Crítica: Slasher | 2ª Temporada (2017) - Sessão do Medo

20 de outubro de 2017

Crítica: Slasher | 2ª Temporada (2017)


Ano passado, o canal Chiller TV, dedicado apenas à programação de terror, resolveu se arriscar nas antologias e lançou Slasher, uma série cujo nome já diz tudo. A cada temporada, iremos embarcar num novo mistério com um assassino diferente e mortes violentas e criativas, assim como o subgênero costuma entregar. O primeiro ano, subtitulado popularmente como The Executioner, acompanhava a história de Sarah (Katie McGrath), uma moça que volta pra sua cidade natal onde seus pais foram assassinados quando menor. Sua volta coincide com assassinatos brutais realizados por um assassino mascarado que se chama de "O Carrasco". Como vocês podem ver na nossa crítica, a temporada teve mais erros do que acertos e restou apenas uma grande vontade de ver o conceito do show ser melhor trabalhado.

Felizmente, a segunda temporada estava a caminho, mas não seria exibida no Chiller TV. Ao invés disso, a Netflix comprou os direitos para lançá-la. Então, a nova temporada, subtitulada Guilty Party (ou "festa da culpa") foi finalmente disponibilizada nesta terça (17) e pudemos conferir se vale a pena ou não.


Guilty Party traz a história de cinco amigos que foram monitores num acampamento de verão. Durante o período, eles conhecem a novata Talvinder (Melinda Shankar), que logo se revela uma verdadeira duas caras, manipulando todo mundo. Eles resolvem se vingar, enganando-a e levando-a para um local isolado para jogar tudo na cara da garota e deixarem ela sozinha durante a noite, voltando no dia seguinte para pegá-la. As coisas saem do controle e Talvinder acaba morrendo. Eles escondem seu corpo e jogam a culpa em outro monitor do acampamento.

Cinco anos depois, Dawn (Paula Brancati) descobre que o local do acampamento pode se transformar em um resort. Com medo de que achem o corpo e rastreiem as provas até eles, ela convence os outros à voltarem ao lugar para relocar os ossos de Talvinder. Junto com Andi (Rebecca Liddiard), Peter (Lovell Adams-Gray), Susan (Kaitlyn Leeb) e Noah (Jim Watson), os cinco vão até a sede do acampamento, que hoje pertence à irmã do antigo proprietário, Renée (Joanne Vannicola). A moça, juntamente com seu marido - na verdade eles são melhores amigos e gays, mas se consideram um casal - Antoine (Christopher Jacot), administra um tipo de retiro "hippie" vegetariano.

Lá, os dois vivem com a supersticiosa Judith (Leslie Hope), a ex-enfermeira Keira (Madison Cheeatow), o ex-advogado Mark (Paulino Nunes), o amador de carnes Glenn (Ty Olsson) e o estranho Wren (Sebastian Pigott). Também tem Gene (Jefferson Brown), que possui uma loja a alguns quilômetros do retiro e ajuda os amigos à chegarem até o local. Logo no primeiro dia de estadia, durante o inverno, duas pessoas morrem. Ninguém sabe quem foi o assassino, mas sabem que é um deles e que esvaziou os tanques. Então, presos no meio do nada, cercados apenas por floresta e neve, os personagens vão sendo mortos um a um, no clássico esquema de Os Dez Negrinhos.


Assim como a temporada anterior, Guilty Party é constituída de 8 episódios, mas diferente da primeira, ela não precisava desta quantidade para explorar a história. Como puderam perceber pelo resumo que fiz acima, a história se passa num lugar isolado e limitado de locações, portanto o enredo precisava ser direto e com dois episódios a menos, a temporada iria fluir mais naturalmente. Por ter mais tempo do que o que o conteúdo pedia, a história fica com certas "gordurinhas", detalhes que podiam ter sido ignorados e plots que servem pra encher linguiça, como o do personagem Glenn.

