Critica: A Volta dos Mortos Vivos 4 - Necropolis (2005) - Sessão do Medo

25 de julho de 2014

Critica: A Volta dos Mortos Vivos 4 - Necropolis (2005)


Quando os mortos andam... Os vivos correm!

Resgate de uma franquia. Essa é a definição para a 'Volta dos Mortos Vivos 4 Necropolis'. O filme foi feito em 2005, 12 anos depois da terceira parte que teve criticas negativas pelo roteiro cheio de furos e a sua mudança no estilo com relação aos dois primeiros. É uma pena dizer que esse resgate não foi bem sucedido, digo isso porque estamos falando do pior filme da franquia até aqui. Quem já não gostou do 3, então o que dizer desse... Vai odiar.

A história acompanha Julian que teve seus pais mortos num acidente de carro (sendo essa a introdução do filme), junto com seu irmão caçula, vão morar com o seu tio Charles (Peter Coyote numa de suas piores atuações) que trabalha na empresa Hybra-Tech. Curiosamente o Charles trabalha numa área envolvendo os tambores com o gás tóxico que trás os mortos de volta a vida. 

Julian tenta seguir com a sua vida, tem seus amigos que adoram esportes como corrida de moto e saltos radicais. É num desses saltos que o melhor amigo de Julian, Zeke (que parece mais um rival, aquele típico amigo que diz "Eu sou seu amigo, mas fica longe da minha garota") sofre um acidente e fica inconsciente. A partir desse momento, começa uma série de situações absurdas que o telespectador é obrigado a engolir até o fim do filme.

Primeiro, Zeke não vai para o hospital... Ele vai para a Hybra-Tech e os
médicos dizem aos amigos dele que ele morreu com o acidente. Quando Julian liga para Katie dizendo que Zeke está morto, Katie afirma que ele não está e que ele estava na Hybra-Tech pois ela estava o vendo naquele momento na câmera de vigilância da empresa. Ah sim, não mencionei que a Katie trabalha como segurança da Hybra-Tech, muito oportuno para a trama do filme, mas isso é um mero detalhe. Tudo isso soa muito... Conspiracionista, não é mesmo?

O fato é que após essa revelação de que Zeke estaria vivo, o grupo resolve partir para um resgate, acreditem se quiser, mas o hacker do grupo consegue entrar no site da organização multinacional roubando a senha de 15 dígitos em apenas 2 minutos. Aqui o protagonista Julian começa a dizer as bobagens que vão ser o marco dele até o fim do filme, ele diz "A Hybra-Tech é dona das ambulâncias e hospitais. Ela pode roubar pacientes e ninguém jamais ficará sabendo"... Nesse momento temos direito a um videoclipe super tosco do grupo se preparando para o salvamento no melhor estilo espião, eles conseguiram até a planta da instalação que pretendem invadir. É nesse momento que me deu vontade de desligar a TV e ir ver o videoclipe dos mortos saindo das sepulturas na parte 2 que com certeza é disparadamente melhor.  


Ao chegarem no local combinado, o grupo se depara com dois mendigos que haviam virado zumbis devido ao vazamento do gás da empresa pelo duto de ar até o local em que eles estavam. Esses zumbis repetem várias vezes a palavra 'cérebro', você fica irritado com isso, parece que eles só sabem dizer 'cérebro, cérebro, cérebro, cérebro', não que nos outros filmes não tivesse isso, mas aqui realmente é irritante. Pelo menos o filme trouxe a clássica fala "Mandem mais policiais", dita por um zumbi em um determinado momento... Bom, voltando aos mendigos zumbis. Você mataria um mendigo que anda lentamente em sua direção falando 'cérebro', sem lhe atacar mesmo estando perto de você?... Eles matam, os zumbis não dão nenhum motivo. Então você já sabe, se você sair na rua dizendo "cérebro", você corre um sério risco de ser assassinado com um tiro na cabeça. 


Com a ajuda de Katie que fica monitorando todos os seus movimentos, o grupo começa a seguir instruções para entrar na empresa pelos dutos de ventilação. Pasmem, para a nossa surpresa, o irmão caçula de Julian, o Jake, já estava lá. Um menino de 12 anos conseguiu invadir uma empresa internacional sem ser visto por ninguém. O que dizer disso?... Tudo bem (Hahaha). 

Dentro da empresa o grupo também se encontra com o tio Charlie que os leva até Zeke, nesse caminho eles ficam sabendo da existência dos zumbis trancados na instalação. O grupo da um tiro na cela e libertam Zeke, daí eles vão para uma sala onde descobrem duas coisas 'importantes', uma é o motivo da empresa estar trabalhando em cima dos tambores e dos zumbis, e acreditem quando digo que não podia ser nada tão grandioso como esse, segundo o tio Charlie, isso tudo é para "Dominar o mundo!" srsrs Mas não para por aí, sem motivo algum para falar sobre isso exceto fazer a subtrama do protagonista mais chato da franquia, Julian pergunta sobre o que aconteceu de fato com os seus pais. O tio só afirma que eles estão na sala das Bio armas, é uma subtrama que aparece para deixar tudo num tom mais debochado de tão ridículo que é, mas o filme ainda tenta ser sério. É justamente isso que faz o filme soar tão... Ridículo, uma coisa assumidamente debochada poderia dar mais certo assim como deu na parte 2. 

