Crítica: Espelhos do Medo (2008) - Sessão do Medo

31 de maio de 2015

Crítica: Espelhos do Medo (2008)


Alexandre Aja estava em alta em Hollywood após dirigir o excelente Viagem Maldita, remake de The Hills Have Eyes, em 2006. Assim, vários projetos lhe foram propostos e um desses era um filme chamado Mirrors (seria chamado Into the Mirror, mas foi mudado), remake de um filme coreano de 2003, Espelho, que é muito pouco conhecido mas está disponível completo no YouTube. Após o lançamento, o filme foi recebido com críticas negativas, mas eu acho que posso afirmar que muitos fãs gostaram do filme (eu sou um deles). Aqui no Brasil, ele fez certo sucesso e é um daqueles filmes que se você perguntar pra um fã do gênero, ele dirá que já assistiu.

Muitos não sabem, mas quando o projeto chegou nas mãos do Aja, ele seria um tipo de reboot para o filme original. Não teria a mesma história, mas sim uma que funcionasse como uma espécie de sequência, do mesmo jeito que o remake de Sexta-Feira 13 funciona. Um roteiro foi feito mas Aja não gostou do resultado e junto com Grégory Levasseur, seu parceiro de longa data, resolveu escrever um novo roteiro utilizando a premissa do original.

E essa premissa acompanha Ben Carson (Kiefer Sutherland), um ex-policial que perdeu seu distintivo após acidentalmente matar seu parceiro. Após o ocorrido, ele se divorciou da esposa Amy (Paula Patton) e fica depressivo. Tentando recomeçar, ele aceita o emprego de segurança noturno numa loja de departamentos que pegou fogo e está fechada há alguns anos.

Um dia, ele encontra em um dos departamentos um grande e velho espelho. Só que, com alguns dias, ele começa a presenciar acontecimentos estranhos, a ter visões assustadoras e em boa parte relacionadas à espelhos. O problema é que essas visões começam a se tornar reais a cada dia que se passa e ameaça a vida dele e de sua família. Ele então começa a investigar a história por trás dos espelhos.


Primeiramente, vou logo dizer que sou fã de Aja - até de seus considerados "filmes mais fracos" como esse, Horns ou Piranha (esse particularmente eu gosto pra cacete) - então pra vocês que não gostam desse filme, ou o odeiam, vou logo dizer que vou falar bem dele aqui.

Espelhos do Medo é um filme problemático por que ele usa muito de fórmulas genéricas. Apesar de ter momentos bem tensos e nojentos (vocês sabem de que cena estou falando!), o filme utiliza muito formas americanizadas de tentar assustar - e vocês sabem que essas formas são mais comerciais do que funcionais. Portanto, não o considero um filme assustador. É um filme bom, porém não assusta, é ineficaz.

No entanto, de resto o filme é incrível. Tem um suspense ótimo e é muito mas muito mas muito intrigante. Ele usa muito bem os espelhos como um vilão e querendo ou não, você fica um pouco paranoico com espelhos (quem não olhou pra um espelho desconfiado após ver o filme?).


O elenco é um dos pontos altos do filme. Kiefer Sutherland ainda não consegue se distinguir de Jack Bauer, mas está ótimo no filme. Paula Patton também está incrível como a ex-esposa de Kiefer. Dá pra ver o desespero dela, principalmente no final. Agora, quem chama toda a atenção é Amy Smart no papel de Angela, irmã de Kiefer. 

Eu particularmente acho a sequência final incrível. As cenas de Ben e de Amy interligadas é muito mais do que empolgante. Realmente dá para ficar agoniado quando você se põe no lugar da Amy ao ver tantos reflexos na casa! Além de tudo, o filme tem um desfecho inesperado e que é um dos meus favoritos.

por Neto Ribeiro