Crítica: A Hora do Pesadelo 7 - O Novo Pesadelo (1994) - Sessão do Medo

17 de fevereiro de 2016

Crítica: A Hora do Pesadelo 7 - O Novo Pesadelo (1994)


Após matar Freddy no sexto filme, a New Line resolve fazer mais um filme do Pesadelo, em comemoração aos 10 anos do Pesadelo original. Finalmente percebendo que eles precisavam resgatar o medo do primeiro filme, nada mais digno do que chamar seu próprio criador, Wes Craven para o sétimo filme. Para mim, o melhor filme da franquia após o original, O Novo Pesadelo é construído como um tipo de Além da Imaginação, um filme como um filme.

Só avisando que a partir daqui, irei contar muitos spoilers sobre o filme. Caso não queira ler, não leia!

O filme começa com uma cena que remete o primeiro filme. O início do Pesadelo de 84 é um close nas mãos de um homem construindo uma luva com navalhas. Nesse filmes, vemos a mesma coisa, só que dessa vez, o homem arranca sua mão. Na hora, ouvimos vozes falando "Mais sangue!" e nos damos conta que estamos num set de gravação de um filme. Vemos então a belíssima Heather Langenkamp, que interpretou Nancy no Pesadelo original. Ela está com seu filho pequeno, Dylan (Miko Hughes, o pequeno Gage de Cemitério Maldito) e seu marido Chase Porter (David Newson), que é o supervisor de efeitos especiais do filme. Quando as coisas fogem do controle, a mão mecânica usada para filmar a cena começa a ganhar vida e ataca dois assistentes de Chase, matando-os. Tudo vira um caos e percebemos que é tudo um sonho de Heather, que acorda durante um terremoto.

Olá, Nancy...
Após essa introdução, conhecemos a vida de Heather. Ela está vivendo em Los Angeles, com seu marido e seu filho. Anda recebendo ligações estranhas de um fã obcecado, que sempre canta nos telefonemas a música tema de Freddy. Conhecemos então Julie (Tracy Minderdoff), amiga de Heather e babá de Dylan, que cuidará dele enquanto ela vai dar uma entrevista num programa ao vivo. Durante a entrevista, Robert Englund entra caracterizado de Freddy, para a surpresa de Heather, que de nada sabia. Nesse momento, podemos notar o quão assustada ela está com os acontecimentos recentes (o fã obcecado, os pesadelos, os terremotos)...

Ao sair da entrevista, Heather é convidada para uma reunião com Robert Shaye, diretor da New Line Cinema (produtora dos filmes Pesadelo), que a propõe retornar como Nancy para um novo filme da franquia em que Wes está trabalhando e que, secretamente, também está seu marido Chase, criando uma nova prótese da luva de Freddy. Ela recusa o convite por não querer que tudo influencie Dylan. Encontrando Dylan num ataque ao retornar para casa, ela resolve ligar para Chase, que havia viajado à trabalho. Ele resolve retornar para casa, mas adormece no meio da viagem e sofre um acidente, claro que proporcionado por Freddy!


Com os ataques de sonambulismo de Dylan e alucinações com Freddy se tornando mais constantes, ela resolve falar com Wes Craven, que aparece várias vezes no filme como ele mesmo. Ele revela a existência de um demônio que foi aprisionado na forma de Freddy nos filmes do Pesadelo. Com o fim dos filmes, o demônio quer achar uma forma de vir ao mundo real. Porém, o que o impede é Heather, pois como ela foi a primeira a derrotar "Freddy" no papel de Nancy, assim serve de guardiã.

Após outro ataque de Dylan, ela o leva para o hospital, onde ele fica sob observação. Voltando para casa, ela é atacada por Freddy durante um terremoto. Preocupada com Dylan, ela retorna ao hospital, onde fica constantemente sendo pressionada pela enfermeira-chefe, que suspeita de que Dylan ou até mesmo ela tenha algum tipo de doença mental. Ela então volta para casa para pegar o dinossauro de pelúcia de Dylan, pedindo à Julie que fique com ele e não o deixe dormir. Quando uma das enfermeiras consegue sedá-lo sem o conhecimento de Julie, Dylan dorme e acaba vendo Julie sendo brutalmente assassinada por Freddy em seu sonho. Essa cena é uma das melhores da franquia, sem dúvida, pois ela pega de volta todo aquele terror que Wes Craven quis colocar no roteiro e o amplia. Também serve de homenagem ao filme original, já que a morte de Julie é semelhante à de Tina, onde ela é arrastada pelo teto.

Sendo sonâmbulo, Dylan foge do hospital, indo até sua casa. Com muita luta, Heather consegue chegar a tempo e salvar a vida dele. Durante uma distração, Freddy finalmente chega ao nosso mundo e leva Dylan para o dele. Heather o segue, através dos sonhos. Ela acaba parando num lugar monstruoso, onde trava uma luta com Freddy. Com a ajuda de Dylan ela finalmente o mata, voltando para a realidade.


