Crítica: O Mistério de Grace (2014) - Sessão do Medo

25 de janeiro de 2015

Crítica: O Mistério de Grace (2014)


A inocência só tem fim com sangue.

Estava ansioso para assistir esse filme desde que vi o trailer. Dos produtores de A Entidade e Sobrenatural, presenciamos pela primeira vez como é ser possuído por um demônio através dos olhos de Grace nesse filme. Essa ideia de fazer um filme em primeira é bastante interessante e muitos vem tentando fazê-la com diferentes temas desde que Maniac estourou em 2012. E apesar de algumas falhas, O Mistério de Grace consegue ser um filme bom.

Primeiro, a história que vemos pelos olhos da ingênua Grace (Alexia Fast), uma garota católica que inicia seu primeiro ano na universidade. Influenciada pela rigorosa vó (Lin Shaye, Sobrenatural), a garota nunca provou álcool, nem usou drogas, nem fez sexo. Tentando se adaptar no novo mundo, Grace começa a viver um pesadelo quando visões e vozes invadem sua cabeça. Logo, Grace terá que tentar acabar com tudo isso enquanto descobre a verdadeira história de sua mãe falecida em seu parto.

Primeiramente, irei discutir as falhas do filme, para depois falar de seus pontos altos. Apesar da ideia ousada e nova, no final de tudo O Mistério de Grace é mais do mesmo. O filme tenta desviar dos clichês e correr um caminho diferente de suas referências O ExorcistaO Exorcismo de Emily Rose entre outros filmes do sub-gênero, mas no final, acaba resultando numa inventiva "refilmagem" dos antes citados.

Outra falha do filme foi não explorar a "vida de universitária" de Grace, resultado da tentativa de bifurcação de O Exorcismo de Emily Rose. Não dá tempo de mostrar outros distúrbios na vida de Grace e é tudo muito repentino. O filme deveria ter utilizado algo mais forte do que aquela "visão" da queda da colega de quarto dela; algo que influenciasse mais na vida dela. Até por que o filme ficou meio chato a partir do momento que ela voltou para casa e tudo que queria era entrar no quarto da mãe.

O final do filme foi muito criticado por várias pessoas, mas muitos não entenderam que é um tipo de crítica ao cristianismo, assim como o filme todo. Do caso da mãe de Grace até o final do padre, tudo é conectado. Coisa que eu admirei no filme, pois não deixou nada claro demais, apenas subentendido.


O elenco só tem uma grande atuação, que é da já conhecida Lin Shaye. Ela já vinha fazendo filmes desde os anos 70 e você pode vê-la no original A Hora do Pesadelo como a professora de Nancy e nos mais recentes Sobrenatural e sua continuação, como a médium. Quando disse "grande atuação" é por que o filme não dá espaço para os atores mostrarem seus talentos, principalmente a protagonista, Alexia Fast. O que dá a Shaye seu verdadeiro sucesso é sua espontaneidade, sua naturalidade na frente das câmeras. E agora, nesse filme, ela realmente convence como a avó extremamente religiosa, uma verdadeira homenagem à Margaret White.

A ideia toda de mostrar como ocorre uma possessão é instigante, porém foi muito mal executada nesse filme. O longa mergulha de cabeça nos clichês ao mesmo tempo que tenta fugir deles. Poderia ser bem melhor se tivesse explorado a possessão de Grace na universidade, mas decidiu fazer o genérico e enfraqueceu o filme.

Nota: 4

por Neto Ribeiro