Crítica: O Acampamento (2017) - Sessão do Medo

6 de agosto de 2017

Crítica: O Acampamento (2017)


O australiano "Killing Ground" foi considerado um dos filmes mais violentos do ano, recebendo críticas mega positivas após ter sido exibido no Sundance Festival, em Janeiro desse ano. Após ver o trailer e ler sobre tais coisas, não poderia deixar de assisti-lo. E posso dizer que os australianos sabem bem como fazer os turistas se darem mal, assim como o seu conterrâneo "Wolf Creek - Viagem ao Inferno".

A história é sobre Ian (Ian Meadows) e Samantha (Harriet Dyer), um casal que decide comemorar o ano novo em um acampamento isolado. Ao encontrarem uma tenda vazia no local, à medida que a noite cai e os campistas não retornam, o casal fica mais desconfiado de que algo está errado. Tudo piora após encontrarem um bebê vagando pela floresta.


À primeira vista o filme parece clichê e mais do mesmo, mas garanto que nem de longe podemos denominá-lo como tal. O diferencial do longa é a sua narrativa. Nós somos apresentados a um roteiro não linear, onde 3 núcleos vão se entrelaçando pouco a pouco, fazendo com que o espectador junte as peças e vá tentando descobrir o que está acontecendo ali. Instiga muito a nossa curiosidade, e acredito esse ser o motivo do bom recebimento no festival. 

A direção do Damien Power, que também assina o roteiro, é certeira. De início o ritmo é lento, e necessário para o desenvolvimento dos personagens, e para a criação eficaz do ótimo clima de suspense que perdura durante boa parte do tempo. Você se importa com os mocinhos e fica tenso com situações não muito comuns em filmes do tipo (situações essas que incluem um bebê). O clima de desconfiança e insegurança é necessário para a nossa imersão na história. Interessante também é que há uma personagem em questão que parece um amorzinho, mas que no decorrer vamos vendo o seu acovardamento de uma maneira assustadora e que faz você se questionar se isso realmente aconteceria numa situação daquela. Mostrando que ninguém é 100% bom ou ruim.

O ponto negativo pra mim fica por conta da dupla de vilões Chook (Aaron Glenane) e German (Aaron Pedersen). Não digo isso em relação às atuações, e sim ao desenvolvimento específico deles. Achei a motivação meio aleatória, sabe. São aqueles típicos caipiras de cidade pequena que se acham donos de tudo e de todos. Até há uma tentativa de fazer do Chook um cara mentalmente perturbado, parecendo não querer realizar tais ações, mas é bem básico. Achei os caras meio deslocados na trama.


Devo destacar que existem inúmeras obras mais violentas do que esse longa, mas a dose de violência mostrada aqui é crua, com uma pegada "Eden Lake", detalhe crucial para o realismo que o filme passa. E acima de tudo o terror psicológico fala mais alto do que qualquer outro elemento. 

De uma maneira geral digo que "Killing Ground" é pessimista, realista, muito bem atuado, e ainda conta com um roteiro um tanto inusitado. Acredito que vá agradar a maioria dos fãs do gênero apesar de algumas situações nada aprovadas por mim.

Segundo o site Adoro Cinema, o filme será lançado no Brasil dia 31 de agosto, com o título "O Acampamento".
Por Lu Souza

Título Original: Killing Ground
Duração: 88 minutos
Direção: Damien Power
Roteiro: Damien Power
Elenco: Harriet Dyer, Ian Meadows, Maya Stange, Mitzi Ruhlman, Tiarnie Couplan, Stephen Hunter, Aaron Pedersen, Aaron Glenane, Aaron Pedersen