Crítica: The Void (2016) - Sessão do Medo

3 de abril de 2018

Crítica: The Void (2016)


Em 2015, um trailer viralizou na internet, despertando o interesse de muitos dos apreciadores do gênero. The Void começou como um trailer conceitual, mostrando a ideia central da produção, que precisava de investidores para seguir em frente. À frente do projeto estavam Jeremy Gillespie (Father's Day) e Steven Kostanski (ABCs da Morte 2), que desde o começo falaram sobre as influências que o filme teria, sendo tanto um terror Lovercraftiano, quanto um terror nostálgico ao estilo de produções de horror dos anos 80, de filmes como Príncipe das Sombras (1987), O Enigma de Outro Mundo (1982), Hellraiser - Renascido do Inferno (1987), Do Além (1986), entre outros...

Com a atenção do público alvo, o projeto seguiu com financiamento coletivo via Indiegogo, arrecadando 82,510 dólares e posteriormente foi produzido e exibido nos festivais Fantastic Fest e no Toronto After Dark Film Festival com boa recepção de público e crítica, levando o filme a sair também em circuito comercial em abril desse ano, simultaneamente com o lançamento em Video on Demand. 


The Void é exatamente aquilo que foi prometido pelos idealizadores, um filme de terror fortemente influenciado por H.P. Lovecraft com vários elementos de suas obras e também muito influenciado pelos filmes de terror dos anos 80 já citados, o quê por si só já vale uma conferida.



O filme começa com uma cena enigmática mostrando um casal fugindo de uma casa isolado no meio da noite, onde a mulher é baleada e queimada em frente a tal casa por dois homens - que mais tarde descobrimos que são Vincent (Daniel Fathers) e seu filho Simon (Mik Byskov) - enquanto um culto com pessoas encapuzadas está observando de longe. Mesmo conseguindo matar e torrar a mulher, eles deixam escapar o cara que estava com ela, James (Evan Stern), que minutos depois é avistado machucado e se arrastando na estrada pelo policial Daniel (Aaron Poole de A Conspiração), que decide leva-lo até o hospital local ali perto, hospital esse com um numero relativamente pequeno de pessoas devido a um incêndio recente.

Chegando ao local descobrimos que Daniel é casado com a enfermeira Allison (Kathleen Munroe, do horrível Ilha dos Mortos), que está grávida. Somos apresentados também ao pai de Allison, médico chefe do hospital, um avô acompanhando a neta, que está em trabalho de parto, mais duas enfermeiras...Tudo está aparente bem, até o momento em que uma das enfermeiras mata um paciente enfiando uma tesoura em seus olhos em uma especie de transe e arranca a pele do próprio rosto e indo em direção à Daniel, que é obrigado a atirar na mesma.

À partir desse momento o caos se inicia, ao tentar pedir ajuda, Daniel descobre estar sem comunicação e membros do culto estão parados e encapuzados do lado de fora do hospital (no mesmo esquema do grupo de pessoas em Príncipe das Sombras de John Carpenter). Ao voltar para o interior do Hospital, Daniel descobre que o corpo da enfermeira sofreu uma "metamorfose", numa clara alusão ao clássico O Enigma de Outro Mundo, o corpo sofre deformidades e se transforma em um monstro grotesco.. As coisas ficam ainda mais tensas quando entram em cena Vincent e Simon com o proposito de matar James.


Quem são as pessoas do lado de fora? O quê está havendo naquele local? Qual o motivo de Vincent e Simon quererem matar James? Qual a relação das pessoas encapuzadas com o trio apresentado na primeira cena? Já nos 20 primeiros minutos de projeção estamos com essas perguntas em mente e o filme não perde o ritmo momento algum.

Talvez o único "problema" no jeito em que se desenvolve é não gastar tempo em estabelecer os personagens, são apresentados de forma corrida e sem foco, e isso leva à falta empatia com os mesmos. Isso não chega a ser demérito, já que personagens carismáticos nem sempre foram o foco em filmes de terror desse tipo, mas certamente contribuiria pra um envolvimento maior para com eles, contribuindo ainda mais com a tensão criada no filme.

O maior mérito de The Void é justamente fugir do padrão de cinema de terror atual que é mais sutil, explicado e mais puxado pra realidade, esse filme segue um padrão muito parecido com os filmes dos anos 80, onde os diretores e roteiristas não tinham medo de ousar e criar filmes estranhos, grotescos, exagerados ou ambíguos, que na maioria das vezes só caiam no gosto dos apreciadores do gênero e não eram bem vistos pelo grande público, como é o caso dos filmes de terror mainstream atuais que agradam muito mais o público casual que os próprios fãs do gênero.

Além de momentos inspirados em "crássicos" dos anos 80 que todos nós amamos, o filme traz referencias sutis aos filmes da época como Hellbound - Hellraiser 2 (1988), Terror Nas Trevas (1981), Re-Animator (1985), entre outros, incluindo os já citados acima...Vale destacar que tais referencias não soam gratuitas ou sem propósito, já que todas elas possuem importância dentro da trama e por si só são de encher os olhos como o desfecho que é não só uma referencia como uma homenagem a um dos clássicos do Fulci.

The Void é um presente aos apreciadores e fãs do clássicos do terror dos anos 80, e poderia facilmente ser rotulado como "Um dos melhores filmes dos anos 80, que não foram lançados nos anos 80"e também como um dos melhores filmes throwback atuais.

Titulo Original: The Void
Ano: 2016
Duração: 90 minutos
Direção: Jeremy Gillespie e Steven Kostanksy
Roteiro: Jeremy Gillespie e Steven Kostanksy
Elenco: Aaron Poole, Kenneth Welsh, Daniel Fathers, Kathleen Munroe, Ellen Wong, Mik Byskov, Art Hindle, Stephanie Belding, James Millington, Evan Stern, Grace Munro, Trish Reinone, Matthew Kennedy