Crítica: The Dead 2: India (2013) - Sessão do Medo

8 de outubro de 2014

Crítica: The Dead 2: India (2013)


Os zumbi são uma das criaturas mais básicas que um amante de filme de terror deve ter visto ou ouvido falar nos filmes. Existem centenas de filmes com essa temática e escolher um favorito em meio a tantas referências, parece ser injusto. Contudo, está critica será focada num filme em particular chamado 'The Dead 2', na tradução literal 'A Morte 2'.

O primeiro filme chamado 'The Dead' se passa na África, nós vemos a forma de como a infecção se propaga nos vilarejos... Acredito que um dos principais focos dos diretores, e irmãos, Howard J. Ford e Jonathan Ford ao fazerem esse filme, foi tentar mostrar o ambiente. Tipo, a pobreza, miséria e falta de recursos que mostram o tamanho da precaridade do povo africano. Por favor, não estou dizendo que a África só desgraça como o filme mostra, mas é justamente o lado dramático e realista que ele tenta focar.

Em minha opinião, o primeiro filme é interessante e tenso, contudo, o seu desenvolvimento é um pouco lento com poucas cenas de ação, então, se você procura cenas de correria, tiroteio e carnificina, 'The Dead', não é bom, mas ele possui grandes momentos de tensão e suspense que fazem você ficar agoniado na poltrona.

É partindo desse ponto de vista que surge em 2013 o 'The Dead 2 India'. E é com grande satisfação que o filme, além de continuar com a essência do original, ele se torna mais interessante e agitado que o mesmo. O roteiro é bem simples, mas isso talvez tenha sido melhor porque a gente entende com mais facilidade qual é a proposta do longa e porque da longa jornada dos personagens. 

Nessa segunda parte o enredo sai da África e vai para a Índia onde acompanhamos a história do engenheiro norte-americano Nicholas Burton (Joseph Millson) em uma corrida contra o tempo para chegar até sua namorada grávida, Ishani Sharma (Meenu). Burton pede a ajuda de um garoto de rua órfão, Javed (Anand Goyal), e juntos, eles fazem uma perigosa viagem de 300 milhas por paisagens mortais em meio a um apocalipse zumbi que ameaça engolir toda a nação.

Bom, assim como o seu antecessor, esse filme tenta focar a precariedade da população que reside naquela região. Até temos uma rápida explicação de como o vírus saiu da África e chegou no território indiano dando assim uma ligação nas histórias, porém, esse longa é totalmente independente do original, você pode assisti-lo tranquilamente sem ter visto o primeiro.

É interessante ver como o personagem de Joseph Millson vai se desenvolvendo com o passar da narrativa, no começo nós vemos um homem que trabalha e ao mesmo tempo que fica feliz com noticia de que vai ser pai, e ele também fica com medo de como vai ser o futuro já que o pai de Ishani é contra a relação dela com ele. E no fim é um homem que por amor enfrentou legiões de zumbis, um sol escaldante, fome, sede, e o terror que se escondia na noite daqueles lugares imprevisíveis da qual ele passara.

O relacionamento de Nicholas com o pequeno Javed também vai crescendo no decorrer do filme. Enquanto o garoto ajuda Nicholas à chegar até o seu destino, Javed vai contando a sua história e as suas crenças, como na parte em que ele explica o que o faz acreditar que seus pais o amavam, mas não puderam cuidar dele por motivos de força maior.


Ainda temos algumas situações que mostram como é o casamento na Índia, essas partes são mostradas quando o pai de Ishani tenta de várias formas impedir que Nicholas fale com a sua filha e também na cena em que Ishani conversa sobre a felicidade e o amor com a sua mãe moribunda. 

O meu objetivo aqui não é só falar sobre o filme, mas também informar. É pensando nisso que vou colocar abaixo algumas características do casamento Indiano visto que é um filme que se passa em outro continente com hábitos e crenças diferentes. Aliás, o pai de Ishani passa metade do filme abrindo e fechando a porta de sua casa para ver o que está acontecendo do lado de fora, sempre pondo a vida de sua filha em risco, uma vez que os zumbis poderiam se juntar e arrombar a portinha de madeira dele.

