Crítica: Pague Para Entrar, Reze Para Sair (1981) - Sessão do Medo

10 de outubro de 2016

Crítica: Pague Para Entrar, Reze Para Sair (1981)


Tobe Hopper, o nome por trás de um dos filmes mais repercutidos do terror, o clássico O Massacre da Serra Elétrica (1974) ainda lutava para se consagrar no gênero e após ter dirigido o polêmico filme que abriu as portas para Hollywood, tinha comandado apenas duas produções (sendo uma lançada para TV): Devorado Vivo (1977) e Salem's Lot (1979).

Sua chance de voltar ao mainstream foi em The Funhouse, traduzido estranhamente como Pague Para Entrar, Reze Para Sair no mercado brasileiro. Aliás, essa frase era a tagline usada nos posters originais, então... Muitos não sabem mas Hopper deixou de dirigir E.T. - O Extraterrestre (1982) por esse filme. Ele então trabalhou com Spielberg no projeto seguinte, o também clássico Poltergeist - O Fenômeno (1982).

Em The Funhouse, Hopper conta uma história mais simples em termos de estrutura do que Massacre (desculpem a comparação, é inevitável), rs. Esse filme é algo mais comercial aos termos da época, que tinha acabado de adentrar na era slasher, ainda que suas influências sejam setentistas, já que a data original de lançamento seria em 1980 mas o filme deve que ser adiado para 1981.

Richie, Buzz, Amy e Liz
Temos a nossa final girl, Amy (Elizabeth Berridge), que pela breve introdução no início, tem dois pais meio rigorosos e um irmão mais novo (que inclusive rende a cena de abertura que mixa Psicose e Halloween numa pegadinha no chuveiro) e protagoniza o elenco junto de seu pretendente a namorado Buzz (Cooper Huckabee), que no primeiro encontro a leva a um parque de diversões com a melhor amiga Liz (Largo Woodruf) e o boy dela Richie (Miles ).

É comentado pelos pais antes de Amy sair para que ela não vá para o parque, pois segundo notícias, é o mesmo em que duas adolescentes foram mortas em uma cidade próxima. Ela, claro, mente, dizendo que eles iriam pro cinema. Enquanto isso, o irmão de Amy foge de casa para ir ao parque sozinho, após ela brigar com ele por conta do susto que ele a deu no início do filme.

Chegando lá no parque, os adolescentes passeiam pelas atrações, que incluem animais deformados, uma vidente, mulheres peladas e etc. É quando um deles tem a ideia GENIAL de ir na casa de horrores e se esconderem lá para passar a noite no brinquedo.


Escondidos dentro do brinquedo (que curiosamente por fora parece normal mas por dentro parece uma mansão), os jovens tem a atenção chamada quando encontram uma brecha do andar de baixo, que é tipo um quarto. Eles veem a vidente e um funcionário da casa de horrores (que usava uma máscara de Frankenstein o tempo todo) tendo relações mas que logo se transforma em assassinato quando ele a estrangula.

Assustados, os quatro tentam achar uma saída do lugar mas começam a ser caçados quando o cara revela ser um deformado maluco controlado pelo seu pai maníaco, que pede especificamente para ele os matá-los!


O que faz com que The Funhouse funcione tão bem é que tudo nele grita ANOS 80 em um tom nostálgico, ainda que numa forma geral, assistí-lo hoje em dia o faça acreditar que ele não envelheceu bem. Em comparação aos outros exemplos slashers da época, The Funhouse tem poucas cenas de mortes - sendo grande parte delas não muito violentas e em off-screen, deixando para vermos apenas os corpos dos personagens depois de mortos.

Essa falta de violência nas mortes também não é muito compensada pela ausência de um clima de suspense e acho que poderiam ter aproveitado mais o cenário. Todo o parque é bem bizarro - principalmente a Casa dos Horrores, cheia de estátuas estranhas e esquisitas. Renderia mais cenas de perseguição (apesar de eu achar a cena final na sala de maquinaria bem bacana).

Rever o filme me fez pensar que um remake (bem feito, claro) poderia ser uma boa hoje em dia. Enquanto isso, a obra original é uma diversão que evoca as características de uma época criativa para o gênero de terror. 

Título Original: The Funhouse
Ano: 1981
Duração: 95 minutos
Direção: Tobe Hopper
Roteiro: Lawrence Block
Elenco: Elizabeth Berridge, Cooper Huckabee, Largo Woodruf, Miles Chapin, Shawn Carson, Kevin Conway, Sylvia Miles