Crítica: American Horror Story - Freak Show | 4ª Temporada (2014) - Sessão do Medo

24 de janeiro de 2015

Crítica: American Horror Story - Freak Show | 4ª Temporada (2014)


Mais um ano de American Horror Story e já é possível perceber o decline da série. Sem dúvidas, ver essa espécie de continuum todo ano está ficando exaustivo. Felizmente, pelo menos, temos um culpado: Ryan Murphy. Vou lhos explicar porquê. Ryan não sabe deixar o rabo quieto em só um projeto e já procura um novo para se ocupar. Sigam meu raciocínio: Na época em que Nip/Tuck estava boa, Ryan começou a desenvolver Glee. Quando Nip/Tuck desabou, Glee encontrou seu auge. Quando Glee estava ótima, Ryan começou a trabalhar em American Horror Story e por assim vai. Veio The New Normal (que não durou uma temporada) e agora mais duas: American Crime Story e Scream Queens. Mas enfim. Eu realmente não queria que essa temporada fosse a decepção que fosse. Mas, infelizmente foi. Então, vamos lá, discutir sobre Freak Show.

A história dessa temporada se passa na cidadezinha de Júpiter, Florida, e acompanha um decadente Freak Show que arqueja por audiência. Liderados pela egoísta Elsa (Jessica Lange), que adora um spotlight em cima dela, o show é composto por alguns deformados como Jimmy Darling (Evan Peters), um jovem com mãos deformadas que lembram às patas das lagostas; Ethel Darling (Kathy Bates), mãe de Jimmy e é a mulher barbada do show; Amazon Eve (Erika Ervin), uma mulher gigante e por aí vai...


Enquanto isso, conhecemos duas irmãs gêmeas siamesas, Bettie e Dot Tadler (Sarah Paulson) que ganham destaque na cidade após a mãe delas ter sido encontrada morta. Acusadas do assassinato e presas, as irmãs são salvas por Elsa, que as pedem para entrar em seu show, "segunda-intencionalmente" para atrair mais platéia para sua apresentação.

Fora isso, ainda há mais alguns personagens que darão fogo à trama: como o trambiqueiro Stanley (Denis O'Hare) e sua parceira Maggie (Emma Roberts) que negociam com um museu de aberrações os corpos dos freaks, querendo matá-los em troca de dinheiro; o psicótico e mimado Dandy (Finn Wittrock) e sua mãe Gloria (Frances Conroy); o pai de Jimmy, Dell (Michael Chiklis) e sua mulher de três peitos Desirré (Angela Bassett); entre outros.

O maior problema dessa temporada foi o mesmo de Coven: ela se perdeu na história. E como Ryan viu que não podia desfazer a merda que fez, resolveu optar pelo jeito mais fácil: matar os personagens. E pegue um, dois, três, quatro... A maior parte desnecessariamente se foi, com as mortes mais inúteis sendo as de Kathy Bates e a de Frances Conroy.


Assim como em Coven, Ryan cometeu o erro de desperdiçar seus personagens. No começo da temporada, a história estava indo muito bem e Freak Show parecia vir trazer a dignidade de volta à série, com tudo bastante promissor. Mas com a morte do palhaço Twisty, uma das peças mais interessantes da temporada e que ajudou bastante no marketing, chamando atenção de muita gente, a história morreu junto. Os episódios pareciam cada vez mais longos, com tramas entediantes. Alguns aqui e acolá cativavam mas no geral foi bem frustrante.

Definitivamente, um desses foi o décimo episódios, intitulado Orphans, que trazia a história da "freak" Pepper (Naomi Grossman) e em como a história de Freak Show se conectava com Asylum, visto que a personagem está presente em ambas as temporadas. O episódio é forte, intimista e para alguns será bem fácil de chorar, rs.

Para variar, o elenco foi novamente o ponto alto deste ano. Sarah Paulson fazendo a façanha de interpretar duas personagens e começou a trilhar seu caminho para substituir a Jessica Lange, que sairia da série na temporada seguinte. Falando dela, infelizmente teve sua personagem mais fraca até então. Embora tenha seus momentos, Elsa parecia uma mistura mastigadinha da Constance, Sister Jude e Fiona. Apesar disso, Jessica não foi comprometida, entregou um show de atuação e não chocou ninguém.


Um elemento adicionado nessa temporada foi as performances musicais, onde alguns personagens faziam covers de músicas como "Life on Mars" e "Heroes" do David Bowie (ambas cantadas pela Jessica), "Gods and Monsters" da Lana Del Rey (cantada por Jessica também), "Criminal" da Fiona Apple (cantada pela Sarah Paulson) e "Come as You Are" do Nirvana (cantada pelo Evan Peters). Embora a trilha tenha sido de bom gosto e todas bem cantadas (algumas versões escuto até hoje), muitas vezes serviam de distração e acabaram esquecendo um pouco de trabalhar as tramas e os personagens.

Por falar nisso, Freak Show também repetiu o feito de Coven de descartar os personagens de uma maneira incrivelmente inútil. Embora eles não sejam ressuscitados, chegou um ponto em que a morte de alguns nem importavam mais. Alguns no entanto tiveram sim finais dignos, principalmente a própria Elsa Mars. Seu desfecho é forte, impactante e digno. Não vou mentir, chorei um pouco. A cena é ainda mais impressionante devido à história da personagem apresentada no episódio e se despedir da Jessica Lange enquanto ela canta Heroes foi um puta golpe baixo.

Muita coisa em Freak Show pareceu sem orientação e embora tivesse a oportunidade de ser a melhor temporada da série, não chegou perto. Teve sim seus momentos, alguns foram incríveis, teve muita trama triste e trágica, até por que se basearam bastante no clássico Freaks (1932). Mas também não foi a pior temporada da série (lugar reservado para a ridícula da Hotel).

por Neto Ribeiro

Criada por: Ryan Murphy
Canal: FX
Episódios: 13
Elenco: Jessica Lange, Sarah Paulson, Evan Peters, Kathy Bates, Angela Bassett, Michael Chiklis, Frances Conroy, Finn Wittrock, Denis O'Hare, Emma Roberts, Wes Bentley, Naomi Grossman, John Carroll Lynch

Description: Rating: 3 out of 5