da nossa são o ponto alto no gênero terror. Filmes como O Albergue, Martyrs, que mostram a irracionalidade e crueldade humana são mais assustadores que qualquer filme nesse gênero. 

O resultado de Raze é bom, não chega nem perto dos dois filmes citados, mas é um filme digno de ser apreciado. Um filme brutal, violento e que não poupa o expectador. As cenas de luta são brutais, do jeito que deveria ser, porradaria de primeira, mais brutal que Clube da Luta. A ambientação lembra muito o cenário da fabrica abandonada de O Albergue, deve ser por isso que o filme tava sendo prometido como uma mistura de Clube da Luta com O Albergue, mesmo com a brutalidade das lutas, Raze não consegue chegar a altura de nenhum dos dois filmes pelo desenvolvimento da história, que simplesmente jogas cenas na tela sem um roteiro bem trabalhado. As cenas de violência compensam e muito a falta de desenvolvimento do enredo. Ver as personagens lutando até a morte é melhor que ver UFC Combate


O ponto baixo do filme fica por conta do desfecho da história, pessoalmente não curti o desfecho da história. A parte final intitulada "Sabrina Vs. Todo Mundo" é o ponto alto do filme, cena espetacular e com um clímax acertado, é uma pena que o desfecho estrague tudo.

Ao todo, Raze é um filme que merece uma conferida, é superior a vários filmes que andam se destacando ultimamente, tem alguns problemas no enredo por não ser bem trabalhado como deveria, mas é compensado pelas cenas de combate físico entre as personagens.

Postado por: Marcelo