Crítica: Enviada do Mal (2016) - Sessão do Medo

9 de outubro de 2016

Crítica: Enviada do Mal (2016)


Emma Roberts estrela essa produção independente e não tão conhecida que estreou lá fora em circuito limitado há pouco tempo. Antes disso, no ano passado, havia sido exibida em alguns festivais americanos, de onde saiu suas primeiras críticas positivas. Sob o titulo "February", o filme enfrentou alguns problemas de distribuição mas conseguiu ter uma data de lançamento fixada, apesar de haver uma mudança no título. February (Fevereiro) se tornou The Blackcoat's Daughter.

A história é estranha, contada sob o ponto de vista de três personagens durante uma nevasca. Temos Kat (Kiernan Shipka, Feud: Bette and Joan), uma adolescente que vive em uma prestigiada escola católica e que está esperando seus pais irem buscá-la durante as férias e um inverno rigoroso. Ela então fica sob os cuidados de duas freiras que trabalham lá e da jovem Rose (Lucy Boynton, O Último Capítulo), que decidiu ficar no internato durante o feriado.


A personagem de Emma Roberts (Scream Queens) é Joan, uma estranha mulher que está indo em direção à escola católica das personagens anteriores e pega carona com um casal, cuja filha estuda lá. Enquanto Joan se aproxima de seu destino, Kat começa a agir estranho, levando Rose a acreditar que ela está sendo possuída por uma entidade maligna.

Como falei, temos narrativas meio distintas que parecem se conectar à medida que o filme avança. Devo dizer que é um desenvolvimento lento. Mas há sempre uma sensação estranha, graças ao ótimo suspense do filme, que faz com que você fique ansioso para ver o desfecho da história, em como os segmentos vão se interligar.

O grande e principal feito do longa é o suspense. Admito que as histórias, apesar de simples, se tornam tensas. Aquela sombra chifruda que Kat vê nos cantos antes de ser possuída completamente é bizarra. E a última meia-hora então consegue ser tanto interessante quanto tensa. Não posso deixar de mencionar a angustiante trilha sonora, nos moldes de Sobrenatural (2011) ou A Bruxa (2016).


Spoilers nesse parágrafo. Mas o problema do filme é justamente essa meia-hora. Resumindo a história: A narrativa mistura passado e presente num só e o que acontece é o seguinte. Kat foi possuída, matou Rose e as freiras e depois foi internada, com o demônio saindo de seu corpo. Anos depois, já adulta, ela foge do sanatório e decide voltar para a escola, usando o nome Joan. Ela pega carona com um casal que por coincidência, são os pais da falecida Rose.

É uma interessante virada de eventos, claro, mas mal-desenvolvida. Para contar uma história em tempo não-linear é preciso ter cuidado e técnica para que não fique bagunçada, apressada ou até com furos no roteiro, o que houve. A escola era usada pra rituais satânicos? Cadê aquela história da aluna que foi pega fazendo um deles? Portanto, quando os nós são dados e a história concluída, pode-se perceber alguns nós soltos. O fim é abrupto e não é dado tempo suficiente pra concluir de forma correta a história, além de simplesmente jogar alguns eventos no público, como aquele exorcismo sem graça e desnecessário. Fim dos spoilers.


O trio de atrizes que lideram o filme realmente estão ótimas nos papéis. Roberts, a mais conhecida do elenco, consegue mostrar bem o quão estranha é sua personagem. Shipka está bizarra como a garota que aos poucos vai sendo possuída. Mas a que mais se destacou ao meu ver foi Boynton, que eu não conhecia antes do filme, mas que se mostrou bem versátil. Vou procurar conferir outros trabalhos dela.

The Blackcoat's Daughter é um filme visualmente bonito, ótima trilha sonora e um bom suspense até certo ponto. Perde muitos pontos devido à sua conclusão estranha, mas é um filme que eu recomendo, caso goste de histórias lentas e gradativas, ainda que o mistério perca força no final.

por Neto Ribeiro

Título Original: The Blackcoat's Daughter
Ano: 2016
Duração: 93 minutos
Direção: Oz Perkins
Roteiro: Oz Perkins
Elenco: Emma Roberts, Kiernan Shipka, Lucy Boynton



Description: Rating: 3.5 out of 5