Crítica: Annabelle (2014) - Sessão do Medo

11 de outubro de 2014

Crítica: Annabelle (2014)


Depois do grande sucesso de público e crítica que Invocação do Mal teve ao ser lançado em 2013, não ia demorar muito pra logo aparecer uma continuação ou um Spin-off, pegando uma carona no sucesso, e agora, exatamente 1 ano depois de Invocação do Mal, saiu Annabelle, seguindo a premissa de objeto amaldiçoado, focado na boneca de mesmo nome, também presente no outro filme. Trata-se de uma produção feita as pressas e sem cuidado nenhum e bem diferente do filme do James Wan, Annabelle cai no clichê dos sustos causados pelo aumento repentino do som, os típicos jumpscares que são tão comuns em produções de hoje em dia.

Antes da produção ser rodada eu acompanhei alguns noticias sobre o filme, a mais noticiada era o lance do James Wan não ser o diretor, estando na produção apenas como produtor. O roteiro ficou a cargo de um tal de Gary Dauberman, puxando os antecedentes criminais do cara no IMDB, eu descobri que ele tinha feito 3 bombas antes do Annabelle,  Aranhas Assassinas (2007), Bloodmonkey (2007) e Swamp Devil (2008). Até ai tudo bem, foi anunciado que o diretor seria o mesmo diretor de fotografia que havia trabalhado em Invocação do Mal, que todo mundo sabe que foi um trabalho muito bem feito, todo o jogo de câmeras e fotografia ajudaram na construção de clima em Invocação do Mal, quando foi anunciado o nome do cara: John R. Leonetti, eu fiz o mesmo e fui caçar os outros trabalhos dele pelo Google e o IMDB. Descobri que assim como o roteirista, ele tinha bombas na carreira. Trabalhou como diretor em duas continuações sofríveis: Mortal Kombat 2: A Aniquilação (1997)Efeito Borboleta 2 (2006). Tendo essa dupla em mão a pergunta que ficava era: "Tem como sair coisa boa disso?" A resposta já é a esperada: NÃO! Annabelle é só mais um filme feito as pressas pra pegar carona no sucesso de outro filme. O mais decepcionante disso tudo, é que o filme tinha potencial, mas foi desperdiçado pela produção que fez o filme sem nenhum cuidado.



O filme é ambientado no final dos anos 60, onde somos apresentados ao casal Mia (Annabelle Wallis de Cidade Fantasma) e John (Ward Horton de O Lobo de Wall Street), os dois estão esperando o primeiro bebê e logo na primeira cena, John presenteia Mia com a tal boneca, já que ela é uma colecionadora de bonecas. Minutos antes foi noticiado no rádio que tava havendo um grande numero de cultos e seitas pela região, chegando a citar o Charles Manson e seus seguidores.

Naquela noite o casal escuta gritos vindos da casa vizinha, como já é de costume em filme de terror, em vez de chamar a policia eles decidem ir até lá pra ver o que aconteceu. John entra na casa e segundos depois aparece ensaguentado, pedindo pra Mia chamar a policia. Enquanto ela disca o numero da policia, ela vê uma moça dentro do quarto e escuta um sussurro com uma voz dizendo "Eu gostei da sua boneca", atrás dela aparece o líder de uma seita - que se auto intitula 'Os Discípulos do Carneiro' - e esfaqueia Mia, que é salva por John logo em seguida. A policia aparece mais rápida que o flash e salva o casal, matando o líder da seita. Eles entram no quarto e descobrem que a moça dentro do quarto se matou, cortando a garganta e segurando a boneca. Antes de se matar desenhou um simbolo na parede, que mais tarde descobrimos fazer parte do culto, sem o Ade due damballa.


Depois desses acontecimentos é quando o filme começa a desandar e o ritmo cai, seguindo com um misterioso incêndio na casa, o nascimento do bebê e o casal se mudando do local e jogando a boneca fora. Se passam 6 meses e eles se mudam pra um apartamento muito parecido com aquele do clássico O Bebê de Rosemary (Uma das várias referencias ao filme do Roman Polanski, como o próprio nome do casal). Ao desempacotar a ultima caixa da mudança acabam achando a boneca, e como o casal é esperto, decidem ficar com a boneca, colocando no quarto do bebê. A partir dai o filme segue com todos os clichês possíveis...Barulhos, vultos, coisas se movendo sozinhas...

O diretor sabe fazer um jogo de câmeras bem parecida com a do Invocação do Mal, mas o cara não é o James Wan, não sabe construir o clima de forma certa, apela pros jumpscares - todos causados pelo aumento repentino da trilha sonora - que acabam tirando toda a atmosfera de terror que o filme poderia ter. A unica cena que rende bons momentos de medo é rápida, dura apenas uns 2 minutos, na tal cena da lavanderia com a aparição de um demônio. 


Annabelle se assemelha muito a alguns filmes da franquia Amityville, que eram focados em objetos amaldiçoados que eram a porta de entrada pra assombração presente no filme, também muito inferior ao filme em que se inspira. O desfecho é tão fraco e puxado pro cristianismo que me incomodou um pouco, fora que antes do desfecho o filme tinha chances de ter um final corajoso ou pessimista, mas desperdiçou isso nos minutos finais. 

A comparação com Invocação do Mal é inevitável, esse $pin-off se mostra completamente desnecessário, e como eu já tinha comentado, só foi feito pra pegar uma carona no sucesso de Invocação do Mal. Um filme mediano que deveria ser lançado direto em DVD.
por Marcelo Alves

Título Original: Annabelle
Ano: 2014
Duração: 100 minutos
Direção: John R. Leonetti
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Annabelle Wallis, Ward Horton, Alfre Woodard, Tomy Amendola