Num descuido do grupo o Charlie foge. Ao tentarem abrir a porta por onde Charlie fugiu, o grupo acaba liberando todos os zumbis da empresa (?). É aí que vemos os outros trabalhadores da Hybra-Tech, sendo devorados pelos zumbis, até esse momento, a impressão que se tem é que só o tio Charlie trabalha ali. 

Julian resolve ir até essa sala das Bio armas para pegar os seus pais, que cara irritante, e para isso ele precisa enfrentar os zumbis que estão espelhados por toda a região. É inevitável que o grupo se divida. 

Durante esse tempo temos momentos bem malucos como Julian, Carlos e Cody lutando karatê contra os zumbis rsrs... É um momento quase '3 Ninjas do Barulho', se não fosse trágico por estar numa sequência de A Volta dos Mortos Vivos.

Uma parte até legal do filme é a que Zeke, após ser mordido no pescoço, se transforma num zumbi. Aqui Zeke aparenta ser um zumbi semelhante ao Joey do segundo filme. Ele é o morto vivo que mais fala e talvez o mais marcante no filme por não pensar só em comida e demonstrar uma certa inteligência.

Julian e Cody (Carlos morreu perdendo seu cérebro durante a luta) enfim chegam a sala das Bio armas. É uma porta comum, lá dentro 6 armas na parede e umas 10 em cima da mesa de madeira. Cody ainda tem a cara de pau de dizer "Da para fazer uma terceira guerra mundial com esse arsenal". Quem lê pensa que é verdade haha... Mas a pérola mais marcante fica por conta de Julian que finalmente encontra os seus pais. Eles agora são armas, o pai com uma metralhadora giratória na mão e a mãe com uma serra elétrica redonda. Não nego, eles estão mais bonitos que o Riverman da parte 3, da até para interligar alguma coisa com esses robôs. Poderiam render boas cenas no filme, mas infelizmente não é o que acontece... Julian diz "Eles foram transformados em armas com um único propósito... Matar!" hahahahaha. 


Repito, quem lê, pensa que é verdade. Enquanto Julian e Cody descem de rapel do ultimo andar da empresa, Becky e Jake brigam 'muito animados e sorridentes' contra os zumbis... Parece que estão jogando videogame, foi estranho demais, quer dizer, eram para eles estarem no minimo nervosos, afinal eles estavam cercados por zumbis que queriam comer seus cérebros, resultado da péssima atuação de Aimee Lynn Chadwick e Alexandru Geoana.

Mas enfim, aqui temos uma cena legal, Zeke mata Jake, geralmente em filmes assim, crianças sobrevivem como é o caso da parte 2, mas aqui nem elas são poupadas, além disso, outro ponto positivo do filme é a maquiagem muito bem feita, pena que isso se torna algo desinteressante. Tirando os amigos de Julian, todos os zumbis tem roupas de pacientes o que torna as cenas com eles bem comuns e repetitivas, chega um momento que você não quer mais ver zumbis seja pela repetição exagerada de "Cérebros" ou pela cor azul-verde da roupa de paciente que os mortos estão usando. 

Quando o grupo finalmente se reúne, é para enfrentar os pais de Julian e o Zeke Zumbi. Acreditem, Becky pega uma granada e joga contra o Pai\Robô\Zumbi de Julian e pronto. No total se o robô zumbi aparece em três minutos, é muito. Enquanto Cody e Becky brigam contra a Mãe\Robô\Zumbi. Julian briga com o Zeke Zumbi, mas como tudo no filme se resolve com granada, uma granada no bolso da camisa de Zeke acaba com a briga tosca, olhem só, o Julian só faltou dar mortal contra os zumbis pouco tempo antes, agora ele só sabe apanhar. Bem que ele merece, é o protagonista mais pastel que eu já vi nessa franquia. 

Com relação a Mãe\Robô\Zumbi, ela com sua serra atingiu os cabos de energia da empresa e morreu eletrocutada. Simples assim.

É nesse momento em que o exército chega com seu tanque de guerra e começa a matar os zumbis que não se decidem se morrem com um tiro na cabeça ou no corpo. Aliás, nessa cena, nós nem vemos os fogos das balas saindo das armas e nem dos buracos das balas fazendo nos zumbis. Os zumbis simplesmente se tremem como se estivessem levando tiros e caem no chão. 

O filme praticamente acaba nisso, o tanque passa por cima da cabeça da mãe robô de Julian e da um tiro no pai robô que explode em pedaços, mas não antes do zumbi dar alguns tiros nos heróis acertando Katie na barriga.

Depois a cena muda para o âncora de um jornal falando ao vivo sobre a Hybra-Tech e a sua 'fama' de sempre conseguir conter as epidemias de zumbis, é quando um zumbi do nada aparece e ataca o repórter. Fim.

Só pelo que você leu deu para notar que esse filme passa longe de uma obra prima ou da genialidade do primeiro filme, mas vale como diversão e passatempo sem compromisso. É um daqueles filmes que você tem que engolir as falhas e levar tudo na esportiva, mas se você não o ver, não vai perder nada. E definitivamente esqueça o seu cérebro na gaveta antes de vê-lo. Nota 03.



Direção: Ellory Elkayem
Roteiro: William Butler e Aaron Strongoni
Elenco: Peter Coyote, Aimee Lynn Chadwick, John Keefe, Jana Kramer, Cory Hardrict, Elvin Dandel.
Gênero: terror/comédia
Anos de Lançamento: 2005.
Duração: 88 Minutos.

Por: Michael Kaleel.