Crítica: O Último Capítulo (2016) - Sessão do Medo

30 de outubro de 2016

Crítica: O Último Capítulo (2016)


No início do ano, a Netflix - serviço de streaming mais popular da atualidade - encomendou 5 filmes originais para integrar ao seu catálogo. Um deles, I Am the Pretty Thing That Lives in the House (ufa), seria o primeiro longa original da empresa. Lançado antes de ontem, dia 28 de Outubro, o filme ganhou o título curto O Último Capítulo (que tem tanto a ver com a história quanto o título original) e muitas pessoas foram curiosas ver o resultado de uma empresa que é sinônimo de qualidade em suas produções originais.

Infelizmente, O Último Capítulo pode ser uma decepção para grande parte das pessoas. Ainda que eu não tenha visto tamanho desastre como muitos o descrevem, o filme é um fardo de assistir, lento, quase parando e falha justamente nesse quesito. Não me incomodo com filmes lentos, gosto até, mas filmes lentos só funcionam se a história valer a pena. A película traz uma história nada original (não que seja desculpa) e que poderia ter sido algo bem melhor, se não a tivessem esticado tanto.


Após dirigir o competente The Blackcoat's Daughter (também conhecido como February), Oz Perkins (filho do Anthony) vem na direção e também assina o roteiro, que traz um enredo até interessante: Lily (a ótima Ruth Wilson) é uma enfermeira que é contratada para cuidar de Iris Blum (Paula Prentiss), uma famosa escritora de histórias de horror dos anos 60 que se encontra debilitada em sua casa.

Ao longo dos quase 12 meses que trabalha para Iris, Lily testemunha coisas estranhas na casa e descobre que um dos livros mais famosos de Iris, A Moça nas Paredes, pode ter sido baseado em uma história real que a própria casa guarda.

Perkins faz escolhas acertadas pro filme: ele tenta construir um clima cheio de sugestões, sem jumpscares ou artifícios recorrentes de outros filmes sobre casas mal-assombradas. No início, até funciona, mas depois vai perdendo a força. A narração da história também é interessante, dividida por interlúdios em que as personagens de Ruth Wilson e Lucy Boynton falam citações - que só farão completo sentido no fim. Tais interlúdios lembram claramente peças de teatro, então foi um detalhe bem-vindo. 


Infelizmente, o problema é o roteiro. É visível que Perkins tentou extrair o máximo de cada cena, o que deixou o filme demasiado enfadonho. Cenas que poderiam durar 1 minuto duram 3 e por aí vai... Não se a intenção foi mostrar a quietude da casa, mas pra mim prejudicou bastante o andar da história, que chega ao seu clímax de forma interessante porém curta. A cena dura apenas 2 minutos, restando ainda 15 para terminar o filme. Mesmo que tal cena seja a melhor do filme, parece mais um balde de água fria, não pelo acontecimento em si, mas justamente por ela acontecer e a história voltar para seu tédio. Há construção de clima sim, mas não há muita coisa do que se esperar.

Os pontos altos do filme são a sua caprichada fotografia; a trilha sonora/sonoplastia, que contribuiu para o êxito de várias cenas, como a do telefone que até me deixou na ponta da cadeira; e a atuação da protagonista Ruth Wilson (The Affair), que basicamente carrega o filme nas suas costas, por ser a única personagem recorrente da história além da Moça nas Paredes. Outro detalhe que merece uma ressalva foi a escolha de Perkins em mostrar a fantasma em um visual mais clássico, sem muitos efeitos visuais, apenas uma opacidade baixa na tela. Funcionou bem na cena final (preste bem atenção nela).

[SPOILERS!!!] Sobre o final do filme: Notei que muita gente ficou meio perdida em relação ao desfecho do filme então vou tentar explicar, não é nada complicado. Bom, o que acontece é que Lily vê o fantasma de Polly e acaba morrendo. Como ninguém visita a casa, demora um pouco até acharem o corpo da enfermeira. Após o acontecimento, a casa é posta à venda e uma família se muda para lá. No último frame de cena, dá para ver (se prestar bastante atenção), o fantasma de Polly andando pelo corredor. [FIM DOS SPOILERS!!!]



Valeu a tentativa? Sim. Apesar de claramente ter tentado ser o mais simples possível, O Último Capítulo infelizmente decepciona por ser um poço de nada. Nada demais acontece e quando acontece, dura 2 minutos. Creio que funcionaria melhor como um curta.

por Neto Ribeiro

Título Original: I Am the Pretty Thing that Lives in the House
Ano: 2016
Duração: 87 minutos
Direção: Oz Perkins
Roteiro: Oz Perkins
Elenco: Ruth Wilson, Lucy Boynton, Paula Prentiss, Bob Balaban