Após 5 continuações do original, a franquia de Freddy foi ficando cada vez mais fraca através de roteiros que prezavam o humor negro e não o terror. Muitos fãs gostam das continuações, apesar das falhas, mas gente, prefiro o Freddy assustador do que o cômico. Finalmente, neste último filme, Wes Craven conseguiu recriar a genialidade do primeiro filme e nos apresentou uma história assustadora, bem-criada e que consegue facilmente bater na do original.

A coisa mais gratificante nesse filme é ver o quanto Heather Langenkamp evoluiu desde o Pesadelo original. Sua atuação no Novo Pesadelo é impecável. Tudo que ela faltou no original, ela compôs nesse. Uma verdadeira pena ela não ter sido mais reconhecida, por que ela é mais do que talentosa. Miko Hughes retorna 4 anos após botar o terror em Cemitério Maldito fazendo caras e bocas. Infelizmente, ele é um daqueles atores que só prestam quando crianças. Assisti um filme com ele um dia desses, Devorados Vivos e bom, até hoje estou procurando achar o botão "Desver".

Freddy nunca esteve tão assustador. Podemos ver o quanto o Freddy do remake de 2010 foi baseado nesse. Para início, o filme explica logo que o Freddy dos filmes e esse Freddy são diferentes. Esse Freddy é mais assustador, portanto toda a caracterização do personagem teve que mudar. Além de um casaco longo e preto, a maquiagem das queimaduras dão um ar mais ameaçador à ele, como aquele contorno na zona T do rosto. Robert Englund parece mais bombado (rsrsrsrsrs) e ao invés das luvas, as navalhas dessa vez saem das mãos, como um tipo de Wolverine.


O desenvolvimento da história é outra coisa que dá gosto de ver. Diferente de Pânico, podemos ver que O Novo Pesadelo é algo mais íntimo, só para os fãs. Até por que, quem não é fã da franquia não reconheceria Nick Corri, que fez Rod no primeiro filme, na cena do funeral ou Tuesday Knight que fez Kristen no quarto filme. As referências como o "Screw the pass" também é algo que só um fã notaria. Outra pessoa que eu só reconheci quando revi o filme para fazer a crítica é Lin Shaye, famosa pelos filmes Sobrenatural (Insidious), mas que pelos fãs da franquia é mais conhecida por fazer a professora de Nancy no filme original. Nesse ela faz uma enfermeira.

Julguem-me que quiser, mas eu acho que esse filme é ainda melhor do que o primeiro. A história é mais interessante, as atuações são mais satisfatórias... É um tipo de filme que não há como não gostar. Bom, para terminar, trouxe algumas curiosidades sobre o filme:

- Wes Craven queria que Johnny Depp fizesse uma participação especial na cena do funeral, mas nunca teve a coragem de pedi-lo. Após o lançamento do filme, Depp falou que sem dúvidas faria a participação, e que Wes devia ter pedido.

- Na história do filme, Heather tem um fã stalker. Na vida real ela também teve um. Ao saber disso, Wes pediu para colocar o elemento na história.

- A filha de Wes, Jessica, aparece como uma enfermeira.

- As roupas usadas por Heather e John Saxon no final do filme são as mesmas que usaram no final do Pesadelo original.

- Antes de começar a trabalhar no filme, Wes assistiu todas as continuações do original e constatou que não iria de jeito nenhum fazer uma história baseada neles, pois são mais fracos do que seu filme.

- No filme original, Wes tinha a ideia de fazer um Freddy mais obscuro, mas a New Line pediu para colocar algumas falas cômicas. Nesse filme, ele teve a oportunidade de fazer o Freddy do jeito que queria.

- O verdadeiro marido de Heather Langenkamp na vida real também é um criador de efeitos especiais e ele aparece no filme.

- Miko Hughes era grande fã de Freddy antes de ser contratado para fazer Dylan. Então, todo dia, quando Robert Englund ia colocar a maquiagem de Freddy, ele ficava vendo.

- O filme iria se chamar A Nightmare on Elm Street 7: The Ascension.

- A cena da língua no final do filme demorou 2 dias para ser filmada.

- No roteiro do filme, havia uma cena que mostrava Robert Englund tendo um pesadelo com o novo Freddy. Na cena, Englund estava preso numa gigante teia de aranha, em que o Freddy era uma aranha gigante. Essa cena foi cortada por não combinar com o tom do filme.

- Na cena em que Dylan esfaqueia a língua de Freddy, pode-se ouvir o toque da cena do chuveiro de Psicose.

Bom, é isso. Espero que tenham gostado! Até a próxima.
Título Original: Wes Craven's New Nightmare
Ano: 1994
Duração: 112 minutos
Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Elenco: Heather Langenkamp, Robert Englund, Miko Hughes, Matt Winston, Tracy Middendorf