Os casamentos na Índia obedecem às várias tradições, variando de acordo com a casta, a região, a cultura e os costumes das mais diversas etnias que compõem o mosaico indiano. Embora encontremos exceções nos dias de hoje, muitos dos casamentos entre hindus são arranjados pelas famílias dos noivos, a fim de reforçar os laços familiares, que são muito importantes na Índia. Muitos hindus acreditam que uma pessoa solteira não possui status social. Por isso, o casamento hindu é considerado uma união sagrada e imutável. E, se um filho ou filha não casar, gera uma grande tristeza para a família. 

Os pais buscam companheiros especiais para seus filhos, levando em conta a mesma religião ou casta das famílias. A aliança é arranjada depois que consultam os mais velhos da família e os astrólogos comparam horóscopos, castas, contexto familiar e social. Quando o casamento é arranjado, as duas famílias entram em uma relação mais profunda, de modo que, ao surgirem problemas na vida do novo casal, ambas as famílias trabalham juntas, para levá-lo a resolver os problemas.

Essas questões matrimoniais não são aprofundadas no filme, mas como eu disse, são apenas um conhecimento a mais que faz o publico entender os motivos do pai de Ishani não aceitar Nicholas, um americano que veio a trabalho para a Índia, e que tem um passado conturbado com outro relacionamento passado (esse relacionamento é só mencionado por Nicholas para Javed).

Bom, como nada é perfeito. O filme também possui alguns problemas de coerência. 

Uma delas é a forma de como o vírus de espalhou, parece que o vírus pegou primeiro os vilarejos e aldeias pequenas para que depois chegasse nas grandes cidades... Visto que o vírus zumbi veio de fora para dentro (África para a Índia), e o porto em que o infectado sai do barco é numa cidade grande, o vírus deveria atingir as grandes cidades para depois se espalhar para os pequenos vilarejos.

Outro ponto é no final quando numa enorme coincidência... A mãe de Javed aparece. Ela não chega a falar com o garoto, mas a situação em que ela aparece dar a entender que ela realmente o abandonou por obrigatoriedade. O que eu achei incoerente é que em pleno segundo país mais populoso do mundo, a mãe de Javed encontra um boneco que ela havia feito para ele quando ele era bebê, no meio do caos, numa cidade aleatória e bem longe de onde Javed vivia antes do apocalipse zumbi.

Ainda temos os erros de coerência que acontecem em vários momentos, tipo, numa cena é mostrado um enorme espaço aberto onde só é mostrado Javed e Nicholas, na cena seguinte já aparecem uns cinco zumbis que não mostra de onde eles vieram, de repente eles estão ali. Isso acontece muito, do nada, aparece zumbis. E ainda tem a questão da arma de Nicholas que parece ter bala infinita no final, parece até uma daquelas armas tiradas da saga 'Resident Evil'.    

Enfim, isso são detalhes pequenos que podem incomodar um pouco, mas não se deixe abater por isso. Com um bom ritmo, com fotografias bonitas, com muitos momentos de tensão, horror e drama e com um final meio termo que não vai para o lado otimista e nem para o pessimista. O filme acaba sendo um pouco melhor que o primeiro. 


Só por curiosidade, embora o filme tenha sido feito na Índia, ele é um longa Britânico visto que os investimentos para o projeto foram da Inglaterra.

E para finaliza. Sim, existem filmes de zumbis melhores do que esse, mas a questão aqui não é comparar, mas sim dar uma chance a esse tipo de filme e de ser surpreendido.

Nota:7,0



Diretor: Howard J. Ford, Jonathan Ford.
Roteiro: Howard J. Ford, Jonathan Ford.
Elenco: Joseph Millson, Meenu Mishra, Anand Krishna Goyal, Sandip Datta Gupta, Poonam Mattur, Coulsom Sujitabh, Madhu Rajesh.
Duração: 98 minutos.

Por: Michael Kaleel.