Crítica: XX (2017) - Sessão do Medo

25 de fevereiro de 2017

Crítica: XX (2017)


Em produção há 3 anos, XX é um projeto antológico comandado por quatro mulheres, dirigindo e roteirizando quatro segmentos que formam o filme no total. Nas cadeiras estão Karyn Kusama (The Invitation), Roxanne Benjamin (Southbound), a música Annie Clark (conhecida como St. Vincent) e Jovanka Vuckovic, sendo que as duas últimas estão estreando na direção. O título é uma referência à gíria/sigla internês americana XX, que significa "beijos" - tanto que o poster oficial é um "beijo" com detalhes que formam uma caveira.

Os segmentos são interligados por sequências bizarras em stop-motion que não significam nada e tentam fazer algo estranho e subversivo mas são apenas entediantes e estranhas.


O primeiro segmento é intitulado A Caixa e foi dirigido pela Jovanka Vuckovic. Na história, conhecemos uma mãe e seus dois filhos voltando pra casa num dia próximo ao Natal. No metrô, o garoto se senta ao lado de um homem com uma caixa vermelha e curioso, pede pra ver o que é. O conteúdo da caixa é um mistério já que o garoto não revela. Tudo começa a ficar estranho quando nos dias seguintes, o menino se recusa a comer, dizendo que não está com fome. Quando se passam mais de 5 dias, os pais ficam preocupados e o leva a um médico. É quando a garota começa a fazer o mesmo...

Com Natalie Brown no papel da mãe, este segmento é simples mas bizarro e é o meu segundo favorito no longa. Ao passar dos dias vemos a dinâmica de uma família unida de desmanchar, enquanto os membros vão definhando sem se alimentarem. Há um clima de angústia e é bastante impactante quando vemos uma cena que se passa vários dias após o início, onde todos estão mais magros que o normal. O que não curti foi o desfecho, deixa um gosto de quero mais mas poderia ter terminado alguns minutos antes, numa cena bem grotesca que serve como pesadelo da protagonista.


O segundo segmento é A Festa de Aniversário, dirigido pela Annie Clark. Estrelado pela competente Melanie Lynskey, este aqui não é propriamente um curta de terror, mas sim de puro humor negro. Mary (Lynskey) acorda no dia do aniversário de sua filha e descobre que seu marido, que havia chegado de viagem pela madrugada, está morto devido a uma overdose no escritório. Para não estragar a data querida, ela resolve esconder o corpo mas acaba sendo atrapalhada por vários fatores.

Confesso que soltei várias risadas, não gargalhadas, mas risadas. É um curta divertido e despretensioso, com um visual curioso, provavelmente vindo das origens músicas da diretora, que lembrou um pouco Kubrick e o visual de Laranja Mecânica (1971). O desfecho é engraçado e no tom certo de humor negro, principalmente os letreiros que aparecem no fim.


O terceiro segmento, Não Caia, foi dirigido pela Roxanne Benjamin e é o mais fraco dos quatro. Nele, dois casais de amigos viajam para o deserto. Lá, eles encontram uma gravura numa pedra que mostra uma criatura estranha. Durante a noite, uma das moças é atacada por algo parecido à imagem que encontraram e se transforma numa violenta criatura.

No início, esperava algo claustrofóbico pelo título, mas o roteiro dele não tem suspense e nem procura ter, já que tudo é meio explícito e rápido, sem pé nem cabeça. Aliás, lembra bastante o último trabalho da direta, a também antologia Southbound, que aliás, é péssima.


O quarto e último segmento foi dirigido pela ótima Karyn Kusama e segue a regra de deixar o melhor para o final - sim, é o meu favorito. O Único Filho Dela traz a história de uma mãe solteira (Christina Kirk) e seu filho adolescente que está prestes a completar 18 anos. Nos dias que antecedem a data, o garoto começa a ficar violento e ela começa a suspeitar que seu passado conturbado a esteja finalmente alcançando.

Com várias referências à O Bebê de Rosemary (1968), servindo até como uma sequência conceitual, o segmento funcionaria facilmente como um longa metragem - e um que eu pagaria pra ver. Ele é sutil e interessante, deu a parecer que a história só não foi melhor por conta da curta duração. Fiquei imaginando várias possibilidades de rumos que poderiam tomar num filme de 90 minutos, como o suspense, a paranoia e até mesmo um pouco de body-horror. 

No geral, XX é uma antologia na média com histórias convincentes mas que infelizmente, num todo, é esquecível. Apenas o último curta me deixou fixamente vagando sobre a possibilidade de um filme sobre ele, já que eu sou fãnzaço de O Bebê de Rosemary. No entanto, se você curte antologias, esta aqui é um prato cheio!

por Neto Ribeiro

Título Original: XX
Ano: 2017
Duração: 80 minutos
Direção: Roxanne Benjamin, Karyn Kusama, St. Vincent, Jovanka Vuckovic
Roteiro: Roxanne Benjamin, Jovanka Vuckovic, Jack Ketchum
Elenco: Natalie Brown, Melanie Lynskey, Breeda Wool, Christina Kirk