Mas de fato, isso chega a ser natural. Pedir para que uma série slasher se comporte como um filme slasher é um pouco problemático, pois filmes slashers são rápidos, tem o início, meio e fim metricamente demarcados e no formato de uma série, essas sobras podem vir a parecer. Até Harper's Island, uma minissérie que particularmente adoro, demorou 6 episódios para decolar!

Para a minha surpresa, Guilty Party teve mais acertos do que eu esperava. Depois da primeira temporada, mantive minhas expectativas baixas, até por que o criador da série, Aaron Martin, voltaria a roteirizar todos os episódios desta segunda fase. Mas mesmo com as já ditas sobras, a temporada surpreende por ter uma história bem contada. O enredo utiliza uma estrutura parecida com à de How to Get Away with Murder para explorar todos os cantinhos, indo e voltando com seus flashbacks para construir tanto o passado dos personagens e o acontecimento fatídico que mudaria suas vidas, quanto o pesadelo em que eles estão presos, no presente. Dessa forma, o roteiro consegue nos manter interessados embora demore um pouco no início para engrenar. Também dá pra notar que se inspiraram em filmes como Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997) para bolar a história e Lenda Urbana (1998) e Cry Wolf (2005) para bolar o visual do assassino, que não é nada criativo (apenas um casaco de inverno e uma máscara preta) mas funciona em cena.


Uma das coisas que mais critiquei na temporada passada foi o elenco, formado por um bando de gente que precisavam urgente de uma reforço nas aulas de atuação. A apatia e falta de credibilidade diminui drasticamente o rendimento daqueles episódios, mas felizmente, o olheiro estava mais atento dessa vez e conseguiu contratar atores melhores. Não é nada digno de Emmy, mas tem muita gente competente aqui. Os destaques vão para o Christopher Jacot (que participou do ano anterior), Ty Olsson, Joanne Vannicola, Leslie Hope, Paulino Nunes, Jim Watson e principalmente a Paula Brancati, a Dawn, que mesmo com suas engraçadas "caretas" conseguiu transformar uma personagem irritante em carismática ao decorrer da série e me fez torcer muito para sua sobrevivência.

Como todo slasher que se preze, Guilty Party não decepciona na violência e entrega cenas repletas de gore. O primeiro episódio traz uma cena extremamente gráfica mas com um evidente uso de CGI. Felizmente isso não se repete e no resto dos episódios, a coisa é mais prática. Não só da violência e do sangue, mas a temporada também impressionou por trazer uma certa sensibilidade aos personagens e embora no início eu tenha julgado essa atenção dada à eles como desnecessária, no final das contas serviu bem. Um bom exemplo é quando um certo indivíduo (não vou citar nomes) é estuprado. As consequências do ato são mostradas de forma com que o espectador realmente se choque e se compadeça.


E claro, não podemos deixar de falar do final. O desfecho da primeira temporada é um verdadeiro lixo atômico, um grande desserviço. Mas Guilty Party novamente me surpreendeu por trazer algo bem bolado e assim como qualquer slasher com um bom mistério no estilo "whodunnit", o desfecho me impressionou por ser algo que eu não esperava de fato.

A segunda temporada de Slasher ainda traz muitos clichês e algumas falhas que são impossíveis de não serem notadas. Para alguns que começaram, pode parecer meio chata. Mas o saldo final foi positivo para mim e se tornou uma grata surpresa. É bem melhor do que a primeira, mas convenhamos, isso não seria muito difícil de se conseguir.
Criada por: Aaron Martin
Canal: Netflix
Episódios: 8
Elenco: Leslie Hope, Paula Brancati, Lovell Adams-Gray, Joanne Vannicola, Paulino Nunes, Jim Watson, Sebastian Pigott, Madison Cheeatow, Christopher Jacot, Ty Olsson, Rebecca Liddiard, Kaitlyn Leeb, Jefferson Brown



Description: Rating: 3 out of 5