Crítica: Mal Intencionados (2015) - Sessão do Medo

19 de setembro de 2015

Crítica: Mal Intencionados (2015)


Aviso: Este post contém alguns spoilers sobre o filme.

Acabei de ver Mal Intencionados (Hellions) e não sei o que pensar. Era um dos filmes mais esperados do ano por mim e não sei dizer se eu gostei ou não. Em partes, o filme cumpriu o que havia prometido. Em outras, não foi como eu esperava. Pude perceber que é um filme cheio de metáforas, mas nem sempre um filme de horror que utiliza metáforas para construir uma história é bem conduzido.

Se Hellions traz algo novo? Sim, de uma certa forma. Além de reutilizar alguns conceitos já conhecidos em outros filmes, o filme canadense consegue inovar em construir uma trama que é inquietante. A história do filme traz Dora (Chloe Rose), uma adolescente de 17 anos que descobre estar grávida no dia de Halloween.

Desconsolada, a jovem não sabe se conta para sua mãe e seu namorado, Jace. Convencida pela mãe a ir a uma festa com os amigos, Dora decide contar a seu namorado enquanto o espera só em casa. Aos poucos, vai escurecendo e nada de Jace chegar. No entanto, Dora começa a ser incomodada por um grupo de crianças estranhas mascaradas que chegam pedindo doces em sua porta.


Aos poucos, as crianças se revelam violentas e de alguma forma sabem que Dora está grávida. Não demora muito para Dora descobrir que as crianças estão atrás de seu bebê. Agora, a jovem terá que se virar para sobreviver enquanto as crianças demoníacas invadem sua casa e a perseguem na noite de Halloween.

O primeiro ponto que se nota no filme é a fotografia - que faz parte da história do filme. A partir do momento em que anoitece, a iluminação adquire um tom mais rosado e continua assim até perto do fim. Isso por que, como é comentado levemente no início do filme, a noite de Halloween em que o a história se passa é noite de Lua de Sangue (um fenômeno lunar em que a lua fica com tom avermelhado). Achei que isso dá um toque original no filme.


A direção de Bruce McDonald (Pontypool) é um ponto forte no filme. Ele realmente sabe como conduzir e pude perceber isso em Pontypool. Uma pena que os roteiros às vezes não ajudam muito. Outra coisa que vale ressaltar é a trilha sonora, composta por um coral de crianças, em grande parte gritando "Blood for baby". É bem arrepiante e contribuiu para grande parte do clima do filme.

No entanto, o que fez o filme cair foi o roteiro. Acho que até os 30 minutos, eu estava totalmente tenso e imerso na história do filme. Aquelas risadinhas das crianças são sinistras! Mas então, percebi que o filme não soube muito bem como conduzir a história da "mocinha tentando sobreviver à invasores" e então, comecei a ficar decepcionado. Fui logo percebendo que o filme estava indo para um caminho diferente do que imaginei.


Assim como tem cenas muito bem feitas e tensas (como a cena em que Dora vê a cabeça do namorado no saco), o terceiro ato do filme se torna uma bagunça ao meu ver e ficou uma enrolação (nada muito descarado), mas pareciam que estavam tentando completar os 80 minutos de filme e inventaram um desfecho que lembrou filmes de A Hora do Pesadelo.

Quando os créditos sobem, você logo pensa que tipo de rumo que a história levou. Estava Dora o tempo todo alucinando por que não sabia como lidar com a gravidez? Talvez, é o caminho mais provável. No caso tudo foi um tipo de metáfora, e realmente não gostei do roteiro ter usado a metáfora. Hellions poderia ter resultado num grandioso filme de suspense e violento com crianças demônias perseguindo Dora, o que me teria feito muito feliz. Mas realmente depende do espectador, se irá gostar do método que o filme usou no final ou não.


Por fim, posso me dizer que me decepcionei um pouco com o filme. Eu realmente esperava muito do filme e ele seguiu por um caminho diferente. É uma pena, pois tinha o potencial de ser um dos melhores filmes do ano com a premissa que tinha. Fiquei vidrado na tela nos primeiros 30 minutos mas quando percebi que não seria o filme que eu queria ver, me desapontei um pouco. Se não tivesse um roteiro que se preocupasse em tantas metáforas e seguisse o caminho mais clichê, teria ficado melhor. Às vezes um clichê cai bem.

por Neto Ribeiro




Description: Nada original mas divertido. Rating: 2 out of 5