Crítica: O Espelho (2014) - Sessão do Medo

22 de junho de 2014

Crítica: O Espelho (2014)


Eu costumo ter uma certa queda por filmes de terror ruins. Mas não é mal gosto. É simplesmente por que gosto de criticá-los, de expor minha opinião sobre ele, citando seus prós e contras. E após A Marca do Medo (mais conhecido como The Quiet Ones) e Animal, resolvi fazer a crítica deste filme que, para muitos, era um dos mais esperados do ano. Mas, sinceramente, eu previa uma bomba de clichês, história que tentava - sem êxito - criar um elo com os espectadores e atores meia-boca. Mas, de certa forma, me surpreendi.

A história acompanha dois irmãos, Tim (Brendon Thwaites) e Kaylie (Karen Gillis). Tim acabou de sair de um hospital psiquiátrico, onde estava desde os 12 anos, quando seus pais morreram de forma inexplicável. Agarrado à teoria mais lógica, Tim acaba sendo convencido por Kaylie a investigar a morte dos pais, por que, ela acredita que o responsável por elas é um antigo espelho comprado pela mãe na época. Porém, ao tentarem descobrir o mistério por trás do espelho, os irmãos descobrem da pior maneira o que ele realmente é.


Você vê o que ele quer que veja. O slogan do filme resume de forma simples todo o filme. Durante toda a projeção, os irmãos se veem em uma confusa batalha contra suas próprias personalidades. E é assim que O Espelho é: confuso. Nada é o que parece no filme, e às vezes você se perde em tantas reviravoltas. Porém, o interessante que tudo flui exatamente como foi prometido. O filme mostra exatamente quem é o espelho.

O filme alterna entre as cenas da época da morte dos pais de Tim e Kaylie e a busca pela verdade nos dias atuais. No começo, é fácil se perder, mas uma vez que você entende a história, fica mais fácil de acompanhar. Apesar de nem se comparar a qualidade entre os filmes, Oculus me lembrou de filmes como Amnésia (2000), construindo uma história como um quebra-cabeça.

O espelho transmite um estilo de viagem contra as leis da física estilo Além da Imaginação. Tudo se torna confuso, e uma planta pode se tornar uma cama (exemplo) quando você chega perto do espelho. Como sendo um filme de terror, achei que O Espelho somente tem o próprio como o principal ponto forte. A história é boa e é dividida entre dois espaços temporais diferentes, unidos ao final do filme. O elenco é ótimo. Porém, achei o filme muito... "raso", deixando o espelho como meu personagem favorito.


Alguns consideram o final surpreendente ou chocante, porém, eu achei decepcionante (e não sou o único). Apesar de ser condicente com a história e mostrar exatamente o que o filme propôs, o final é sim desapontante. E foi uma coisa que queria comentar, o que o filme propôs. O primeiro poster divulgado do filme (esse aqui) mostra a personagem de Karen Gillian com "mãos" formada pela sua pele sobre seus olhos, dando a impressão que a atriz não tem olhos. Fica tudo mais claro após assistir ao filme que o espelho te cega e sua visão vira a dimensão alternativa criada pelo espelho, o que explica melhor o título original do filme, Oculus, tratando o espelho como uma espécie do mesmo.

Por fim, O Espelho é um filme recomendado. Claro que devido às minhas expectativas, o filme me decepcionou um pouco, pois de certa forma imaginei a história de uma outra forma. Porém, O Espelho tem seus pontos fortes, que podem funcionar para aqueles que vão assisti-lo sem muito o que esperar. Até a próxima!

por Neto Ribeiro