Crítica: Medo Profundo (2016) - Sessão do Medo

9 de março de 2018

Crítica: Medo Profundo (2016)


Há dois anos, chegava nos cinemas Águas Rasas, um blockbuster de horror que trazia Blake Lively no papel de uma surfista que se vê sem saída em uma praia escondida após um ataque de tubarão. O filme foi um sucesso, caiu nas graças do público e da crítica e ajudou a limpar a imagem dos tubarões no cinema em um longa bem eficiente.

Mas na mesma época também saía In the Deep (Nas Profundezas), também conhecido pelo título de 47 Meters Down e que será lançado nos cinemas brasileiros como Medo Profundo, um filme que também trabalhava com tubarões e que passou despercebido perante ao público. O que é uma pena, para ser sincero, já que o filme é superior ao que citei no primeiro parágrafo e merece ser visto o quão antes possível! Então, antes de terminar de ler essa crítica, já providencie!

O elenco é encabeçado pelas competentes Mandy Moore (Um Amor Para Recordar) e Claire Holt (The Originals), nos papéis de Lisa e Kate, duas irmãs em férias no México. Lisa acabou de passar por um término e Kate tenta a todo custo animá-la. Quando a oportunidade de uma atividade diferente chega, ela aceita. A atividade é nada menos que um mergulho em gaiola, onde você pode ver os tubarões de perto. O problema é que a gaiola se desprende do barco e as duas se vêem presas a 47 metros de profundidades, cercadas por tubarões e com o oxigênio diminuindo a cada minutos que elas passam lá.


O mais interessante da produção é que, uma vez que elas caem no mar, a trama se passa inteiramente nas profundezas. Embora o mar seja imenso, o cenário se resume mais ainda à gaiola, já que os predadores rondam o perímetro. Portanto, é de se esperar que o filme seja claustrofóbico, mas não importa o que o roteiro traga, se não tiver uma direção firme, isso não rola.

E que bom que temos uma direção firme! O responsável é Johannes Roberts, que já dirigiu Do Outro Lado da Porta (2016) e foi contratado para dirigir o vindouro Os Estranhos 2, continuação do suspense de 2008. O cara manda bem em utilizar justamente os elementos para te fazer sentir tão sufocado quanto as personagens. O uso da câmera também é essencial nesses termos: ou ela está focada perto demais nas atrizes, dando a sensação de claustrofobia, ou ela está focada longe demais, dando a sensação de solidão.

Toda a técnica de produção ajuda o filme a se sair muito bem, trazendo um suspense incrível e junto com a atuação de Moore e Holt, uma conexão com as personagens carismáticas. O roteiro também faz um ótimo trabalho em colocar situações razoavelmente simples e acaba sendo fácil se colocar na posição das moças. Eu por exemplo, acabei o filme sem unhas, podem acreditar. Há cenas que parecem bastante desesperadoras se você for se imaginar no lugar delas. Talvez a mais desesperadora tenha sido uma em particular, onde Lisa se perde no fundo do mar.


Acho que o que mais curti no filme foi o fato dele ser um filme bem pé no chão. Sem querer começar comparações, mas já começando: por mais que eu tenha gostado de Águas Rasas, algumas situações nele simplesmente pareciam exageradas. É de se entender, já que é um filme blockbuster. Mas ainda assim, não curti muito isso. Aqui já tem um filme mais simples e bem eficiente. Embora devo destacar que há sim, várias cenas envolvendo os tubarões, umas bem assustadoras, pra ser sincero, mas eles não são o foco do filme, já que as garotas acabam tendo outros problemas como o oxigênio acabando e a falta de saídas, já que elas não podem simplesmente nadar para a superfície. Enfim, menos é mais.

Eu sinceramente não tenho ideia se o filme vai chegar no Brasil, seja nos cinemas ou num lançamento direto em DVD, mas seria uma grande pena as distribuidoras deixarem esse filme passar em branco. Para quem gosta de filmes tensos e bastante claustrofóbicos, Medo Profundo é uma excelente opção.

Atualização: A PlayArte lançará o filme como Medo Profundo, dia 8 de Março de 2018.

Crítica publicada em 10/05/17.
Título Original: In the Deep
Ano: 2016
Duração: 89 minutos
Direção: Johannes Roberts
Roteiro:  Johannes Roberts, Ernest Riera
Elenco: Mandy Moore, Claire Holt, Chris J. Johnson, Yani Gellman, Santiago Segura, Matthew Modine