Crítica: O Guardião Invisível (2017) - Sessão do Medo

11 de agosto de 2017

Crítica: O Guardião Invisível (2017)


Esta semana entrou no catálogo brasileiro da Netflix o espanhol O Guardião Invisível (El Guardian Invisible), uma adaptação do livro de mesmo nome que para minha surpresa já foi lançado aqui no Brasil e relançado recentemente com a capa do filme. Me interessei logo de cara pois os espanhóis geralmente acertam no cinema e por ter uma trama policial intrigante, me pareceu que valeria a pena. Se está lendo a crítica, de duas uma: Ou viu que postamos e veio conferir ou viu o filme no catálogo e veio ver se vale a conferida, certo? Digo logo de cara: sim, mas não vá com tanta sede ao pote.

Assim como vários filmes americanos de suspense policial, O Guardião Invisível traz muitos elementos dele: uma garota é encontrada morta perto de um lago, completamente nua, com os cabelos penteados e com um doce de chocolate cobrindo suas partes íntimas. A detetive Amaia Salazar (Marta Etura, Enquanto Você Dorme) vê no caso similaridades à outro crime ocorrido um mês antes. Ela então é mandada de volta à sua cidade natal, Elizondo, para investigar o caso.

No entanto, a melancólica Amaia guarda traumatizantes memórias da cidade e da sua infância, onde era constantemente perturbada pela sua mãe, que nutria um ódio descontrolado pela menina. Reatando relações com suas irmãs e sua tia que a criou, Amaia começa a descobrir segredos do caso mas se vê em um tipo de bloqueio emocional quando começa a reviver suas memórias. É quando novos corpos são encontrados.

Primeiro vou falar dos pontos positivos, que apesar de poucos, pesam bastante: A direção do filme é muito boa e não erra a mão, sempre mantendo o clima e conduzindo seu elenco de forma exemplar - elenco esse que é muito competente, principalmente a protagonista Marta Etura. Fernando González Molina é o maior acerto por ser capaz de pegar um roteiro meio problemático e explorar o bastante pra resultar em um filme acima da média.  A fotografia é excelente, extremamente climática e fria, assim como a história pede. Juntos, esses dois elementos são a chave do sucesso de O Guardião Invisível.


Os pontos negativos podem parecer muitos e embora não pesem tanto, precisam ser comentados pois de certa forma são bobeiras. O filme sofre o que muitas adaptações de livros sofrem: as famosas sobrinhas. Com mais de duas horas de duração, é de se imaginar que a história é bem adaptada e embora eu mesmo não tenha lido à obra originária, é perceptível que muita coisa não foi transferida corretamente para as telas pois elas não chegam a ser gritantes, mas certamente são sentidas pelo público.

A história no final das contas não se destaca muito principalmente entre aqueles que já tem um histórico com o gênero, portanto muita coisa não surpreende apesar do filme manter a atenção até o final. Há sim um pequeno diferencial, um quê místico, mas que não é tão trabalhando e deixado em aberto (provavelmente no livro acontece o mesmo). Isso não interfere em muita coisa portanto não tem muito efeito.

Como não quero prolongar a crítica dando voltas e voltas, vou finalizar por aqui pois creio que tudo que tinha pra dizer foi dito. É um filme acima da média, bem feito, bem produzido e com uma fotografia linda. A história não tem tanta força, os dramas da protagonista acabam se tornando mais interessantes que o próprio mistério. Não é completamente dispensável e novamente, recomendo que tirem suas próprias conclusões. Mas não é um filme que não encontra seu destaque.
por Neto Ribeiro

Título Original: El Guardián Invisible
Ano: 2017
Duração: 129 minutos
Direção: Fernando González Molina
Roteiro: Luiso Berdejo
Elenco: Marta Etura, Elvira Mínguez, Carlos Librado, Patricia López, Susi Sánchez